Novas espécies de sapos são descobertas em montanhas na Mata Atlântica de SC

Melanophryniscus biancae, Nova espécie de sapo batizada em homenagem a Bianca L. Reinert , que contribuiu com a conservação da natureza no Brasil. A espécie foi classificada na categoria "Em perigo de extinção" da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês) - Foto: Luiz Fernando Ribeiro/Fundação Grupo Boticário

Melanophryniscus biancae, nova espécie de sapo batizada em homenagem a Bianca L. Reinert, que contribuiu com a conservação da natureza no Brasil. A espécie foi classificada na categoria “Em Perigo de Extinção” da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês) – Foto: Luiz Fernando Ribeiro/Fundação Grupo Boticário

Três novas espécies de sapos do gênero Melanophryniscus foram descobertas na Mata Atlântica, na região da Serra do Mar entre as cidades de Garuva e Blumenau, Santa Catarina. Eles vivem em grandes altitudes, na base das folhas de bromélias terrestres, e são altamente sensíveis às mudanças climáticas.

A descrição das novas espécies foi feita em artigo publicado no periódico científico PLOS ONE. Elas são encontradas exclusivamente em campos no alto da serra do Quiriri e em florestas no alto da serra Queimada e nos morros do Baú e do Cachorro.

“As novas descobertas mostram quão rica é a biodiversidade da Mata Atlântica, ainda que restem apenas 8% desse ambiente natural tão vasto e desconhecido para muitos brasileiros apesar de concentrar cerca de 70% da população do país”, afirmou Malu Nunes, diretora-executiva da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, instituição que apoiou a pesquisa desse projeto. Entre 2013 e 2015, esse mesmo projeto propiciou a descoberta de oito novas espécies de sapinhos de outro gênero, Brachycephalus.

Com tamanhos que variam de 1 a 2,5 centímetros, as novas espécies possuem a pele escura, com verrugas e espinhos, e se alimentam basicamente de formigas e ácaros. Esses alimentos liberam substâncias químicas que se acumulam na pele dos sapos e os tornam venenosos, principalmente para seus predadores (como as cobras, por exemplo).

Melanophryniscus xanthostomus, nova espécie batizada em alusão a uma característica muito peculiar: a cor amarela (xanthos) que orna a boca do sapinho - Foto: Luiz Fernando Ribeiro/Fundação Grupo Boticário

Melanophryniscus xanthostomus, nova espécie batizada em alusão a uma característica muito peculiar: a cor amarela (xanthos) que orna a boca do sapinho – Foto: Luiz Fernando Ribeiro/Fundação Grupo Boticário

“O mais notável das espécies descobertas é que elas vivem em água acumulada pela chuva na base das folhas de bromélias terrestres, enquanto que as demais espécies se reproduzem em córregos e em poças”, disse o pesquisador da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Marcos R. Bornschein, biólogo e estudioso de aves e anfíbios desde o final da década de 1980.

Mesmo vivendo no alto das montanhas, os sapinhos são vulneráveis a impactos provocados pela ação humana. Desmatamento, queimadas, silvicultura e mineração são os principais problemas. “A nossa preocupação é com a ameaça de extinção dessas espécies”, alerta Bornschein.

As pesquisas e levantamentos efetuados pelos cientistas indicam que a espécie Melanophryniscus biancae corre perigo de extinção. As outras duas espécies ainda não podem ser classificadas de acordo com os critérios da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês) porque mais dados precisam ser coletados.

Melanophryniscus milanoi, nova espécie de sapo batizada em homenagem a Miguel S. Milano, que contribuiu com a conservação da natureza no Brasil - Foto: Luiz Fernando Ribeiro/Fundação Grupo Boticário

Melanophryniscus milanoi, nova espécie de sapo batizada em homenagem a Miguel S. Milano, que contribuiu com a conservação da natureza no Brasil – Foto: Luiz Fernando Ribeiro/Fundação Grupo Boticário

Participaram também da pesquisa os biólogos Márcio Pie, também da UFPR, e Luiz Fernando Ribeiro, da PUCPR. Todos são pesquisadores associados do Mater Natura – Instituto de Estudos Ambientais, que é a organização proponente e a executora do projeto junto à Fundação Grupo Boticário.

Além das instituições mencionadas anteriormente, a STCP Engenharia de Projetos e a Prefeitura de Joinville também contribuíram para a realização da pesquisa.

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