Cachorro-selvagem: o predador mais eficiente entre os mamíferos

Cachorro-selvagem-africano, também conhecido como mabeco/ African wild dog (Lycaon pictus) no Kruger National Park, África do Sul. A espécie está ameaçada de extinção – Foto: Fábio Paschoal

Capítulo 4 da série Kruger: guia prático para organizar seu safári na África do Sul

Após o incidente com o elefante (veja o post anterior), mudamos a rota e pegamos o asfalto até as proximidades do portão Malelane. Quando fizemos a curva para entrar na estrada H3 (uma das melhores rotas do Kruger), havia uma concentração de carros. Todos olhavam para a direita, mas a vegetação estava alta. Reposicionei o carro e conseguimos ver a grama se movimentando. Não sabíamos o que era, mas a expectativa era grande. Devagar, um por um, saíram na estrada: os cachorros-selvagens-africanos!

[Veja a introdução e o sumário da série Kruger: guia prático para organizar seu safári na África do Sul]

[Veja o capítulo 3 da série Kruger: guia prático para organizar seu safári na África do Sul]

Três deles seguiram na frente da alcateia, em direção a um grupo de impalas. Começaram a andar mais baixo, assumindo a postura de caçadores,  e desataram a correr! Os antílopes ficaram desesperados. Davam saltos gigantescos cruzando a estrada. Os dois grupos seguiram para uma área com vegetação densa e depois só ouvimos o silêncio. Não vimos o final da caçada, mas foi incrível ver o começo de uma perseguição.

Cachorros-selvagens observando um grupo de impalas – Foto: Fábio Paschoal

Também conhecido como mabeco ou cão-selvagem-africano, o cachorro-selvagem é o predador mais eficiente entre os mamíferos da África. Eles caçam em grupo e começam assustando manadas de antílopes para separar um indivíduo mais debilitado (impalas são as presas mais frequentes). Depois começam uma perseguição e se revezam mordendo a parte traseira da presa, até que ela fique exausta e desista. Eles vencem pelo cansaço.

Em algumas regiões a taxa de sucesso em caçadas é de 90%. Nenhum outro grande predador africano é tão bem sucedido quanto os cachorros-selvagens.

Mabecos jovens brincam com pedaços da presa – Foto: Fábio Paschoal

O cachorro-selvagem mais à direita segura a cabeça de um impala na região de Berg-en-Dal, no Kruger, África do Sul – Foto: Fábio Paschoal

Encontramos os mabecos em outra ocasião perto de Berg-en-Dal. Era um grupo grande de mais de 20. Haviam acabado de comer um impala. Os mais jovens brincavam com os restos de comida. Eles corriam de um lado para o outro segurando partes da presa e passavam por cima dos adultos, que só queriam saber de descanso.

Um fato interessante sobre os cachorros-selvagens é que eles dão prioridade para os filhotes na hora de comer. Caso eles não estejam no local do abate, os adultos regurgitam a comida quando voltam para a toca.

A hiena-malhada/ Spotted hyena (Crocuta crocuta) pode ser encontrada em clãs liderados por uma fêmea dominante. São caçadoras, mas podem brigar por carcaças com cachorros-selvagens e até leões – Foto: Fábio Paschoal

Foi então que apareceu uma hiena. Uma cleptoparasita dos cachorros, o que significa que rouba a comida deles. Se as hienas estão em grupo pode haver conflito, mas quando é uma hiena solitária ela só consegue roubar se os mabecos estiverem muito distraídos. Não foi o caso dessa vez. Parte da alcateia levantou e expulsou a visitante indesejada. Mas os jovens continuaram brincando como se nada estivesse acontecendo.

Mesmo depois do aparecimento da hiena, os jovens cachorros-selvagens continuaram brincando com a comida – Foto: Fábio Paschoal

Infelizmente, a fragmentação do habitat e conflitos com humanos colocam a espécie na categoria “em perigo” da lista vermelha da IUCN.

A Range Wide Program For Cheetah & Wild Dogs trabalha em todos os países onde são encontrados cachorros-selvagens e guepardos (espécies ameaçadas de extinção). O objetivo da Ong é melhorar a coexistência entre pessoas e cachorros-selvagens-africanos, incentivar o manejo de uso da terra para manter e expandir as populações de mabecos, criar capacidade para conservação de cães-selvagens dentro da área conhecida da espécie, melhorar a percepção pública com relação aos canídeos em todos os níveis da sociedade e garantir uma estrutura de políticas compatível com a conservação da espécie (o mesmo é feito para o guepardo).

Veja o capítulo 5 da série Kruger: guia prático para organizar seu safári na África do Sul

Veja o Roteiro: 20 dias na África do Sul de carro

As setas rosas indicam os locais onde observamos cachorros-selvagens no Kruger (Clique para expandir a imagem)

DICAS

  • Sempre que chegar em algum rest camp cheque e preencha o quadro de avistamentos (Sightings board): Lá os turistas indicam onde viram os chamados Big 7 do Kruger (cachorro-selvagem, leão, leopardo, búfalo, elefanterinoceronte e guepardo)
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