Cabo da Boa Esperança, Cape Point e o encontro dos oceanos

Cabo da Boa Esperança, África do Sul – Foto: Fábio Paschoal

Capítúlo 2 da série Cidade do Cabo: passeios para contemplar a natureza

Localizada na ponta da Península do Cabo, a 60 quilômetros da Cidade do Cabo (Cape Town), a Reserva Natural Cabo da Boa Esperança (Cape of Good Hope Nature Reserve) é uma área de 7 750 hectares que faz parte da seção Sul do Parque Nacional Table Montain e, além do cabo de mesmo nome, também abriga Cape Point. É parte da Região Floral do Cabo, considerada Patrimônio da Humanidade em 2004 pela UNESCO, graças a extraordinária diversidade de fauna e flora endêmica da região.

[Veja a introdução da série Cidade do Cabo: passeios para contemplar a natureza]

[Veja o capítulo 1 da série Cidade do Cabo: passeios para contemplar a natureza]

Vista de um dos mirantes da Chapman’s Peak Drive, África do Sul – Foto: Fábio Paschoal

Nossos amigos Renata e Ralph fizeram questão de nos levar pela Chapman’s Peak Drive (Chappies para os íntimos). Ela começa em Hout Bay e segue por 9 quilômetros com as paisagens mais lindas de Cape Town. Existe um único pedágio no caminho (Veja as tarifas no site da Chappies).

De um lado o paredão rochoso, do outro o litoral. No caminho há mirantes onde você pode parar, fazer piquenique, tirar uma foto ou simplesmente admirar a paisagem. É uma estrada imperdível para quem visita Cape Town (Veja o vídeo do canal Bastante Sotaque).

Cape Point

Cape Point, África do Sul – Foto: Fábio Paschoal

Chegamos na entrada da Reserva, pagamos a taxa de conservação (veja os valores no site do SanParks), deixamos o carro no estacionamento e seguimos para o ponto mais alto do parque. Há duas opções para chegar lá. Você pode subir com o Flying Dutchman Funicular, uma espécie de bonde, ou você pode fazer a trilha (não é longa, mas é um pouco íngreme).

Decidimos andar. No caminho passamos por biguás, que estavam com filhotes nos ninhos construídos no paredão rochoso (fomos em dezembro). Os adultos voltavam com os papos cheios de comida para alimentarem os pequenos. Também vimos um elande-comum, o segundo maior antílope do mundo.

Cape cormorant (Phalacrocorax capensis), espécie ameaçada de extinção devido à escassez de alimentos de boa qualidade perto dos locais de reprodução, causada pela sobrepesca comercial e pelas mudanças climáticas – Foto: Fábio Paschoal

No ponto mais alto da trilha, 238 metros em relação ao nível do mar, fica o primeiro farol de Cape Point. Construído em 1859, se encontra desativado porque fica constantemente coberto por nuvens e os navios não conseguem se orientar em dias nublados, o que causava muitos acidentes na região. Hoje é usado para monitorar outros faróis da costa da África do Sul e funciona como um mirante, que tem a vista mais bonita de Cape Point e do Cabo da Boa Esperança.

Um segundo farol foi construído em uma altura mais baixa (87 metros) para escapar das nuvens. Ele continua funcional e é o farol mais forte encontrado na África do Sul. É possível chegar até ele por uma trilha, mas não tínhamos tempo para isso.

Cabo da Boa Esperança e Dias Beach, África do Sul – Foto: Fábio Paschoal

Cabo da Boa Esperança

Situado na junção da corrente fria de Benguela, na costa oeste, com a corrente quente das Agulhas, na costa leste, o Cabo da Boa Esperança não é o ponto mais ao Sul da África, como muita gente pensa. Esse título pertence ao Cabo das Agulhas, que também marca a divisão geográfica oficial entre o Atlântico e Índico.

Porém, a fronteira entre esses oceanos migra sazonalmente entre o Cabo das Agulhas, Cabo da Boa Esperança e Cape Point. Assim, como não há uma divisão perceptível ao olhar, podemos acreditar no fundo de nossos corações que estamos olhando para o encontro das águas quando estamos por aqui.

O simpático dassie (Procavia capensis) no Cabo da Boa Esperança, África do Sul – Foto: Fábio Paschoal

Próximo ao estacionamento tem o começo da trilha que passa por Dias Beach e leva para a ponta do Cabo da Boa Esperança (você pode pegar a estrada e chegar lá de carro). Durante o caminho passamos por mais cormorões, gaivotas, lagartos se esquentando nas pedras e achamos um mamífero pequenino e muito simpático: o dassie! Eles são encontrados na África e no Oriente Médio e seus parentes mais próximos são elefantes, dugongos e peixes-bois. Também encontramos um casal de avestruzes.

É possível descer em Dias Beach, mas estávamos sem tempo e seguimos para o final da trilha onde havia uma fila de turistas que queriam tirar foto em frente a placa do Cabo da Boa Esperança. Claro que nós entramos na onda.

Paisagem no final da trilha do Cabo da Boa Esperança, África do Sul – Foto: Fábio Paschoal

Nós (Eu, Vanessa, Ralph e Renata) no Cabo da Boa Esperança. Note que a placa diz que é o ponto mais a Sudoeste da África. O ponto mais ao Sul é Cabo das Agulhas – Foto: Fábio Paschoal

Como estava ficando tarde, tivemos que deixar a visita à Boulders, uma colônia de pinguins-africanos para outro dia. Era hora de voltar pra casa e fazer mais um braai (churrasco em africâner).

Veja o capítulo 3 da série Cidade do Cabo: passeios para contemplar a natureza

Veja o Roteiro: 20 dias na África do Sul de carro

HISTÓRIA

No final do século 15, o navegador português Bartolomeu Dias zarpou do rio Tejo, em Lisboa, com dois pequenos navios e um cargueiro. Como a passagem pelo Mar Mediterrâneo estava sob comando dos turcos, a missão da frota era contornar a África, encontrar um novo caminho marítimo para a Índia e estabelecer uma nova rota comercial que ligasse Portugal com o Oriente.

Mas quando chegaram na região do Cabo da Boa Esperança, uma tempestade forçou os navios a sair do curso. A frota ficou perdida por mais de uma semana sem encontrar a costa, e só conseguiu desembarcar em Mossel Bay. Foi quando o navegador percebeu que já haviam passado da ponta da África e descoberto a rota marítima para o leste (ele não conseguiu chegar muito mais longe porque a tripulação o forçou a voltar).

Graças a esse evento, Dias batizou o local de Cabo das Tormentas, que mais tarde foi renomeado Cabo da Boa Esperança, graças ao otimismo gerado pela abertura de uma possível rota para a Índia e o Oriente.

Na volta, sempre com o litoral visível, Dias passou pelo Cabo das Agulhas e descobriu o ponto mais ao Sul do continente africano. Também conseguiu contornar o Cabo da Boa Esperança, onde havia se perdido na viagem de ida.

DICAS

  • Alugue um carro enquanto estiver na Cidade do Cabo. Algumas atrações, como a Reserva Natural Cabo da Boa Esperança, ficam longe da cidade.
  • Vá até Cape Point passando pela Chapman’s Peak Drive. A estrada é linda e é um dos atrativos para quem visita a Cidade do Cabo.
  • Se você quiser fazer as trilhas é bom chegar cedo e planejar o percurso. Não chegamos ao segundo farol nem descemos até Dias Beach porque não tínhamos tempo.
  • Existe um áudio tour da Reserva Natural Cabo da Boa esperança no aplicativo gratuito VoiceMap. Ele faz um passeio que leva por Cape Point e Cabo da Boa Esperança. A gente não queria ficar preso a um roteiro e não usamos, mas tem bastante informação legal lá. Veja os passos para chegar no áudio tour no site de Cape Point.
  • Cuidado com os babuínos, os macacos podem atacar em busca de comida, mas não vimos nenhum durante nossa visita.
  • Boulders fica no meio do caminho entre Cape Town e Cape Point e pode fazer parte do roteiro. Mas nós achamos que fazer isso no mesmo dia é muito corrido e você acaba não aproveitando tudo que os dois locais têm a oferecer.
  • Entre junho e novembro Cape Point é um excelente local para observação de baleias. Os cetáceos gostam das águas mais calmas de False Bay, especialmente as francas. Jubartes, golfinhos e focas também podem ser achadas no local. Durante esses meses fique de olho no mar na Chapman’s Peak Drive, as gigantes também podem ser vistas na estrada.
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