Projeto Iauaretê: a luta para salvar as onças-pintadas das árvores da Amazônia

 Onça-pintada (Panthera onca) A onça-pintada é o maior felino das Américas. A perda e fragmentação de habitat associadas principalmente à expansão agrícola, mineração, implantação de hidrelétricas, ampliação da malha viária e a eliminação de indivíduos por caça ou retaliação por predação de animais domésticos são as principais ameaças enfrentadas pelo felino Status na Lista de Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção: espécie vulnerável

A onça-pintada (Panthera onca) é o maior felino das Américas. A perda e fragmentação do habitat associadas à expansão agrícola, mineração, implantação de hidrelétricas, ampliação da malha viária e a eliminação de indivíduos por caça ou retaliação por predação de animais domésticos são as principais ameaças enfrentadas pelo felino.
Status na Lista de Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção: espécie vulnerável – Foto: Emiliano Ramalho

Na Amazônia, durante o período da cheia, a onça-pintada deixa o solo e passa a viver na copa das árvores. Com incrível flexibilidade ecológica, o felino muda o comportamento para continuar em seu território, mesmo quando a água inunda a várzea da maior floresta tropical do mundo. Essa é uma das conclusões de uma pesquisa realizada pelo Projeto Iauaretê, do Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

O estudo é realizado desde 2008 na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, a primeira reserva de desenvolvimento sustentável do Brasil, criada em 1996 a partir do sonho do primatólogo José Márcio Ayres de preservar o macaco uacari-branco. A área com mais de 1 milhão de hectares tem a função de proteger o ambiente de várzea amazônico, produzir ciência de qualidade e envolver as comunidades ribeirinhas locais na conservação do meio ambiente. “O que a gente tem observado é que temos, na Reserva Mamirauá, uma das mais altas densidades de onças encontrada no mundo. A gente estima mais de dez onças a cada 100 km².  E o que isso mostra é o potencial que as várzeas têm”, comentou o pesquisador Emiliano Ramalho, líder do GP Felinos, do Instituto Mamirauá.

Para Emiliano, a explicação para essa grande concentração de onças-pintadas se deve a grande quantidade de alimento disponível. Apesar de animais terrestres que são presas comuns do felino não serem encontrados com frequência, a densidade de preguiças e jacarés é altíssima. Esses duas espécies constituem a base da alimentação das onças-pintadas em Mamirauá. Segundo o pesquisador, existem cerca de 1000 onças-pintadas dentro da reserva.

A concentração de onças-pintadas na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, na Amazônia, é uma das maiores do mundo - Foto: Emiliano Ramalho

A concentração de onças-pintadas na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, na Amazônia, é uma das maiores do mundo – Foto: Emiliano Ramalho

A onça-preta e a onça-pintada são animais da mesma espécie. Indivíduos melânicos são mais comuns em florestas densas, como a Amazônia. Eles têm uma alta quantidade de melanina na pele e nos pelos - Foto: Projeto Iauaretê/Instituto Mamirauá

A onça-preta e a onça-pintada são animais da mesma espécie (Panthera onca). Indivíduos melânicos são mais comuns em florestas densas, como a Amazônia. Eles têm uma alta quantidade de melanina na pele e nos pelos – Foto: Projeto Iauaretê/Instituto Mamirauá

Como se movimentam as onças-pintadas da várzea Amazônica? Como a variação do nível da água, ao longo do ano, interfere na movimentação desses animais? Para responder a essas perguntas, os felinos recebem colares de GPS que armazenam e enviam informações da localização de cada animal para os pesquisadores via satélite. O colar também tem um sistema transmissor VHF, que emite uma frequência de rádio que é utilizada quando os pesquisadores querem encontrar o animal na floresta.

Durante os meses de janeiro e março a equipe do projeto capturou e instalou colares em duas onças: Django, uma onça-preta e Fofa, que está grávida. Para Louise Maranhão, veterinária no Instituto Mamirauá, a gestação é um indicativo de que o ambiente é viável para a sobrevivência e para a reprodução da espécie. “O animal está bem, possui alimentação no ambiente e está se reproduzido bem. Demonstra que esse é um ambiente que está favorável para sua manutenção.” Com esses dois animais, o projeto monitora atualmente cinco onças-pintadas na região.

As onças-pintadas são anestesiadas e têm os sinais vitais monitorados durante todo o processo de captura. Os animais são pesados, medidos e fotografados. Amostras biológicas são coletadas para análise genética e de parasitas em laboratório. Tudo é por acompanhado por um médico veterinário - Foto: Amanda Lelis

As onças-pintadas são anestesiadas e têm os sinais vitais monitorados durante todo o processo de captura. Os animais são pesados, medidos e fotografados. Amostras biológicas são coletadas para análise genética e de parasitas em laboratório. Tudo é por acompanhado por um médico veterinário – Foto: Amanda Lelis

As onças são liberadas com os colares GPS, que possuem um sistema que permite que se desarmem sozinhos quando a bateria acaba, possibilitando que sejam encontrados e reutilizados posteriormente. A acompanhamento pode durar até dois anos - Foto: Amanda Lelis

As onças são liberadas com os colares GPS, que possuem um sistema que permite que se desarmem sozinhos quando a bateria acaba, possibilitando que sejam encontrados e reutilizados posteriormente. O acompanhamento pode durar até dois anos – Foto: Amanda Lelis

A pesquisa também analisa as fezes das onças para determinar as principais presas dos felinos dentro de Mamirauá. “A preguiça sempre é o prato principal das onças ao longo do ano todo. O que muda no período da cheia é que as onças não têm acesso aos jacarés, que estão dispersos na água, na floresta. Então ela complementa isso com outros animais que vivem em cima da árvore: macacos guariba, outros macacos e o tamanduá-mirim”, diz Emiliano.

As informações coletadas pelo Projeto Iauaretê servem de base para a manutenção do programa de turismo de observação de onças-pintadas, realizado somente durante o período da cheia (final de abril até meados de junho) e mantido em parceria com a Pousada Uacari. Parte da renda arrecada vai para as comunidades locais e permite a continuidade da pesquisa científica. Segundo Emiliano, é importante provar que a onça pode trazer benefícios financeiros para as pessoas que trabalham na região. “As onças, hoje, têm um valor negativo por parte das comunidades. Porque as pessoas se sentem ameaçadas por causa da onça. Perdem cachorro, criação, porco, gado. A ideia é que mais gente venha fazer a observação de onças e que o recurso extra vá para as comunidades e para manter essa atividade de pesquisa. As pessoas ficam mais interessadas com o bicho. E o mais importante é dar tempo para as pessoas se conscientizarem.”

Os filhotes também se adaptam à vida nas copas das árvores - Foto: Emiliano Ramalho

Os filhotes também se adaptam à vida nas copas das árvores – Foto: Emiliano Ramalho

Para Emiliano, é possível replicar o modelo de turismo de observação de onças em outros lugares da Amazônia, principalmente em áreas de várzea. Ele já está programando outras iniciativas para verificar a possibilidade de fazer algo semelhante em áreas de terra firme.

A pesquisa do Projeto Iauaretê mostra que é necessário aumentar as áreas protegidas de florestas de várzea para ajudar na conservação da onça-pintada na Amazônia. Iniciativas como essa são necessárias para retirar o felino da Lista de Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção.

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Projeto Onçafari: no rastro da onça-pintada

Onça-pintada: a mordida mais poderosa entre os felinos

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Onça-pintada: a mordida mais poderosa entre os felinos

A onça-pintada possui a mordida mais poderosa entre os felinos. Nem o tigre ou o leão superam a força da Panthera onca - Foto: João Sergio Barros Freitas De Souza/Sua Foto

A onça-pintada possui a mordida mais poderosa entre os felinos. Nem o tigre ou o leão superam a força da Panthera onca – Foto: João Sergio Barros Freitas De Souza/Sua Foto

Ver uma onça-pintada (Panthera onca) na natureza é algo difícil de explicar. Ela encara, olho no olho, até ter a certeza de que você a viu. Seu tamanho é impressionante, ela domina o local e parece que tudo gira em torno dela. É como se a floresta parasse, naquele momento, só para vê-la passar. Antes de sair, uma pausa, a onça olha para trás, e verifica se você ainda está ali. Seus músculos estão tensos, sua respiração está presa e seu coração acelerado. É nesse momento que vem a certeza de que algo mágico está acontecendo. É uma energia muito intensa, que ficará impressa na sua memória para sempre.

Segundo a Ong Pró-Carnívoros, a  onça-pintada, também conhecida como jaguar, possui a mordida mais poderosa entre os felinos e uma maneira única de caçar. Enquanto os outros gatos usam uma técnica de caça com mordida no pescoço seguida de sufocamento, a onça-pintada crava os caninos na cabeça da presa e quebra a espinha dorsal ou perfura o crânio da vítima até chegar ao cérebro. A força exercida é tão grande que chega a quebrar cascos de jabutis.

Seu padrão amarelo com rosetas pretas é a perfeita camuflagem para andar na floresta, onde os fachos de luz em meio à sombra das árvores tornam o felino praticamente invisível. Ela se aproxima da presa silenciosamente, utilizando áreas de vegetação densa para se esconder.  Almofadas na sola das patas ajudam a abafar o som e permitem que o predador ande sem fazer barulho. Quando está perto de seu alvo parte para o ataque.

É um animal oportunista e se alimenta de qualquer presa que esteja disponível. No Pantanal prefere  jacarés, queixadas e capivaras, que são maiores e mais abundantes. Na Amazônia come principalmente animais pequenos, como cotias, pacas e tatus. Ela seleciona indivíduos inexperientes, machucados, doentes ou mais velhos o que resulta em benefício para a própria população de presas e mantém o equilíbrio do ecossistema.

Segundo o Projeto Onçafari, estudos mostram que a predação de gado é menor em áreas com grande quantidade de presas naturais e maior onde há caça de animais selvagens. Infelizmente, a destruição do habitat, e a consequente redução no número de presas naturais, faz com que as onças-pintadas comecem a caçar animais domésticos e acabam sendo mortas por fazendeiros que querem proteger seus rebanhos. Após décadas de perseguição, o felino se tornou um dos animais mais difíceis de avistar na natureza e está na categoria vulnerável da Lista de Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção.

Para tentar mudar essa história o Onçafari quer fazer a habituação das onças-pintadas a carros de passeio para que elas se comportem da mesma maneira que os felinos da África se comportam em safáris fotográficos. O objetivo é atrair mais turistas, aumentar o interesse dos fazendeiros no turismo de observação de animais, gerar novas oportunidades de emprego para as pessoas da região, ajudar na conservação da onça-pintada e, consequentemente, de seu habitat.

Para saber mais sobre o Onçafari veja o post: Projeto Onçafari: no rastro da onça-pintada

Onça-pintada (Panthera onca), o maior felino das américas sofre com a perseguição de fazendeiros que querem proteger o gado. O Projeto Onçafari tenta salvar o felino através do ecoturismo – Foto: Fábio Paschoal

Morre onça-pintada símbolo do Refúgio Biológico de Itaipu. Descanse em paz, Juma

Juma bebendo água, em 2007 - Foto: Daniel De Granville

Juma bebendo água, em 2007  – Foto: Daniel De Granville

Juma, a onça-pintada símbolo do Refúgio Biológico Bela Vista (RBV) de Itaipu, morreu no último domingo (17) às 14h30 no zoológico Roberto Ribas Lange, onde estava desde 2002. O felino foi fundamental para o trabalho de educação ambiental, incentivou o turismo local e contribuiu para pesquisas científicas da Panthera onca, que está na categoria vulnerável da Lista de Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção.

“Foi a perda de um ícone, de um animal emblemático para todo o trabalho que fizemos aqui em termos de fauna. Ela é o símbolo dessa nossa luta pela conservação”, comenta Wanderlei de Moraes, veterinário da Divisão de Áreas Protegidas de Itaipu, que acompanhou toda a vida da onça no RBV e foi o responsável pela necropsia.

A morte foi causada por insuficiência renal severa, provocada por infecção nos rins. O problema é comum em felinos idosos como a Juma, que tinha a idade estimada em 24 anos.

Juma chegou no RBV quando tinha 10 anos, desnutrida e debilitada. Ela vivia na região do Parque Nacional do Iguaçu, mas estava sendo avistada fora dos limites da reserva, o que colocava sua vida em risco. Wanderlei acredita que ela estava perdendo uma disputa por território.

Se continuasse na natureza, Juma não teria sobrevivido muito tempo porque estava desnutrida, com dentes quebrados e havia começado a capturar animais em propriedades particulares. Devido a esses problemas, a equipe do RBV decidiu colocá-la em cativeiro.

Juma foi a primeira onça-pintada do RBV e também a primeira a ser exposta para os turistas no local. Ela era o animal mais fotografado e a maior celebridade do zoológico. Toda esta visibilidade foi importante para o trabalho de educação ambiental e a conservação da onça-pintada.

“Ela nos forneceu informação que era difícil se obter de onças como, por exemplo, amostras de sangue, e virou um ícone da relação entre o Parque Nacional do Iguaçu e a Itaipu”, afirmou Marina Xavier da Silva, coordenadora de campo do Projeto Carnívoros do Iguaçu. “Juma sempre foi muito comentada no nosso universo e teve grande contribuição para a consciência das pessoas”, completou.

Descanse em paz, Juma.

Segundo o último censo realizado pelo Projeto Carnívoros do Iguaçu, de 2014, a população de onças-pintadas é de 18 animais, no lado brasileiro do Parque Nacional do Iguaçu. Em todo o corredor verde, que abrange áreas na Argentina e no Brasil, até o Parque Estadual do Turvo, no Rio Grande do Sul, são estimados 80 animais.

Projeto Onçafari: no rastro da onça-pintada

Fantasma é o macho dominante no Refúgio Ecológico Caiman, pousada no Pantanal onde o Projeto Onçafari está realizando o processo de habituação das onças-pintadas (Panthera onca) aos carros de passeio - Foto: Lawrence Weitz

Fantasma é o macho dominante no Refúgio Ecológico Caiman, pousada no Pantanal onde o Projeto Onçafari está realizando o processo de habituação das onças-pintadas (Panthera onca) aos carros de passeio – Foto: Lawrence Weitz

O carro segue em alta velocidade. Nosso guia, Nego, vai no capô, olhando os rastros do animal enquanto indica o caminho que o motorista deve seguir. Os galhos passam rapidamente, próximos à nossas cabeças, e é preciso ser rápido para desviar de todos eles. O objetivo do safári é encontrar o maior felino das Américas. O veículo para em frente a uma lagoa. Nego faz sinal para todos permanecerem em silêncio. “Ela está aqui”. Uma movimentação nos arbustos anuncia a entrada de uma onça-pintada na clareira. Ela para em frente ao nosso carro, olha no olho de cada um e entra na água para matar a sede. Fica conosco por alguns minutos antes de desaparecer entre as árvores novamente.

Essa é uma das experiências mais marcantes da minha carreira de guia no Pantanal. É um desses momentos mágicos, que ficam guardados na memória e voltam à nossa mente de tempos em tempos para nos fazer sorrir. No entanto, fazendeiros abatem os felinos para proteger seus rebanhos e, após décadas de perseguição e caça, a onça se tornou um dos animais mais difíceis de avistar na natureza.

Esperança, uma das onças-pintadas selecionadas pelo Projeto Onçafari para o processo de habituação – Foto: Diogo Lucatelli

Esperança, uma das onças-pintadas selecionadas pelo Projeto Onçafari para o processo de habituação – Foto: Diogo Lucatelli

Para mudar essa história Mario Haberfeld fundou o Projeto Onçafari em 2011.  A ideia é fazer a habituação das onças aos carros de passeio para que elas se comportem da mesma maneira que os felinos da África. O objetivo é atrair mais turistas, aumentar o interesse dos fazendeiros no turismo de observação de animais, gerar novas oportunidades de emprego para as pessoas da região, ajudar na conservação do felino, consequentemente, de seu habitat. “É necessário agregar valor à onça para que ela valha mais viva do que morta.” Afirma.

Uma técnica utilizada com leopardos e leões na África do Sul há 30 anos está sendo adaptada para a onça-pintada no Pantanal. Um animal selecionado é seguido por um rastreador, dia após dia, até que ele pare de considerar o carro como uma ameaça. O ideal é escolher uma fêmea. Quando ela tiver filhotes vai ensinar tudo para os pequenos. Assim, a habituação aos veículos será passada para a próxima geração. O processo não envolve métodos de domesticação (como o oferecimento de comida) e os felinos selecionados permanecem selvagens.

Carro do Projeto Onçafari usado para o processo de habituação das onças-pintadas – Foto: Adam Bannister

Haberfeld trouxe rastreadores da Tracker Academy da África do Sul com a missão de treinar a equipe do projeto na arte de rastrear animais selvagens para facilitar o encontro com o felino. Para Diogo Lucatelli, biólogo e rastreador do Projeto Onçafari, “Conhecer e perceber o ambiente – e o comportamento e as características dos vestígios do animal que será seu alvo – é fundamental”. As onças se movimentam em campos de gramíneas e matas densas com solo coberto por folhas secas, terrenos que dificultam a formação de pegadas. O rastreador pode perder o rastro. Para reencontrá-lo é preciso analisar o local, interpretar os sinais e se colocar na posição do animal que se está rastreando.

Disney Sousa (mais conhecido como Nego), rastreador do Projeto Onçafari (centro) em treinamento com os rastreadores da Tracker Academy da África do Sul – Foto: Projeto Onçafari

Diogo Lucatelli (direita) ensinando a rastrear onças - Foto: Disney Souza

Diogo Lucatelli (direita) ensinando a rastrear onças – Foto: Disney Souza

Todo o processo está sendo realizado no Refúgio Ecológico Caiman (REC), do empresário Roberto Klabin (fundador e presidente da SOS Mata Atlântica e da SOS Pantanal). Câmeras foram instaladas nas árvores para identificar as onças que habitam a fazenda e algumas fêmeas foram capturadas para a instalação de um colar com GPS, para a determinação do território de cada indivíduo. Os animais selecionados para a habituação têm o território dentro do REC. Essa é uma condição essencial, já que a caça – apesar de ilegal – ainda acontece no Pantanal. Fazer a habituação de um felino que pode entrar em outras fazendas seria um risco para o animal. Ele poderia se aproximar dos caçadores e seria um alvo fácil. Tudo está sendo acompanhado pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) e pelo Cenap (Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos e Carnívoros).

Mario Haberfeld colocando o colar com GPS em uma das onças do Projeto Onçafari- Foto: Divulgação

Segundo Lucatelli o número de encontros com a onça-pintada aumentou após o começo do projeto. Isso pode alavancar o ecoturismo no Pantanal, gerar novos empregos para os moradores locais,  criar mais áreas de proteção para os animais e tornar a observação de fauna em uma atividade rentável que pode ser conciliada com a pecuária extensiva. “Quando se tem uma equipe em campo, que estuda continuamente a vida das onças, particularmente dos indivíduos que residem aqui [no REC], e constrói um relacionamento com elas – dando-lhes nomes e especializando-se cada vez mais em encontrá-las – as possibilidades são enormes”.

O objetivo do Projeto Onçafari é fazer com que as onças-pintadas fiquem tranquilas ao encontrar com um carro cheio de turistas - Foto: Projeto Onçafari

O objetivo do Projeto Onçafari é fazer com que as onças-pintadas fiquem tranquilas ao encontrar com um carro cheio de turistas – Foto: Projeto Onçafari

O documentário Onça-pintada: mais perto do que se pode imaginar (veja o trailer abaixo) registrou todo o processo de habituação e foi lançado em 2014. A ideia é replicar o processo em outras partes do país. “Quanto mais pessoas usarem a ideia mais áreas estarão sendo preservadas” diz Haberfeld.

O Onçafari é um projeto sem fins lucrativos. Para fazer uma doação e ajudar a preservar o Pantanal e a onça-pintada acesse http://projetooncafari.com.br/pt-BR/envolva-se/ajude

Blog: https://projetooncafari.wordpress.com/

Canal no Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=s9KZlj_JjMc

Facebook: https://www.facebook.com/Projetooncafari

Sites: http://projetooncafari.com.br/pt-BR/ ou http://www.wconservation.com/

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Onça-pintada: Projeto Onçafari luta para salvar o felino com o ecoturismo

Onça-pintada (Panthera onca), o maior felino das américas sofre com a perseguição de fazendeiros que querem proteger o gado. O Projeto Onçafari tenta salvar o felino através do ecoturismo – Foto: Fábio Paschoal

Ver uma onça-pintada na natureza é algo difícil de explicar. Ela encara, olho no olho, até ter a certeza de que você a viu. Seu tamanho é impressionante, ela domina o local e parece que tudo gira em torno dela. É como se a floresta parasse, naquele momento, só para vê-la passar. Antes de sair, uma pausa, a onça olha para trás, e verifica se você ainda está ali. Seus músculos estão tensos, sua respiração está presa e seu coração acelerado. É nesse momento que vem a certeza de que algo mágico está acontecendo. É uma energia muito intensa, que ficará impressa na sua memória para sempre.

No entanto, anos de perseguição por fazendeiros – que matam as onças para proteger seus rebanhos – deixaram a espécie com medo do homem. Hoje é um dos animais mais difíceis de ser avistado em um safári. Para tentar mudar essa história nasceu o Projeto Onçafari, que propõe a conservação de animais selvagens através do ecoturismo.

Segundo Mario Haberfeld, idealizador do Onçafari, o objetivo é habituar a onça-pintada aos carros de passeios para que a observação da espécie na natureza seja facilitada. Isso atrairia mais pessoas, aumentaria o interesse dos fazendeiros no turismo de observação de animais, geraria novas oportunidades de emprego para as pessoas da região e ajudaria na conservação do felino e, consequentemente, de seu habitat. “É necessário agregar valor à onça para que ela valha mais viva do que morta.” Afirma

Mario Haberfeld colocando o colar com GPS em uma das onças do Projeto Onçafari – Foto: Divulgação

O projeto está adaptando uma técnica utilizada com leopardos na África do Sul há 30 anos. Ela consiste em selecionar um animal e segui-lo até que ele pare de considerar o carro como uma ameaça. O ideal é escolher uma fêmea. Quando ela tiver filhotes irá ensinar tudo para eles. Com isso, a habituação aos veículos será passada para a próxima geração. O processo não envolve métodos de domesticação (como o oferecimento de comida) e os animais selecionados permanecem selvagens.

O Refúgio Ecológico Caiman (REC), no Pantanal, do empresário Roberto Klabin – fundador e presidente da SOS Mata Atlântica e da SOS Pantanal – foi o lugar escolhido para o início dos estudos. Câmeras foram instaladas nas árvores para identificar as onças que habitavam a fazenda. Algumas fêmeas foram capturadas para a instalação de um colar com GPS, para a determinação do território de cada indivíduo. Uma onça, batizada de Chuva, foi escolhida para iniciar a habituação, pois seu território ficava dentro da fazenda. Isso era uma condição essencial, já que a caça – apesar de ilegal – ainda acontece no Pantanal. Fazer a habituação de um felino que pode entrar em outras fazendas seria um risco para o animal. Ele poderia se aproximar dos caçadores e seria um alvo fácil. Tudo isso está sendo acompanhado pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) e pelo Cenap (Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos e Carnívoros)

O documentário “Mais perto do que se pode imaginar” irá registrar todo o processo de habituação e deve ser lançado no final do ano que vem no Brasil e no exterior. A ideia é replicar o processo em outras partes do país. “Quanto mais pessoas usarem a ideia mais áreas estarão sendo preservadas” diz Haberfeld.

Veja abaixo os trailers do documentário:

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