Araras, papagaios, periquitos e cacatuas: o grupo de aves mais ameaçado do mundo

A principal ameaça enfrentada pela jandaia-amarela (Aratinga solstitialis) é o tráfico de animais. Existe uma alta demanda no comércio ilegal por esta ave e a população vem caindo nos últimos 20 anos. A espécie é considerada ameaçada de extinção pela Lista Vermelha da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês) - Foto: thawats/iStock/Thinkstock

A principal ameaça enfrentada pela jandaia-amarela (Aratinga solstitialis) é o tráfico de animais. Existe uma alta demanda no comércio ilegal por esta ave e a população vem caindo nos últimos 20 anos. A espécie é considerada ameaçada de extinção pela Lista Vermelha da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês) – Foto: thawats/iStock/Thinkstock

Araras, papagaios, periquitos e cacatuas pertencem à ordem Psittaciformes, o grupo de aves mais ameaçado do mundo. 28% das espécies (111 de 398) correm risco de extinção segundo a Lista Vermelha da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês). Essa é a conclusão de um artigo de pesquisadores da BirdLife International e da Australian National University, publicado no periódico científico Biodiversity Conservation.

De acordo com o estudo, Psittaciformes com grande tamanho, longo tempo de geração, com dependência de habitats florestais ou que possuem uma pequena distribuição (especialmente os achados em ilhas) correm maior risco. Aves de grande porte tendem a ter uma densidade populacional baixa e são visadas pelo tráfico de animais. A maioria dos Psittaciformes que vivem em florestas escolhe cavidades de árvores para fazer seus ninhos e o desmatamento tem um impacto enorme no sucesso reprodutivo desses animais.

Encontrada somente na Amazônia brasileira, a ararajuba (Guaruba guarouba) sofre com a destruição e fragmentação do habitat e a extração ilegal de madeira. A espécie é considera vulnerável pela Lista Vermelha da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês) - Foto: Anagoria/Creative Communs

Encontrada somente na Amazônia brasileira, a ararajuba (Guaruba guarouba) sofre com a destruição e fragmentação do habitat e a extração ilegal de madeira. A espécie é considera vulnerável pela Lista Vermelha da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês) – Foto: Anagoria/Creative Communs

Para o Dr. Stuart Butchart, coordenador de Ciências da BirdLife International, o estudo confirma que araras, papagaios, periquitos e cacatuas enfrentam uma taxa de extinção mais elevada do que qualquer outro grupo de aves. 56% das espécies estão em declínio. As principais ameaças são: degradação do habitat florestal, expansão da agricultura, caça e tráfico de animais (Psittaciformes são as aves mais visadas no comércio ilegal de animais selvagens).

A gravidade do risco de extinção (a espécie pode ser classificada como vulnerável, ameaçada ou criticamente ameaçada) também está relacionada com o Produto Interno Bruto (PIB) per capita dos países de ocorrência. As economias mais desenvolvidas apresentam maiores taxas de urbanização e, consequentemente, uma pressão mais elevada nos habitats de Psittaciformes.

As cacatuas, como esta cacatua-das-palmeiras (Probosciger aterrimus), são encontradas na Oceania e também fazem parte da Ordem dos Psittacifformes - Foto: Jim Bendon/ Creative Commons

As cacatuas, como esta cacatua-das-palmeiras (Probosciger aterrimus), são encontradas na Oceania e também fazem parte da Ordem dos Psittacifformes – Foto: Jim Bendon/ Creative Commons

Curiosamente, e talvez contra-intuitivamente, o estudo também descobriu que o risco de extinção é menor para espécies de Psittaciformes amplamente mantidos em cativeiro como animais de estimação. Corroborando estudos recentes que mostram que a grande maioria das espécies dentro do comércio ilegal de aves domésticas e internacionais não está ameaçada.

Possivelmente, isso ocorre porque a maioria dos caçadores se concentra em espécies que são encontradas mais frequentemente. No entanto, o comércio ilegal está levando algumas espécies para a extinção rapidamente.

Papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva) - Foto: Fábio Paschoal

O papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva), que ocorre em todo o Brasil, é uma das espécies mais impactadas pelo tráfico de animais – Foto: Fábio Paschoal

A pesquisa também elencou 10 países prioritários para a conservação dos Psittaciformes (Brasil, Indonésia, Austrália, Colômbia, Bolívia, Equador, Peru, Papua Nova Guiné, Venezuela e México) e indicou as ações necessárias para a conservação em diferentes partes do mundo:

  • Região Neotropical (Américas Central e do Sul): proteção e gestão de áreas utilizadas pelos Psittaciformes
  • África: melhoria da legislação e programas de reprodução em cativeiro
  • Sudeste da Ásia e Oceania: aumentar a conscientização e a proteção de habitats
Arara-azul (Anodorhynchus hyacinthinus), a maior arara do mundo - Foto: Fábio Paschoal

Graças aos esforços do Projeto Arara Azul, a maior arara do mundo (Anodorhynchus Hyacinthinus) saiu da Lista de Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção em 2014 – Foto: Fábio Paschoal

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