Panda-gigante sai da Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas de Extinção

O panda-gigante saiu da categoria de animais ameaçados de extinção. Agora a espécie é considerada vulnerável - Foto: Paul Gilham/Getty Images

O panda-gigante saiu da categoria ameaçado de extinção. Agora a espécie é considerada vulnerável – Foto: Paul Gilham/Getty Images

O panda-gigante, um símbolo da luta pela conservação, saiu da categoria ameaçada de extinção da Lista Vermelha da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês). Graças a esforços do governo chinês, que investiu em proteção de florestas e reflorestamento, a espécie agora é considerada vulnerável.

Porém, as previsões indicam que as mudanças climáticas devem eliminar 35% das florestas de bambu, essenciais para a sobrevivência do animal, nos próximos 80 anos e a população da espécie pode diminuir e reverter a projeção positiva das últimas duas décadas. O plano do governo chinês para expandir a política de conservação existente é um passo positivo e deve ser fortemente apoiado para garantir a sua efetiva implementação e a sobrevivência do panda-gigante.

A notícia foi divulgada no domingo (4), durante o  IUCN World Conservation Congress, realizado no Havaí, quando foi revelada a atualização da Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas, referência mundial para a consulta do status de uma espécie.

O wallaby Nychogalea fraenata era considerado ameaçado de extinçaõ e agora está na categoria vulnerável - Foto: Bernard DUPONT/Creative Commons

O wallaby Nychogalea fraenata era considerado ameaçado de extinção e agora está na categoria vulnerável – Foto: Bernard DUPONT/Creative Commons

O antílope-tibetano (Pantholops hodgsonii), o roedor Leporillus conditor e o wallaby Nychogalea fraenata (da mesma família do canguru) são algumas das espécies que tiveram um aumento na população e elevaram seu status na Lista Vermelha graças a esforços de projetos de conservação.

Por outro lado, o gorila-do-orinte (Gorilla beringei) passou de ameaçado para criticamente em perigo devido a um declínio da população de mais de 70% em 20 anos. Sua população é atualmente estimada em menos de 5.000. O gorila-de-grauer (G. b graueri), uma subespécie do gorila-do-oriente, perdeu 77% da sua população desde 1994, passando de 16.900 indivíduos para apenas 3.800 em 2015. Matar ou capturar grandes primatas é ilegal; no entanto, a caça representa a maior ameaça para os gorilas-de-grauer.

O gorila-do-orinte (Gorilla beringei) passou de ameaçado para criticamente em perigo - Foto: Hendrik Dacquin de Gent, Belgium/Creative Commons

O gorila-do-orinte (Gorilla beringei) passou de ameaçado para criticamente em perigo – Foto: Hendrik Dacquin de Gent, Belgium/Creative Commons

“Ver o gorila-do-oriente – um de nossos primos mais próximos – ir em direção à extinção é realmente perturbador”, diz Inger Andersen, diretora geral da IUCN. “Nós vivemos em uma época de grandes mudanças e cada atualização da Lista Vermelha da IUCN nos faz perceber que a crise global de extinção está aumentando rapidamente. Ações de conservação funcionam e temos cada vez mais provas disso. É nossa responsabilidade melhorar nossos esforços para mudar a maré e proteger o futuro do nosso planeta.”

A população da segunda subespécie de gorila-do-oriente, o gorila-da-montanha (G. b beringei), aumentou para cerca de 880 indivíduos, mas ainda segue muito baixa.

Existem duas espécies de orangotangos. A de Bornéu (Pongo pygmaeus), considerada ameaçada pela IUCN e a de Sumatra (Pongo abelii), criticamente ameaçada - Foto: Сергей Урядников/iStock/Thinkstock

As duas espécies de orangotangos, a de Bornéu (Pongo pygmaeus) e a de Sumatra (Pongo abelii), estão criticamente ameaçadas de extinção – Foto: Сергей Урядников/iStock/Thinkstock

Quatro dos seis grandes primatas – gorila-do-oriente, gorila-do-ocidente (Gorilla gorilla), orangotango-de-bornéo (Pongo pygmaeus) e orangotango-de-sumatra (Pongo abelii) – estão na categoria criticamente em perigo. O chimpanzé (Pan troglodytes) e o bonobo (Pan paniscus) são listados como ameaçados de extinção.

Essa atualização também relata o declínio de 24% da população de zebras-das-planícies (Equus quagga) de outras três espécies de antílopes africanos. Os animais são visados por caçadores que lucram com a carne e com a pele dos animais.

Zebras (Equus quagga) se juntam aos gnus na Grande Migração pelo leste do continente africano - Foto: Fábio Paschoal

A zebra-das-planícies (Equus quagga) estava na categoria pouco preocupante e agora é considerada quase ameaçada – Foto: Fábio Paschoal

“A caça ilegal e perda de habitat são grandes ameaças que continuam conduzindo muitas espécies de mamíferos para a extinção”, diz Carlo Rondinini, Coordenador responsável pela avaliação de mamíferos da Universidade Sapienza de Roma “Nós reavaliamos quase metade de todos os mamíferos. Embora existam alguns sucessos para comemorar , estes novos dados devem agir como um sinal para guiar a conservação de espécies que continuam ameaçadas.”

A crescente ameaça de extinção das plantas havaianas que precisam competir com espécies invasoras também foi destacada pela IUCN. 87% das espécies endêmicas do Havaí correm perigo de extinção, 38 das 415 espécies avaliadas foram extintas e outras quatro espécies foram listadas como extintas na natureza. “O que acontece no Havaí está predizendo o que vai acontecer em outras ilhas ou sistemas ecológicos limitados. O Havaí e outros países devem tomar medidas urgentes para impedir a propagação de espécies invasoras e proteger as espécies com populações pequenas”, diz Matt Keir, membro do Grupo Especialista em Plantas Havaianas da IUCN.

“O mundo está mudando rapidamente e de forma dramática. Agora mais do que nunca, em meio às atualizações para a Lista Vermelha, é crucial identificar e rastrear os elementos da natureza que precisam de mais proteção,” diz o Dr. M Sanjayan da Conservation International. “Monitorar a diversidade da vida é uma parte fundamental de todos os nossos esforços para compreender as mudanças que acontecem em nosso planeta e focar nossos esforços de conservação de modo que as pessoas e a natureza possam prosperar.”

Este ano, a Lista Vermelha das Espécies Ameaçadas da IUCN fez um levantamento com quase 83 mil espécies. Quase 24 mil estão ameaçadas de extinção. 855 já foram extintas e 68 foram extintas na natureza (só são encontradas em cativeiro).

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