João-de-barro prende a parceira se descobre que foi traído. Verdade ou mito?

João e Maria em seu ninho de barro – Foto: Fábio Paschoal

Capítulo 8 da série Pantanal: Terra das Águas

O que você faria se descobrisse uma traição? O joão-de-barro fecharia a parceira dentro do ninho, aprisionando-a ali para sempre. Essa história, que ouvi durante uma roda de tereré no Pantanal, me deixou intrigado e resolvi investigar a origem da crença.

[Veja a introdução e o sumário da série Pantanal: Terra das Águas]

[Veja o capítulo 7 da série Pantanal: Terra das Águas]

O joão-de-barro constrói seu ninho junto com a fêmea. Eles são excelentes arquitetos e utilizam lama para fazer uma estrutura complexa, semelhante a um forno de pizza. Para entrar na casa é preciso passar por um corredor em forma de “L”, que leva a uma câmara onde a fêmea irá colocar seus ovos. Lá eles estarão protegidos do bico do tucano, que não consegue fazer a curva.

Depois de muito tempo olhando para esses ninhos encontrei um exemplar fechado, o que dava sustentação à crença. Sentei na pedra mais próxima e comecei a observar. Reparei que havia insetos entrando e saindo por um pequeno orifício. Seriam moscas colocando seus ovos na carcaça da “maria-de-barro”? Resolvi chegar mais perto para averiguar.

Quando consegui identificar os animais tudo fez sentido. Eram abelhas.

Algumas espécies de abelhas utilizam ocos de árvore para construir a colmeia. Se a entrada for muito grande, as operárias irão diminuir a abertura com cera. Um ninho de joão-de-barro abandonado é uma ótima cavidade para os insetos, e eles irão aproveitá-la se não acharem um lugar melhor para se estabelecer.

Para mim, essa era uma explicação muito mais convincente do que a história da traição. Porém, já vi tanta coisa surpreendente na natureza que fico inseguro em afirmar que a crença não é verdadeira. Prefiro colocar de outra forma: até hoje não há registros confiáveis que sustentem essa teoria de crime passional do joão-de-barro.

(Veja o capítulo 9 da série Pantanal: Terra das Águas)

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Anta: o maior mamífero terrestre da América do Sul

Anta-sul-americana (Tapirus terrestris) - Foto: Fábio Paschoal

Anta-sul-americana (Tapirus terrestris) – Foto: Fábio Paschoal

Capítulo 6 da série Pantanal: Terra das águas

Existem 5 espécies de antas conhecidas pela ciência: a anta-da-montanha (Andes), a anta-centro-americana (América Central) e a anta-malaia (Indonésia) – que estão ameaçadas de extinção segundo a IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês). Em território brasileiro encontramos a anta-sul-americana, que é considera vulnerável, e a anta-pretinha, descoberta recentemente.

[Veja a introdução e o sumário da série Pantanal: Terra das Águas]

[Veja o capítulo 5 da série Pantanal: Terra das Águas]

“A anta [Tapirus terrestris] é o maior mamífero terrestre da América do Sul. Além disso, é a jardineira de nossas florestas por ser uma excelente dispersora de sementes, contribuindo desta forma para a formação e manutenção da biodiversidade dos biomas brasileiros onde vive (Amazônia, Pantanal , Cerrado e Mata Atlântica). E tem mais: estudos recentes mostraram que a espécie tem uma quantidade imensa de neurônios, confirmando que ela é um animal extremamente inteligente. Portanto, a cultura brasileira de usar anta como xingamento, com conotação pejorativa, é completamente injusta e absolutamente infundada. Ser chamado de anta é um elogio!”. As palavras são de Patrícia Médici, Ph.D. em manejo de biodiversidade e coordenadora da Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira. O objetivo do projeto é estabelecer um programa de pesquisa e conservação da anta-sul-americana na região do Pantanal e depois expandir as ações para a Amazônia e o Cerrado.

Anta-centro-americana (Tapirus bairdii) – Foto: Santhosh Kumar/iStock/Thinkstock

Anta-centro-americana (Tapirus bairdii) – Foto: Santhosh Kumar/iStock/Thinkstock

Em agosto de 2013, a pesquisadora, em parceria com a jornalista ambiental Liana John, lançou a campanha Minha Amiga é uma Anta, desenvolvida para o público infanto-juvenil (veja o vídeo da campanha no final do post). A intenção era chamar a atenção sobre a importância da conservação da anta brasileira, despertar o orgulho pela ocorrência da espécie no Brasil e desmistificar o conceito de que “anta” é um ser desprovido de inteligência .

É possível baixar a cartilha educativa da anta brasileira, escrita por Liana John e Patrícia Medici e ilustrada pelo cartunista Luccas Longo, com informações sobre a espécie, materiais para estudo e trabalhos de escola, fotografias e ilustrações.

Tapirus kabomani é a primeira espécie de anta descoberta após Tapirus bairdii, descrita em 1865 - Foto: Divulgação

A anta-pretinha (Tapirus kabomani) é a primeira espécie de anta descoberta após Tapirus bairdii, descrita em 1865 – Foto: Divulgação

O trabalho de Patrícia é reconhecido internacionalmente. Ela foi escolhida em 2014 para o TED Fellows Program, que seleciona jovens inovadores, engajados e inspiradores e os treina para que façam palestras no TED Talks (Veja a palestra de Patrícia no final do post). O programa é uma iniciativa do movimento global TED (Technology, Entertainment and Design) – organização sem fins lucrativos dedicada ao conceito baseado em Ideas Worth Spreading (ideias que merecem ser espalhadas, na tradução literal do inglês).

Anta-da-montanha (Tapirus pinchaque) – Foto: Diego Lizcano/Creative Commons

Anta-da-montanha (Tapirus pinchaque) – Foto: Diego Lizcano/Creative Commons

Para chamar a atenção para a importância desses animais foi criado o Dia Mundial da Anta (27 de abril). Apesar de dar margem para inúmeros trocadilhos, a data tem um propósito sério: a conservação das cinco espécies de antas encontradas no planeta.

O desmatamento, a fragmentação do habitat, a competição com animais domésticos, a caça ilegal e os atropelamentos em rodovias fazem com que a população das antas continue diminuindo. Nada mais justo do que um dia para lembrar a importância de cuidar bem desses simpáticos animais (Veja o capítulo 7 da série Pantanal: Terra das Águas).

Anta-malaia (Tapirus indicus) – Foto: wathanyu/iStock/Thinkstock

Anta-malaia (Tapirus indicus) – Foto: wathanyu/iStock/Thinkstock

Veja abaixo o vídeo da campanha Minha Amiga é uma Anta

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Exposição Floresta Viva revela a biodiversidade da Mata Atlântica

Onça-parda olha para uma das câmeras de um Estúdio da Mata.A imagem abre a exposição Floresta Viva – Um Legado para a Humanidade – Foto: Luciano Candisani

Onça-parda olha para uma das câmeras de um Estúdio da Mata.A imagem abre a exposição Floresta Viva – Um Legado para a Humanidade – Foto: Luciano Candisani

A exposição Floresta Viva – Um Legado Para a Humanidade fica em cartaz na estação Santa Cecília do Metrô, em São Paulo, até 31 de agosto. A mostra gratuita reúne fotos que retratam a biodiversidade do Legado das Águas – Reserva Votorantim, uma área de 31 mil hectares de Mata Atlântica que protege as nascentes da bacia do rio Juquiá e fica a 120 quilômetros da capital paulista.

As imagens foram registradas por Luciano Candisani. O fotógrafo de National Geographic foi nomeado membro da Liga Internacional de Fotógrafos pela Conservação (iLCP, na sigla em inglês) devido à relevância de seu trabalho para a conservação da natureza. “A minha motivação criativa é buscar imagens capazes de mostrar a ligação entre as espécies e o ambiente.”

[Veja o post: Diário de bordo: Workshop Fotografia na Floresta, no Legado das Águas – Reserva Votorantim]

Desde 2012, Candisani realizou cerca de 40 expedições fotográficas ao Legado das Águas e registrou cerca de 60 espécies diferentes na reserva. A maior parte das fotografias foi feita da maneira convencional, quando o fotógrafo entra em silêncio na mata para registrar o comportamento dos animais.

Porém, as imagens mais marcantes da exposição foram clicadas pelos Estúdios da Mata: armadilhas fotográficas montadas por Candisani em pontos estratégicos da reserva, com equipamentos de última geração, que disparam o obturador da câmera quando o animal passa por um sensor de luz infravermelho. Flashes colocados em pontos estratégicos iluminam o ambiente e ajudam a compor o cenário.

Anta albina, registrada por um dos Estúdios da Mata - Foto: Luciano Candisani

Anta albina, registrada por um dos Estúdios da Mata – Foto: Luciano Candisani

As imagens registradas pelos Estúdios da Mata deixam uma mensagem clara: os animais não existem sem a floresta e a floresta não existe sem os animais. É impossível imaginar o Pantanal sem a onça-pintada, a Amazônia sem a harpia, a Caatinga sem a arara-azul-de-lear, o Cerrado sem o lobo-guará, os Pampas sem o gato-palheiro, a Mata-Atlântica sem o mico-leão-dourado.

Hoje, graças a Candisani, é impossível imaginar o Legado das Águas sem a anta albina. Um dos Estúdios da Mata fez o primeiro registro fotográfico do animal na natureza em terras brasileiras. A foto teve repercussão internacional, abriu uma linha promissora para pesquisas científicas e mostrou a importância de um dos últimos refúgios de Mata Atlântica para o mundo. Mas, o maior legado dessa imagem é a mudança que ela provocou nos moradores da região. “As pessoas começaram a sentir orgulho da anta branca e passaram a valorizar mais a reserva,” conta o fotógrafo.

Candisani buscava essa imagem desde sua primeira visita ao Legado das Águas, quando uma onça-parda cruzou a estrada diante de seus olhos e desapareceu. Mas em maio de 2015 o felino passou por um dos Estúdios da Mata e fez um autorretrato – Foto: Arquivo pessoal

Segundo Garth Lenz, membro da iLCP (veja o depoimento no vídeo abaixo), para a fotografia ajudar na conservação é necessário produzir imagens que provoquem mudanças e ter a certeza de que essas imagens cheguem aos olhos das pessoas que precisam vê-las. Certamente, Candisani está percorrendo esse caminho.

Muriqui, o maior primata das Américas, pode ganhar Unidades de Conservação no Paraná

O muriqui-do-sul (Brachyteles arachnoides) está na categoria em perigo da Lista de Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção – Foto: Robson Hack

O muriqui-do-sul (Brachyteles arachnoides) só é encontrado na Mata Atlântica e está na categoria em perigo da Lista de Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção – Foto: Robson Hack

Técnicos da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza e do Instituto Lactec se reuniram no dia 11 de março com a Secretaria Estadual do Meio Ambiente e o Instituto Ambiental do Paraná  para apresentar resultados de um projeto de conservação do muriqui-do-sul (Brachyteles arachnoides). O objetivo é criar Unidades de Conservação (UCs) para proteger a espécie, que está na categoria em perigo da Lista de Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção, na região do Vale do Ribeira, no Paraná.

O projeto pretende ampliar o conhecimento sobre o muriqui-do-sul, e colocar em prática ações previstas no Plano de Ação Nacional (PAN) para conservação da espécie. Uma das prioridades é a criação de áreas protegidas no Paraná.

Ricardo Soavinski, secretário estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Sema), afirmou que é possível viabilizar a criação de uma ou mais UCs na região do estudo do projeto. A área tem cerca de 5.000 hectares e abriga uma população de 32 muriquis-do-sul.

Para Soavinski, existem alternativas que permitem a proteção da espécie sem impedir o uso econômico da área. As Reservas Particulares do Patrimônio Natural e Refúgios de Vida Silvestre são alguns exemplos. “Ainda precisa de avaliação mais aprofundada, mas essas são categorias que preservam as áreas de matas nativas já usadas por esses animais sem a dependência de desapropriações de todas as áreas, evitando impactos econômicos negativos”, disse. Essas UCs também permitem turismo, pesquisa e atividades de educação ambiental.

Um grupo de trabalho – com a participação de técnicos do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Instituto Lactec, Secretaria de Meio Ambiente do Estado e da Fundação Grupo Boticário – foi criado para elaborar um plano estratégico que alie a conservação da espécie e, ao mesmo tempo, evite prejuízos à comunidade local.

“A possibilidade da efetivação concreta de ações para proteção do muriqui fortalece nosso trabalho de articulação que busca promover um diálogo entre governo e pesquisadores, buscando impactos positivos para a conservação de nossos ecossistemas naturais”, destaca o coordenador de Ciência e Informação da Fundação Grupo Boticário, Emerson Oliveira.

Os índios chamam os muriquis de “povo manso da floresta” devido aos hábitos pacatos do primata – Foto: Robson Hack

Os índios chamam os muriquis de “povo manso da floresta” devido aos hábitos pacatos do primata – Foto: Robson Hack

Muriqui

Encontrado somente na Mata Atlântica, o muriqui, também conhecido como mono-carvoeiro é o maior primata das Américas. Eles não  são agressivos e demonstrações de afeto são comuns entre indivíduos de qualquer sexo ou idade. Uma das características marcantes desses macacos são os demorados abraços grupais. Os adultos sempre cuidam dos mais jovens e fazem pontes com o próprio corpo para facilitar a passagem de filhotes de uma árvore para outra. Por conta de toda essa passividade, os muriquis são chamados pelos índios de “povo manso da floresta“.

Gente que bamboleia, que vai e vem. Esse é o significado do nome muriqui em tupi-guarani. O primata possui braços longos e uma cauda preênsil – capaz de segurar galhos como se fosse um quinto membro – que conferem muita agilidade ao macaco enquanto se movimenta em sua jornada em busca de alimento (frutos, flores e folhas). Ele atua como dispersor de sementes de diferentes espécies de plantas e é essencial para manter a diversidade da floresta.

Segundo Robson Hack, responsável pelo estudo com a população do primata registrada em Castro, Paraná, o muriqui contribui para que serviços ambientais prestados pela floresta – como produção de água, alimento e fertilização do solo – sejam mantidos com qualidade. Além disso, o pesquisador destaca que atrair a atenção e investimentos para a região é um bom negócio. “Os proprietários do Vale do Ribeira podem se beneficiar com o Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) e com iniciativas de turismo e pesquisa que beneficiem toda a comunidade”, destaca.

Região do vale do Ribeira onde acontece o projeto de conservação, intitulado "O muriqui-do-sul (Brachyteles arachnoides) como espécie-chave para a conservação da biodiversidade do vale do rio Ribeira do Iguape, no estado do Paraná", da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza e do Instituto Lactec - Foto: Robson Hack

Região do Vale do Ribeira onde acontece o projeto de conservação, intitulado “O muriqui-do-sul (Brachyteles arachnoides) como espécie-chave para a conservação da biodiversidade do vale do rio Ribeira do Iguape, no estado do Paraná”, da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza e do Instituto Lactec – Foto: Robson Hack

O PSA premia financeiramente proprietários particulares por conservarem suas áreas naturais e protegerem mananciais, nascentes e a biodiversidade. Oliveira lembra ainda que ao criar uma Unidade de Conservação, a região irá se beneficiar de incentivos oriundos do ICMS Ecológico, mecanismo que possibilita aos municípios que possuem UCs acesso a parcelas maiores que àquelas que já têm direito. É um critério diferenciado para valorizar as áreas naturais brasileiras (o Paraná foi o primeiro estado a instituir o ICMS Ecológico, em 1989).

Segundo a IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês), a população de mono-carvoeiros sofreu uma queda de 80% nos últimos 60 anos. Eles foram dizimados pela caça e pela destruição da floresta.  Estima-se que a população atual seja de menos de 3 mil animais, divididos em duas espécies diferentes: o muriqui-do-norte (Brachyteles hypoxanthus) que ocorre nos estados de Minas Gerais, Espírito Santo e sul da Bahia; e o muriqui-do-sul (Brachyteles arachnoides) que é encontrado nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e parte do Paraná.

O muriqui-do-norte (Brachyteles hypoxanthus) , possui manchas esbranquiçadas na face negra. A espécie é considerada criticamente ameaçada de extinção segundo a lista vermelha da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês) – Foto: Bart vanDorp/Creative Commons

O muriqui-do-norte (Brachyteles hypoxanthus) , possui manchas esbranquiçadas na face negra. A espécie é considerada criticamente ameaçada de extinção segundo a lista vermelha da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês) – Foto: Bart vanDorp/Creative Commons

Novas espécies de sapos são descobertas em montanhas na Mata Atlântica de SC

Melanophryniscus biancae, Nova espécie de sapo batizada em homenagem a Bianca L. Reinert , que contribuiu com a conservação da natureza no Brasil. A espécie foi classificada na categoria "Em perigo de extinção" da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês) - Foto: Luiz Fernando Ribeiro/Fundação Grupo Boticário

Melanophryniscus biancae, nova espécie de sapo batizada em homenagem a Bianca L. Reinert, que contribuiu com a conservação da natureza no Brasil. A espécie foi classificada na categoria “Em Perigo de Extinção” da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês) – Foto: Luiz Fernando Ribeiro/Fundação Grupo Boticário

Três novas espécies de sapos do gênero Melanophryniscus foram descobertas na Mata Atlântica, na região da Serra do Mar entre as cidades de Garuva e Blumenau, Santa Catarina. Eles vivem em grandes altitudes, na base das folhas de bromélias terrestres, e são altamente sensíveis às mudanças climáticas.

A descrição das novas espécies foi feita em artigo publicado no periódico científico PLOS ONE. Elas são encontradas exclusivamente em campos no alto da serra do Quiriri e em florestas no alto da serra Queimada e nos morros do Baú e do Cachorro.

“As novas descobertas mostram quão rica é a biodiversidade da Mata Atlântica, ainda que restem apenas 8% desse ambiente natural tão vasto e desconhecido para muitos brasileiros apesar de concentrar cerca de 70% da população do país”, afirmou Malu Nunes, diretora-executiva da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, instituição que apoiou a pesquisa desse projeto. Entre 2013 e 2015, esse mesmo projeto propiciou a descoberta de oito novas espécies de sapinhos de outro gênero, Brachycephalus.

Com tamanhos que variam de 1 a 2,5 centímetros, as novas espécies possuem a pele escura, com verrugas e espinhos, e se alimentam basicamente de formigas e ácaros. Esses alimentos liberam substâncias químicas que se acumulam na pele dos sapos e os tornam venenosos, principalmente para seus predadores (como as cobras, por exemplo).

Melanophryniscus xanthostomus, nova espécie batizada em alusão a uma característica muito peculiar: a cor amarela (xanthos) que orna a boca do sapinho - Foto: Luiz Fernando Ribeiro/Fundação Grupo Boticário

Melanophryniscus xanthostomus, nova espécie batizada em alusão a uma característica muito peculiar: a cor amarela (xanthos) que orna a boca do sapinho – Foto: Luiz Fernando Ribeiro/Fundação Grupo Boticário

“O mais notável das espécies descobertas é que elas vivem em água acumulada pela chuva na base das folhas de bromélias terrestres, enquanto que as demais espécies se reproduzem em córregos e em poças”, disse o pesquisador da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Marcos R. Bornschein, biólogo e estudioso de aves e anfíbios desde o final da década de 1980.

Mesmo vivendo no alto das montanhas, os sapinhos são vulneráveis a impactos provocados pela ação humana. Desmatamento, queimadas, silvicultura e mineração são os principais problemas. “A nossa preocupação é com a ameaça de extinção dessas espécies”, alerta Bornschein.

As pesquisas e levantamentos efetuados pelos cientistas indicam que a espécie Melanophryniscus biancae corre perigo de extinção. As outras duas espécies ainda não podem ser classificadas de acordo com os critérios da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês) porque mais dados precisam ser coletados.

Melanophryniscus milanoi, nova espécie de sapo batizada em homenagem a Miguel S. Milano, que contribuiu com a conservação da natureza no Brasil - Foto: Luiz Fernando Ribeiro/Fundação Grupo Boticário

Melanophryniscus milanoi, nova espécie de sapo batizada em homenagem a Miguel S. Milano, que contribuiu com a conservação da natureza no Brasil – Foto: Luiz Fernando Ribeiro/Fundação Grupo Boticário

Participaram também da pesquisa os biólogos Márcio Pie, também da UFPR, e Luiz Fernando Ribeiro, da PUCPR. Todos são pesquisadores associados do Mater Natura – Instituto de Estudos Ambientais, que é a organização proponente e a executora do projeto junto à Fundação Grupo Boticário.

Além das instituições mencionadas anteriormente, a STCP Engenharia de Projetos e a Prefeitura de Joinville também contribuíram para a realização da pesquisa.

Morre onça-pintada símbolo do Refúgio Biológico de Itaipu. Descanse em paz, Juma

Juma bebendo água, em 2007 - Foto: Daniel De Granville

Juma bebendo água, em 2007  – Foto: Daniel De Granville

Juma, a onça-pintada símbolo do Refúgio Biológico Bela Vista (RBV) de Itaipu, morreu no último domingo (17) às 14h30 no zoológico Roberto Ribas Lange, onde estava desde 2002. O felino foi fundamental para o trabalho de educação ambiental, incentivou o turismo local e contribuiu para pesquisas científicas da Panthera onca, que está na categoria vulnerável da Lista de Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção.

“Foi a perda de um ícone, de um animal emblemático para todo o trabalho que fizemos aqui em termos de fauna. Ela é o símbolo dessa nossa luta pela conservação”, comenta Wanderlei de Moraes, veterinário da Divisão de Áreas Protegidas de Itaipu, que acompanhou toda a vida da onça no RBV e foi o responsável pela necropsia.

A morte foi causada por insuficiência renal severa, provocada por infecção nos rins. O problema é comum em felinos idosos como a Juma, que tinha a idade estimada em 24 anos.

Juma chegou no RBV quando tinha 10 anos, desnutrida e debilitada. Ela vivia na região do Parque Nacional do Iguaçu, mas estava sendo avistada fora dos limites da reserva, o que colocava sua vida em risco. Wanderlei acredita que ela estava perdendo uma disputa por território.

Se continuasse na natureza, Juma não teria sobrevivido muito tempo porque estava desnutrida, com dentes quebrados e havia começado a capturar animais em propriedades particulares. Devido a esses problemas, a equipe do RBV decidiu colocá-la em cativeiro.

Juma foi a primeira onça-pintada do RBV e também a primeira a ser exposta para os turistas no local. Ela era o animal mais fotografado e a maior celebridade do zoológico. Toda esta visibilidade foi importante para o trabalho de educação ambiental e a conservação da onça-pintada.

“Ela nos forneceu informação que era difícil se obter de onças como, por exemplo, amostras de sangue, e virou um ícone da relação entre o Parque Nacional do Iguaçu e a Itaipu”, afirmou Marina Xavier da Silva, coordenadora de campo do Projeto Carnívoros do Iguaçu. “Juma sempre foi muito comentada no nosso universo e teve grande contribuição para a consciência das pessoas”, completou.

Descanse em paz, Juma.

Segundo o último censo realizado pelo Projeto Carnívoros do Iguaçu, de 2014, a população de onças-pintadas é de 18 animais, no lado brasileiro do Parque Nacional do Iguaçu. Em todo o corredor verde, que abrange áreas na Argentina e no Brasil, até o Parque Estadual do Turvo, no Rio Grande do Sul, são estimados 80 animais.

Floresta Viva: o poder da fotografia voltado para a conservação da natureza

Foto de abertura da exposição Floresta viva - Um Legado para a Humanidade - Foto: Luciano Candisani

Onça-parda olha para uma das câmeras de um Estúdio da Mata.A imagem abre a exposição Floresta Viva – Um Legado para a Humanidade – Foto: Luciano Candisani

A exposição itinerante Floresta Viva – Um Legado Para a Humanidade  reúne fotos que retratam a biodiversidade do Legado das Águas – Reserva Votorantim, uma área de 31 mil hectares de Mata Atlântica que protege as nascentes da bacia do rio Juquiá e fica a 120 quilômetros da capital paulista.

As imagens foram registradas por Luciano Candisani. O fotógrafo de National Geographic foi nomeado membro da Liga Internacional de Fotógrafos pela Conservação (iLCP, na sigla em inglês) devido à relevância de seu trabalho para a conservação da natureza. “A minha motivação criativa é buscar imagens capazes de mostrar a ligação entre as espécies e o ambiente.”

O fotógrafo fará uma palestra durante o evento junto com a bióloga Frinéia Rezende. Eles irão mostrar a biodiversidade e as pesquisas em andamento no Legado das Águas – Reserva Votorantim. Candisani também vai falar sobre seu projeto fotográfico de longo prazo que desenvolve no local.

Desde 2012, Candisani realizou cerca de 40 expedições fotográficas ao Legado das Águas e registrou cerca de 60 espécies diferentes na reserva. A maior parte das fotografias foi feita da maneira convencional, quando o fotógrafo entra em silêncio na mata para registrar o comportamento dos animais.

Porém, as imagens mais marcantes da exposição foram clicadas pelos Estúdios da Mata: armadilhas fotográficas montadas por Candisani em pontos estratégicos da reserva, com equipamentos de última geração, que disparam o obturador da câmera quando o animal passa por um sensor de luz infravermelho. Flashes colocados em pontos estratégicos iluminam o ambiente e ajudam a compor o cenário.

Anta albina, registrada por um dos Estúdios da Mata - Foto: Luciano Candisani

Anta albina, registrada por um dos Estúdios da Mata – Foto: Luciano Candisani

As imagens registradas pelos Estúdios da Mata deixam uma mensagem clara: os animais não existem sem a floresta e a floresta não existem sem os animais. É impossível imaginar o Pantanal sem a onça-pintada, a Amazônia sem a harpia, a Caatinga sem a arara-azul-de-lear, o Cerrado sem o lobo-guará, os Pampas sem o gato-palheiro, a Mata-Atlântica sem o mico-leão-dourado.

Hoje, graças a Candisani, é impossível imaginar o Legado das Águas sem a anta albina. Um dos Estúdios da Mata fez o primeiro registro fotográfico do animal na natureza em terras brasileiras. A foto teve repercussão internacional, abriu uma linha promissora para pesquisas científicas e mostrou a importância de um dos últimos refúgios de Mata Atlântica para o mundo. Mas, o maior legado dessa imagem é a mudança que ela provocou nos moradores da região. “As pessoas começaram a sentir orgulho da anta branca e passaram a valorizar mais a reserva,” conta o fotógrafo.

Candisani buscava essa imagem desde sua primeira visita ao Legado das Águas, quando uma onça-parda cruzou a estrada diante de seus olhos e desapareceu. Mas em maio de 2015 o felino passou por um dos Estúdios da Mata e fez um autorretrato – Foto: Arquivo pessoal

Segundo Garth Lenz, membro da iLCP (veja o depoimento no vídeo abaixo), para a fotografia ajudar na conservação é necessário produzir imagens que provoquem mudanças e ter a certeza de que essas imagens cheguem aos olhos das pessoas que precisam vê-las. Certamente, Candisani está percorrendo esse caminho.

Livro Vermelho das Crianças estimula a conservação de animais ameaçados no Brasil

Lobo-guará, ilustração do Livro Vermelho das Crianças - Reprodução

Lobo-guará, ilustração do Livro Vermelho das Crianças – Reprodução

Você sabe o que é o Livro Vermelho? O que é uma espécie ameaçada? Quais são os principais perigos enfrentados pelos animais silvestres no Brasil e o que podemos fazer para salvá-los da extinção? Para responder a essas perguntas de forma simples e interessante, o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict) lançou, em cooperação com a Unesco, o Livro Vermelho das Crianças.

O objetivo é popularizar a ciência como ferramenta para a conservação da natureza, promover as espécies da fauna brasileira, familiarizar as crianças com temas como a proteção dos animais ameaçados de extinção no Brasil e inspirar atitudes em favor do meio ambiente.

Capa do Livro Vermelho das Crianças - Reprodução - Reprodução

Capa do Livro Vermelho das Crianças – Reprodução – Reprodução

Ilustrado com desenhos feitos por 76 crianças de diversas regiões do Brasil, o Livro Vermelho das Crianças, de autoria de Otávio Maia e Tino Freitas, apresenta os animais brasileiros como protagonistas de histórias capazes de despertar a afetividade no leitor. São 50 contos divididos em sete temas:

  • Bichos da Amazônia
  • Bichos do Pantanal
  • Bichos do Cerrado
  • Bichos da Mata Atlântica
  • Bichos da Caatinga
  • Bichos do Pampa
  • Bichos do mar e ilhas oceânicas
Montagem com ilustrações do Livro Vermelho das Crianças - Reprodução

Montagem com ilustrações do Livro Vermelho das Crianças – Reprodução

O leitor vai se divertir com as tentativas de cortejo do pato-mergulhão, a caçada frustrada dos cachorros-vinagre, a conversa de Neymar e Messi no ninho da ararajuba e as reflexões filosóficas do peixe-boi-da-amazônia. Irá se comover com as indagações do soldadinho-do-araripe, com o tamanduá-bandeira que sofria bullying por ser banguela e a crise de identidade do tatu-bola. Entenderá a razão para o tatu-canastra ser considerado um engenheiro da mata e os araçaris e os sauins-de-coleira grandes dispersores de sementes. E sentirá a esperança renovada com a possibilidade da ararinha-azul, espécie extinta na natureza, voltar a colorir o céu da Caatinga.

O Livro Vermelho das Crianças não será comercializado, mas a versão eletrônica gratuita está disponível no site: livroaberto.ibict.br/handle/1/1056.

lustração do Livro Vermelho das Crianças - Reprodução

lustração do Livro Vermelho das Crianças – Reprodução

Map of Life: o aplicativo que mostra a biodiversidade que está próxima de você

Map of life: o aplicativo que coloca a biodiversidade do mundo na palma da sua mão - Foto: Divulgação

Map of Life: o aplicativo que coloca a biodiversidade do mundo na palma da sua mão – Foto: Divulgação

Não importa onde você esteja, o Map of Life (MOL), Mapa da Vida em tradução literal, pode dizer quais espécies de animais e plantas vivem próximas a você com base na localização do seu celular. Em vez de procurar por centenas de páginas em um guia impresso, naturalistas podem ter um guia de campo digital feito sob medida para a sua localização através de um aplicativo.

O MOL, projeto da Universidade de Yale em parceria com a Nasa, eBird, Google, entre outros, acabou de lançar um aplicativo que integra fontes diferentes de dados de distribuição das espécies pelo mundo. Mapas de área de distribuição, pontos de ocorrência e áreas de proteção são fornecidos pela IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês), WWF (Fundo Mundial para a Natureza, na sigla em inglês), GBIF (Sistema Global de Informação sobre a Biodiversidade, na sigla em inglês) entre outras instituições.

Ao acessar o aplicativo, você fornece sua localização e uma lista de espécies com área de ocorrência próxima ao lugar onde você se encontra aparece na tela do celular. Todos os dados são gerenciados, checados, armazenados e podem ser acessados via cloud hosting (sistema baseado na tecnologia de computação em nuvem que permite que um número ilimitado de máquinas funcionem como um sistema).

Com o aplicativo Map of Life, o usuário pode ajudar pesquisas científicas e projetos de conservação enviando o local onde avistou uma espécie. Este tucano-toco foi observado no Paltanal de Miranda - Foto: Fábio Paschoal

Com o aplicativo Map of Life, o usuário pode ajudar pesquisas científicas e projetos de conservação enviando o local onde avistou uma espécie. Este tucano-toco foi observado no Pantanal de Miranda – Foto: Fábio Paschoal

Fotos ajudam a identificar o animal ou planta e textos fornecem informações sobre as espécies. O usuário também pode criar listas pessoais de observação, contribuir com pesquisas científicas e projetos de conservação e ajudar a atualizar informações sobre a biodiversidade local.

“O aplicativo coloca uma parte significativa do nosso conhecimento global sobre a biodiversidade na palma da sua mão, e permite que você descubra e se conecte com a biodiversidade em um lugar, onde quer que esteja”, disse Walter Jetz, professor de ecologia e biologia evolutiva da Universidade de Yale e coordenador do MOL, em entrevista para o site YaleNews. Segundo Jetz, os guias de campo em forma de livros estão ultrapassados. O MOL é uma ferramenta que permite se conectar com a biodiversidade de uma forma mais eficiente e emocionante. “Esta vasta informação, personalizada para o lugar onde estamos, pode mudar a forma como identificamos e aprendemos sobre as coisas que vemos quando viajamos, caminhamos na mata, ou pisamos no nosso próprio quintal.”

O MOL está disponível em cinco idiomas (ainda não existe em português, mas as espécies da nossa fauna podem ser encontradas) para smartphones iPhone e Android. Para obter mais informações e baixar o aplicativo visite o site do Map of Life.

As borboleta do gênero Callicore apresentam um padrão gráfico na parte de baixo das asas que lembram números ou letras do alfabeto. Infelizmente, devido à sua beleza, essas borboletas são mortas para serem utilizadas na confecção de bijuterias - Foto: Fábio Paschoal

Invertebrados também são encontrados no aplicativo Map of Life. Essa borboleta do gênero Callicore foi avistada na Amazônia, próximo à Alta Floresta – Foto: Fábio Paschoal

Dia Mundial da Vida Selvagem (3 de março)

Onça-pintada (Panthera onca), o maior felino das américas sofre com a perseguição de fazendeiros que querem proteger o gado. O Projeto Onçafari tenta salvar o felino através do ecoturismo – Foto: Fábio Paschoal

Desde criança sou obcecado por animais. Sempre que meus pais podiam me levar em algum lugar eu pedia para ir ao zoológico. Livros e mais livros de bichos começaram a lotar as prateleiras do meu quarto e os documentários da National Geographic e da BBC eram frequentes na TV lá de casa. Aprendi a admirar e a respeitar os bichos e durante a minha carreira tive muitos encontros inesquecíveis com a vida selvagem. Graças a eles escolhi a biologia e encontrei o que realmente gosto de fazer.

Hoje (3 de março) é o Dia Mundial da Vida Selvagem (World Wildlife Day). A data foi criada pela ONU para celebrar a fauna e a flora do mundo e chamar a atenção para a importância da conservação e para os perigos enfrentados pelas espécies. Segundo o site da organização, “o Dia nos lembra da necessidade urgente de intensificar a luta contra os crimes contra a vida selvagem, que têm amplos impactos econômicos, ambientais e sociais.”

Harpia (Harpia harpyja), a mais poderosa ave de rapina do planeta – Foto: Fábio Paschoal

A destruição do habitat é a principal ameaça enfrentada pela vida selvagem. Com a derrubada das árvores a harpia perde locais para construção de ninhos, o mico-leão-dourado fica aprisionado em ilhas de florestas entre os campos que foram abertos e o tamanduá-bandeira corre o risco de ser atropelado ao cruzar uma estrada.

As queimadas liberam gás carbônico (CO2) e contribuem para o efeito estufa. O fenômeno é mais claro nos polos, onde o urso-polar tem menos tempo para caçar focas no gelo marítimo e precisa nadar grandes distâncias em busca de alimento. Mas o aquecimento global também é sentido nos trópicos e nos oceanos. Anfíbios e corais são sensíveis ao aumento na temperatura.

O tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) é o maior de todos os tamanduás. Sua grande cauda, semelhante à uma bandeira, é responsável pelo seu nome. Quando se recolhe para dormir, o animal a dobra em direção ao corpo e a bandeira vira um cobertor – Foto: Fábio Paschoal

Hoje somos mais de 7 bilhões. A população mundial continua crescendo e as cidades seguem diminuindo cada vez mais o espaço dos animais. A proximidade com os seres humanos traz problemas para grandes predadores, como a onça-pintada que enfrenta a retaliação de fazendeiros, que abatem o felino para proteger seus rebanhos. Milhares de elefantes morrem a cada ano para que suas presas sejam transformadas em objetos religiosos. Tigres são exterminados para que seus ossos sejam vendidos como remédios no mercado negro asiático. Cornos de rinocerontes têm o mesmo destino.

De densas florestas até os desertos mais secos, de montanhas elevadas até as areias das praias. O elefante-africano (Loxodonta africana) é encontrado em 37 países diferentes na África. Porém, isso não significa que se encontra em boas condições. A perda e a fragmentação do habitat e os caçadores, que procuram o marfim para vender no mercado negro, são ameaças constantes ao maior animal terrestre do planeta. No entanto, as reservas e os parques nacionais oferecem refúgios para esses animais, e a população segue aumentando. Status na IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês): espécie vulnerável - Foto: Fábio Paschoal

O elefante-africano (Loxodonta africana) é encontrado em 37 países diferentes na África. Porém, isso não significa que se encontra em boas condições. A perda e a fragmentação do habitat e os caçadores, que procuram o marfim para vender no mercado negro, são ameaças constantes ao maior animal terrestre do planeta – Foto: Fábio Paschoal

O tráfico de animais também é motivo de baixas consideráveis. Segundo a Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (RENCTAS), a cada dez animais retirados da natureza só um sobrevive. Há mais araras-azuis em cativeiro do que na natureza e a ararinha-azul possivelmente já está extinta de seu habitat natural.

A arara-azul (Anodorhynchus hyacinthinus), a maior arara do mundo, está ameaçada pelo desmatamento, mas graças aos esforços do Projeto Arara Azul no Pantanal, a espécie saiu da Lista de Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção – Foto: Fábio Paschoal

O caso mais extremo é o do Solitário George. Ele era considerado o animal mais raro do mundo. A tartaruga-gigante era a última sobrevivente da Ilha de Pinta (Galápagos). A morte de George no dia 24 de junho de 2012 marcou a extinção da espécie.

Lonesome George (Solitário George), o animal mais raro do mundo, morreu na manha de domingo (24). George era o último indivíduo da espécie de tartaruga-gigante da ilha de Pinta (Galápagos) – Foto: Fábio Paschoal

No Brasil temos a Amazônia, o Cerrado, o Pantanal, a Caatinga, a Mata Atlântica e os Pampas. Esses seis biomas, tão diferentes, oferecem habitats distintos e permitiram o surgimento de novas espécies durante a evolução. No entanto, a Mata Atlântica já perdeu mais de 90% de sua área original, o Cerrado cede espaço para a soja e para a cana-de-açúcar. Na Amazônia uma área equivalente ao estado do Sergipe é desmatada a cada ano e a Caatinga e o Pantanal sofrem modificações em suas paisagens.

A vida selvagem está em risco e é preciso mais do que um dia para salvá-la. Reservas e projetos de conservação lutam para a preservação de animais ameaçados de extinção, mas o investimento em recursos renováveis, como energia solar por exemplo, ajudaria a salvar essas espécies que têm direito à vida tanto quanto nós.

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