Kirstenbosch: o 1° jardim botânico considerado Patrimônio da Humanidade

Alfineteira, planta do gênero Leucospermum, típica do Fynbos, no Jardim Botânico Kirstenbosch, Cidade do Cabo, África do Sul – Foto: Fábio Paschoal

Capítulo 8 da série Cidade do Cabo: passeios para contemplar a natureza

Estabelecido em 1913 para promover a conservação e demonstrar a rica e diversa flora da África do Sul, o Kirstenbosch foi o primeiro jardim botânico do mundo preocupado em preservar as plantas nativas de um país. É administrado pelo South African Biodiversity Institute, fica ao lado do Table Mountain National Park (TBNP) e, juntos, preservam parte do Reino Floral do Cabo, o menor e mais diverso dos seis reinos florais do mundo e o único confinado a um continente. 

[Veja a introdução da série Cidade do Cabo: passeios para contemplar a natureza]

[Veja o capítulo 7 da série Cidade do Cabo: passeios para contemplar a natureza]

Essa não é a flor do abacaxi. A planta pertence ao gênero Eucomis e é chamada de flor abacaxi. Floresce no verão no Jardim Botânico Kirstenbosch, na Cidade do Cabo, África do Sul – Foto: Fábio Paschoal

O Reino Floral do Cabo é o menor e mais diverso dos seis reinos vegetais. Muitas espécies já foram extintas. O Kirstenbosch é de vital importância para a manutenção dessa flora única – Foto: Fábio Paschoal

Planta do gênero Kniphofia no Kirstenbosch. É nativa da África e muito atrativa para sunbirds – Foto: Fábio Paschoal

Lar de incríveis 9 000 espécies de plantas (a maioria endêmica) das quais cerca de 80% pertencem ao Fynbos, bioma adaptado tanto ao clima mediterrâneo quanto a incêndios periódicos, o Reino Floral do Cabo só é encontrado no Sul da África do Sul. Em 2004, a região foi reconhecida como Patrimônio da Humanidade e fez com que Kirstenbosch se tornasse o primeiro jardim botânico do mundo localizado dentro de uma área de diversidades biológica e paisagística excepcional, com valor inestimável para a Terra, segundo a UNESCO.

Existem trilhas para todos os gostos. Das curtas e planas, para quem quer curtir o jardim botânico; até as longas e íngremes, como a que leva até o topo da Table Mountain. Pagamos a entrada (veja os preços no site do Kirstenbosch) e começamos o passeio.

Uma das trilhas do Jardim Botânico Kirstenbosch, Cidade do Cabo, África do Sul – Foto: Fábio Paschoal

Vanessa, Renata e Ralph na passarela suspensa do Jardim Botânico Kirstenbosch, Cidade do Cabo, África do Sul – Foto: Fábio Paschoal

Andando por lá vimos os principais representantes do Fynbos. Passamos por plantas do gênero Leucospermum, que parecem com aquelas almofadas para espetar alfinetes e, por isso, são chamadas de alfineteiras. Também vimos ericas, conhecidas como urzes-do-cabo, um grupo em que 90% dos representantes são endêmicos da África do Sul.

Mas a flor que mais queríamos encontrar era a king protea (Protea cynaroides), a flor nacional da África do Sul. Ocorre em todas as cadeias montanhosas de leste a oeste do país (exceto nas áreas mais secas do interior) e em todas as elevações, do nível do mar a 1500 metros de altura. Tem uma das mais amplas faixas de distribuição da família Proteaceae no mundo.

As flores das urzes-do-cabo são muito atrativas para esse jovem double collared sunbird – Foto: Fábio Paschoal

King protea (Protea cynaroides), a maior de todas as proteas e a flor nacional da África do Sul no Jardim Botânico Kirstenbosch – Foto: Fábio Paschoal

Botão de king protea (Protea cynaroides) no Jardim Botânico Kirstenbosch, África do Sul – Foto: Fábio Paschoal

A combinação das diferentes condições climáticas com a grande variedade de localidades resultou em uma grande variedade de tamanhos de folhas e flores, assim como cores e épocas de floração.

As proteas foram batizadas graças a Proteus, um deus grego que ajudou Netuno e recebeu como recompensa o poder de ver o futuro e o passado. Desde então, Proteus passou a ser reverenciado por seus dons proféticos e as pessoas passaram a procurá-lo para desvendar as artimanhas do destino.

Mas o deus era arredio, não gostava de revelar seus segredos e se transformava em monstros de aparência assustadora para afastar aqueles que se aproximavam dele. Como as flores das proteas assumem diferentes formatos durante o desenvolvimento, Lineu, criador da nomenclatura binomial das espécies (considerado o pai da taxonomia moderna), resolveu homenagear o deus grego dando seu nome ao gênero das plantas.

Casal de cape sugarbirds no Kirstenbosch. O macho, à direita, tem a cauda mais longa do que a da fêmea, à esquerda – Foto: Fábio Paschoal

Ganso-do-egito com filhotes no Kirstenbosch – Foto: Fábio Paschoal

Jovem double collared sunbird em alfineteira no  Kirstenbosch – Foto: Fábio Paschoal

O Kirstenbosch vai muito além do Fynbos. O jardim botânico possui representantes de todas as regiões da África, incluindo uma coleção de Encephalastos (as gimnospermas mais primitivas encontradas atualmente) e uma estufa com plantas de regiões áridas, que não conseguiriam sobreviver nas condições climáticas da região.

As aves também são um destaque: mais de 125 espécies são encontradas por aqui. Passamos momentos incríveis com o cape sugarbird, ave com uma cauda longa inconfundível, que é endêmica e se alimenta do néctar das flores do Fynbos. Sunbirds são comuns. Mas o ponto alto foram os gansos-do-egito, as galinhas-d’angola e os cape francolins. Como fomos em dezembro, vimos casais com filhotes bem pequenininhos.

Dependendo do ângulo, os frutos pretos da Ochna serrulata lembram as orelhas do Mickey Mouse, por isso a planta é chamada de Mickey Mouse bush. Ela floresce na primavera, mas seus frutos podem ser vistos até fevereiro – Foto: Fábio Paschoal

Flores coloridas no Kirstenbosch. Alfineteiras laranjas e flores azuis de Agapanthus africanus, planta africana que é comum em jardins no Brasil – Foto: Fábio Paschoal

O lugar é muito legal para fazer piquenique. Mas seguimos a recomendação de nossos amigos da Cidade do Cabo, Renata e Ralph, e almoçamos no Moyo, um restaurante africano que usa produtos locais. Foi a melhor refeição que fizemos na viagem pela África do Sul.

Terminamos o dia ao lado do busto de Nelson Mandela, que teve uma crista-de-galo batizada com seu nome (Mandela’s Gold) e plantou uma muda de Warburgia salutaris, árvore com propriedades medicinais muito popular para venda em mercados de rua. Infelizmente, a planta está ameaçada de extinção devido à colheita excessiva. Por isso, é uma espécie prioritária para conservação e cultivo em jardins.

Busto de Nelson Mandela no Jardim Botânico Kirstenbosch, Cidade do Cabo, África do Sul – Foto: Fábio Paschoal

Mandela’s gold, crista de galo batizada em homenagem ao ex-presidente da África do Sul – Foto: Fábio Paschoal

Era hora de voltar pra casa e descansar. No dia seguinte iríamos nadar com lobos-marinhos-do-cabo.

Veja o capítulo 9 da série Cidade do Cabo: passeios para contemplar a natureza

Veja o Roteiro: 20 dias na África do Sul de carro

Planta que floresce no verão em Kirstenbosch – Foto: Fábio Paschoal

Alfineteiras do gênero Leucospermum no Kirstenbosch – Foto: Fábio Paschoal

DICAS

  • Proteas, leucadendrons e serrurias florescem no inverno e primavera (maio a outubro).
  • A melhor época para ver as king proteas (Protea cynaroides) floridas no Kirstenbosch é entre junho e outubro, segundo o site do jardim botânico.
  • As alfineteiras, florescem no final do inverno, primavera e início do verão (agosto a novembro/ dezembro).
  • Para saber o que você irá encontrar em cada estação do ano, visite o site do Kirstenbosch.
  • Leve binóculos para observar os sunbirds e outras aves do lugar.
  • Almoce no restaurante Moyo, dentro do Jardim Botânico. É muito gostoso e nós recomendamos.
  • Não deixe de passar na Kirstenbosch Shop, a lojinha do jardim botânico tem muitas coisas bacanas para decoração da casa e lembrancinhas para família e amigos mais próximos.
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