Kruger: cheque os quadros de avistamentos e faça suas próprias rotas

Quadro de avistamentos dos Big 7 do Kruger National Park, África do Sul. É só pegar o ímã com a cor do animal desejado e colocar no lugar em que você o viu. O lado esquerdo são os avistamentos do dia, o direito são os avistamentos do dia anterior – Foto: Fábio Paschoal

Capítulo 14 da série Kruger: guia prático para organizar seu safári na África do Sul

Todos os acampamentos têm um quadro de avistamentos (Sightings board) em que os turistas colocam os pontos onde viram os Big 7 (leopardo, leão, búfalo, elefante, cachorro-selvagem, rinoceronte e guepardo) no mapa do Kruger.

[Veja a introdução e o sumário da série Kruger: guia prático para organizar seu safári na África do Sul]

[Veja o capítulo 13 da série Kruger: guia prático para organizar seu safári na África do Sul]

Quadro de avistamentos de Lower Sabie, Kruger, África do Sul. A seta vermelha indica os leões vistos na estrada S128

Red billed oxpeckers (Buphagus erythrorhynchus) – Foto: Fábio Paschoal

Quando checamos o quadro de Lower Sabie camp vimos que leões haviam sido encontrados na estrada de terra S128. Como Vanessa queria vê-los, optamos por não fazer uma rota sugerida pelo Kruger Park Map & Guide ou pelo site do parque e criamos um caminho para aumentar nossas chances de encontrarmos com os felinos.

Começamos cruzando a ponte do rio Sabie, que estava cheio de hipopótamos. Logo que chegamos ao outro lado, girafas vieram em nossa direção. Passamos tão perto dos bichos que deu até para dar um close nos oxpeckers, aves nativas da África subsaariana. Eles se alimentam de insetos, mas podem escalar grandes animais, como as girafas, para pegar carrapatos.

Assim que fizemos a curva, demos de cara com muitos impalas. A maior concentração que havíamos visto até aquele momento. De repente começou uma correria generalizada. Procuramos por algum predador nas redondezas. Uma hiena andava calmamente pela savana.

Seguimos observando aves até que um carro parou do nosso lado e perguntou: “Vocês estão sabendo dos leões? Tem três leões dormindo em um waterhole seco à diretia da estrada daqui uns 4 quilômetros.” Agradeci e pisei no acelerador!

Impalas (Aepyceros melampus) o mamífero com a maior população no Kruger (152.000) – Foto: Fábio Paschoal

Hiena-malhada/ Spotted hyena (Crocuta crocuta) à direita e impala (Aepyceros melampus) à esquerda – Foto: Fábio Paschoal

Começou a demorar bastante e ficamos na dúvida se o lago seco tinha passado e nós não tínhamos visto ou se os leões simplesmente tinham ido embora. Não tirávamos os olhos do lado direito da estrada. Finalmente avistamos o lugar. Parei o carro, peguei o binóculo e vasculhei a borda do waterhole: “Estão lá!”

Dirigi até o ponto mais próximo possível e mesmo assim continuavam distantes. De repente, chegou um vento forte acompanhado de chuva. Achei que os felinos iam levantar para procurar abrigo e talvez chegassem mais próximos, mas os bichos nem se moveram. Continuaram dormindo mesmo molhados.

Leão/ Lion (Panthera leo) no Kruger, África do Sul, fazendo o que leões fazem de melhor durante o dia: dormir – Foto: Fábio Paschoal

Decidimos sair dali e dirigir até a H10, uma estrada pavimentada, para não correr nenhum risco de atolar. Tudo ia bem. Tinha tempo de sobra pra curtir a estrada, passar na Sunset Dam (a represa que recomendamos no post anterior) para checar pôr animais e chegar antes do fechamento dos portões do camp.

Porém, um carro do parque passou por nós em alta velocidade. Logo à frente tinha um elefante cruzando a estrada. Aprendemos a lição no nosso primeiro encontro com o maior animal terrestre do mundo no Kruger e mantivemos uma distância segura. Achávamos que o funcionário do parque iria fazer o mesmo, mas ele estava com pressa e tentou forçar a passagem. Ledo engano.

O bicho virou de frente pro carro, abriu as orelhas e balançou a cabeça (já vimos isso antes, não é mesmo?). O carro continuou em frente. O elefante fez aquele barulho típico quando levanta a tromba e logo a manada inteira bloqueava a estrada e avançava em direção ao carro. O funcionário fez a volta, mas não foi embora e continuou estressando os animais. Fiquei muito irritado porque o cara trabalhava no parque e não estava zelando pela vida selvagem.

Carro do Kruger tentando forçar a passagem. Os elefantes não deixaram – Foto: Fábio Paschoal

Mas não havia tempo pra mais nada. Era impossível seguir pelo caminho planejado. Nossa única opção era pegar uma rota mais comprida, com 15 quilômetros de estradas de terra na chuva, contornar a manada, voltar para o asfalto e seguir para o rest camp. Nosso tempo estava muito apertado e não era possível ficar para o desfecho da história.

Pisamos no acelerador, ignorando o limite de velocidade de 40 km/h. A chuva aumentava e poças de lama surgiam por todos os lados. O medo de ficar atolado ou de tomar uma multa por atraso aumentava a cada instante. Quando entramos no asfalto, aceleramos ainda mais. Faltavam cinco minutos para o fechamento dos portões quando chegamos à Lower Sabie. Que jornada!

Rota que fizemos em azul. A seta vermelha marca o ponto onde vimos os leões. A seta preta é o ponto em que tivemos de voltar após o bloqueio da estrada pelos elefantes (Clique no mapa para ampliar)

Quando chegamos tomamos um banho, acendemos a churrasqueira para o braai de todo dia e escolhemos nossa rota do dia seguinte. O destino: Crocodile Brige Camp. Era hora de descansar.

Veja o capítulo 14 da série Kruger: guia prático para organizar seu safári na África do Sul

Veja o Roteiro: 20 dias na África do Sul de carro

Nosso carro, após o banho de lama, são e salvo em Lower Sabie, Kruger, África do Sul – Foto: Fábio Paschoal

DICAS

  • Faça suas próprias rotas: Guias que você compra no parque e o site do Kruger indicam as melhores rotas para o turista seguir. Mas as coisas podem mudar de um dia para o outro. Se você tem um dos Big 7 como objetivo específico, cheque o quadro de avistamentos e vá para onde as pessoas encontraram o animal que você quer ver para aumentar suas chances.
  • Procure ficar próximo do seu rest camp nos finais de tarde: Se você estiver longe do acampamento e acontecer algum imprevisto, você pode chegar depois do fechamento dos portões e terá que pagar multa.
  • Evite estradas de terra em dias de chuva: Ficar atolado no Kruger não deve ser uma experiência agradável. Verifique o telefone de emergência no folder que é entregue quando você entra no parque e deixe anotado no celular (tem sinal de internet em alguns locais do parque).
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