Expondo as selfies com tigres: relatório revela crueldade com os felinos usados na indústria do entretenimento

Encontrados em grande parte da Ásia, os tigres são os maiores felinos do mundo. Habitavam lugares tão diversificados (florestas tropicais, pântanos e savanas) que acabaram evoluindo em populações regionais com padrões e tamanhos distintos, a ponto de serem classificadas em subespécies diferentes. Hoje, a maioria está extinta. A perda de habitat, a caça de suas presas e o mercado negro chinês – que vende partes do corpo do felino para fazer remédios – estão dizimando um dos predadores mais formidáveis - Foto: iStock/Thinkstock

Encontrados em grande parte da Ásia, os tigres são os maiores felinos do mundo. Habitavam lugares tão diversificados (florestas tropicais, pântanos e savanas) que acabaram evoluindo em populações regionais com padrões e tamanhos distintos, a ponto de serem classificadas em subespécies diferentes. Hoje, a maioria está extinta. A perda de habitat, a caça de suas presas e o mercado negro chinês – que vende partes do corpo do felino para fazer remédios – estão dizimando um dos predadores mais formidáveis – Foto: iStock/Thinkstock

Tigres mantidos em cativeiro são vítimas de um turismo irresponsável. Esses felinos ameaçados de extinção são criados e usados para entreter viajantes e alavancar os lucros de estabelecimentos que oferecem atrações com a vida silvestre, agências de viagens, e até o tráfico de animais. É o que revela o relatório Expondo as selfies com tigres: um retrato da indústria do entretenimento com tigres na Tailândia, elaborado pela World Animal Protection (WAP).

Entre março de 2015 e junho de 2016, pesquisadores da ONG visitaram anonimamente 17 das maiores atrações com tigres na Tailândia. Eles descobriram que, dos 1500 tigres em cativeiro, 830 são utilizados na indústria do entretenimento (um aumento de 33% nos últimos cinco anos) e que 88% desses felinos vivem em condições miseráveis.

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Filhote de tigre em cativeiro no Sri Racha Tiger Zoo, Tailândia – Foto: World Animal Protection

Segundo o relatório, 13 dos estabelecimentos permitiam que turistas se aproximassem para tirar selfies, 12 estabelecimentos incentivavam os visitantes a tirar selfies com filhotes de tigres separados de suas mães no início de suas vidas, 3 atrações permitiam a alimentação de tigres adultos, 2 zoológicos ofereciam apresentações do tipo circense e todos os 17 pontos turísticos visitados ofereciam atividades que exigiam que os tigres agissem contra o instinto natural (saltando aros em chamas, por exemplo), causando angústia e estresse nos animais.

Os principais problemas encontrados nos estabelecimentos visitados foram:

  • Separação dos filhotes de suas mães, duas a três semanas após o nascimento. Os pequenos passam a ser alimentados por mamadeiras oferecidas por turistas. É provável que a separação prematura sirva a um segundo propósito: permitir que os estabelecimentos obtenham ninhadas com maior frequência;
  • Apresentação de filhotes, vistos e manuseados de forma incorreta centenas de vezes ao dia por turistas e funcionários, o que pode levar ao estresse e lesões;
  • Punição por meio da dor e do medo, para impedir comportamentos indesejados ou agressivos. A fome também é usada com a mesma finalidade;
  • Recintos impróprios, como jaulas de concreto pequenas ou locais áridos, com acesso limitado à água potável. 50% dos tigres observados estavam em gaiolas com menos de 20m² por animal, metragem muito distante dos 16 a 32 quilômetros que eles costumam caminhar em uma única noite na natureza;
  • 12% dos tigres observados mostraram problemas de comportamento, tais como andar de um lado para o outro repetitivamente ou morder a própria cauda. Estes comportamentos ocorrem frequentemente quando os animais estão em ambientes ou situações estressantes e nunca foram registrados em animais vivendo na natureza.

Tigres mantidos em cativeiro são acorrentados para que turistas possam posar em fotos com eles no Phuket Zoo, Tailândia – Foto: World Animal Protection

Turistas posam para fotos com tigres criados em cativeiro em Million Stone Park, na Tailândia – Foto: World Animal Protection

Outro grave problema é a possível associação da indústrias de entretenimento com o tráfico de animais. Oficiais do governo da Tailândia encontraram peles, amuletos feitos com os ossos e dentes de tigres, além de 70 filhotes mortos em potes e congeladores no Tiger Temple, um dos estabelecimentos visitados pela WAP. O estabelecimento também fracassou em prestar contas sobre o desaparecimento de três tigres registrados pelo governo. Em junho de 2016, todos os 147 tigres do Tiger Temple foram apreendidos pelas autoridades tailandesas e o estabelecimento está sendo acusado de ter ligações com o tráfico de partes do corpo de tigres.

Por enquanto, não há provas de que os outros estabelecimentos citados no relatório estejam envolvidos com o comércio ilegal de tigres ou de suas partes. Mas a pesquisa mostra que há discrepâncias significativas entre o número de tigres declarados por alguns estabelecimentos e os observados no local. O que levanta sérias preocupações, especialmente sobre a criação acelerada de tigres em cativeiro, uma prática aparentemente comum e sem benefício à preservação da espécie.

Turistas visitam tigres mantidos em cativeiro no Tiger Temple, Tailândia – Foto: World Animal Protection

“O crescimento do número tigres em cativeiro na Tailândia é muito preocupante. É preciso que os turistas saibam que se podem tirar foto ou estar perto de animais como esses, há algo errado”, afirma Roberto Vieto, Gerente de Vida Silvestre da WAP.

Para cessar a demanda e, consequentemente, a oferta de atividades irresponsáveis de turismo com animais, a WAP criou a campanha internacional Silvestres. Não entretenimento. Os objetivos são:

  • Estimular os governos em todo o mundo a investigarem locais de entretenimento com tigres e fechar aqueles que mostram evidência de comércio ilegal, crueldade ou negligência;
  • Parar a venda e a promoção de locais de entretenimento que maltratam animais selvagens por agências de viagens (principalmente a Trip Advisor) ;
  • Alertar viajantes para que deixem de frequentar locais de entretenimento turístico que permitam a interação direta entre pessoas e animais, como abraços e selfies com tigres.

Consigo sentir a tristeza nos olhos de animais enjaulados. Já visitei o Pantanal, a Amazônia, a África e Galápagos, e posso afirmar que a experiência de ver animais selvagens em seu habitat natural é muito mais enriquecedora do que tirar uma foto abraçada com um bicho em cativeiro. Muito mais triste é saber que essa prática pode servir para alimentar o tráfico de animais. Por isso, fico com as esperanças renovadas ao ver que mais de 400 mil pessoas assinaram a petição da WAP e mais de 100 agências de viagens se comprometeram a parar de vender e promover atrações que utilizem animais silvestres.

Para saber mais acesse o site da campanha: http://www.worldanimalprotection.org.br/silvestres-nao-entretenimento

– Foto: World Animal Protection

– Foto: World Animal Protection

– Foto: World Animal Protection

– Foto: World Animal Protection

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5 thoughts on “Expondo as selfies com tigres: relatório revela crueldade com os felinos usados na indústria do entretenimento

  1. Que tristeza meu Deus… porque o ser humano é assim? Não me conformo
    Me sinto triste e angustiada ! Deus ajude que esses abaixo assinado possa ajudar esses bichinhos que nada tem a ver com a maldade humana e pagam por isso! Estou muito, muito triste! 😢😢😢😢

  2. Por favor, proíbam a manutenção em cativeiro de toda e qualquer espécie selvagem.

    O lugar dos animais é no seu habitat natural, i.e., a selva.

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