Projetos sediados na Paraíba lutam pela conservação de espécies marinhas ameaçadas de extinção

O tubarão-lixa (Ginglymostoma cirratum) está na categoria vulnerável da Lista de Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção, elaborada pelo ICMBio. O peixe é encontrado em três naufrágios e três recifes naturais na costa da Paraíba - Foto: National Oceanic and Atmospheric Administration dos EUA/Domínio Público

O tubarão-lixa (Ginglymostoma cirratum) está na categoria vulnerável da Lista de Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção, elaborada pelo ICMBio. O peixe é encontrado em três naufrágios e três recifes naturais na costa da Paraíba – Foto: National Oceanic and Atmospheric Administration dos EUA/Domínio Público

O Estado da Paraíba acaba de ganhar dois novos projetos que fazem parte do Programa Extremo Oriental das Américas (PEOA). A ideia é fomentar a relação entre o conhecimento científico, formular políticas públicas conservacionistas em escala regional, conservar espécies marinhas ameaçadas de extinção e mapear 100 mil hectares do fundo oceânico, que ajudarão no monitoramento das Áreas Protegidas no litoral. “O PEOA está orientado para a geração de conhecimento científico diretamente aplicado à conservação, onde são observados os marcos legais já existentes, como as Metas de Aichi  e o Decreto do Governo da Paraíba, que prevê a ampliação de áreas marinhas protegidas”, diz Orione Álvares da Silva, analista ambiental do ICMBio e um dos coordenadores do PEOA.  Para Bráulio Santos, professor do Departamento de Sistemática e Ecologia da UFPB e coordenador do PEOA, é importante aliar o conhecimento científico com ações de conservação “sem conhecimento técnico-científico sólido e atualizado, é pouco provável que nossas ações de conservação sejam efetivas e cumpram sua função socioeconômica”.

Pesquisador tira as medidas de tubarões: largura, comprimento e tamanho da nadadeira caudal - Foto: PEOA/Divulgação

Pesquisador tira as medidas de tubarões: largura, comprimento e tamanho da nadadeira caudal – Foto: PEOA/Divulgação

Projeto de Conservação do Tubarão-Lixa

Ricardo Rosa, professor da UFPB, realiza o monitoramento do tubarão-lixa (Ginglymostoma cirratum), espécie ameaçada de extinção, em três naufrágios e três recifes naturais. Todos os tubarões encontrados são identificados individualmente através de fotografias subaquáticas e marcas naturais. O objetivo é determinar como ocorre o deslocamento dos peixes, quais são os locais de descanso e alimentação, a quantidade de indivíduos e o sexo. Com base nos resultados, Rosa pretende elaborar recomendações para a conservação da espécie que sigam as ações do Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Elasmobrânquios Marinhos (PAN­Tubarões). Pescadores artesanais e praticantes do mergulho recreativo foram incluídos em um programa para a popularização da ciência e ajudam o projeto no processo de construção do conhecimento.

Durante pesquisa no naufrágio Alvarenga, pesquisadores utilizam sondas de última geração para monitoramento - Foto: PEOA/Divulgação

Durante pesquisa no naufrágio Alvarenga, pesquisadores utilizam sondas de última geração para monitoramento – Foto: PEOA/Divulgação

Projeto Caracterização de Ecossistemas Recifais Mesofóticos

Faz o mapeamento de ecossistemas recifais de até 90 metros de profundidade, pouco conhecidos pela ciência, com sonares de última geração, capazes de gerar imagens 3D com qualidade e realismo. A área mapeada pelo projeto, que pode superar 100 mil hectares, será útil para subsidiar a criação de Unidades de Conservação na costa da Paraíba. O trabalho conta com a colaboração do Programa de pós-graduação em Geodinâmica e Geofísica da UFRN e do Programa de pós-graduação em Oceanografia da UFPE.  A fauna marinha também é registrada por um ROV (Veiculo Operado Remotamente) capaz de gerar imagens ao vivo e em alta resolução dos seres vivos e do fundo do mar em profundidades de até 100 metros. Os pesquisadores esperam mapear todas as formações recifais que estão na faixa litorânea entre Cabedelo e João Pessoa em dois anos.

Os dois projetos são liderados por pesquisadores da Universidade Federal da Paraíba e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, e são financiados principalmente pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza com o apoio administrativo do CEPAN (Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste) e logístico da Mar Aberto Dive Center.

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