Pesquisadores investigam a ocorrência de nova espécie de raia gigante no Brasil

Raia gigante com características nunca antes observadas em estudos científicos registrada no litoral do Brasil - Foto: Maurício Algaba Moya/Projeto Mantas do Brasil

Raia gigante com características nunca antes observadas em estudos científicos, registrada no litoral do Brasil – Foto: Maurício Algaba Moya/Projeto Mantas do Brasil

Mergulhadores registraram raias gigantes na costa brasileira com características nunca antes observadas em estudos científicos. Segundo pesquisadores do Projeto Mantas do Brasil, os animais podem ser de uma nova espécie do gênero Manta (atualmente com dois representantes no mundo).

[Veja o post: Projeto Mantas do Brasil: a luta para salvar a jamanta da extinção]

As manchas e pintas no ventre da raia-manta são únicas, como impressões digitais. Elas servem para diferenciar um indivíduo do outro - Foto: Leo Francini/Mantas do Brasil

O ventre da raia-manta-gigante (Manta birostris) geralmente é branco com pintas concentradas próximas aos órgãos reprodutivos e as bordas das nadadeiras peitorais (“asas”) são cinza – Foto: Leo Francini/Mantas do Brasil

Hoje, a única raia do gênero encontrada no litoral brasileiro é a raia-manta-gigante (Manta birostris), também conhecida como jamanta. A espécie habita os oceanos do mundo inteiro. Por aqui é observada no litoral do Paraná e de São Paulo. Possui dorso negro com duas manchas brancas geométricas que formam uma máscara em forma de T. O ventre normalmente é branco com pintas concentradas próximas aos órgãos reprodutivos e as bordas das nadadeiras peitorais (“asas”) são cinza. Pode atingir até 8 metros de envergadura e chega a pesar 2 toneladas. Segundo a pesquisadora e mergulhadora Ana Paula Balboni Coelho, coordenadora-geral do Projeto Mantas do Brasil, na base da cauda da manta-gigante existe uma massa calcificada coberta de pele (vestígio do extinto ferrão, que desapareceu no processo evolutivo).

O ventre da raia-manta-recifal (Manta_alfredi) lembra a coloração de um dálmata - Foto: Jaine FRA, Couturier LIE, Weeks SJ, Townsend KA, Bennett MB, et al. (2012)/ Creative Commons

O ventre da raia-manta-recifal (Manta alfredi) lembra a coloração de um dálmata – Foto: Jaine FRA, Couturier LIE, Weeks SJ, Townsend KA, Bennett MB, et al. (2012)/ Creative Commons

A segunda espécie descrita do gênero, a raia-manta-recifal (Manta alfredi), ocorre nos oceanos Pacífico e Índico, sem nenhum registro para o Atlântico. Elas são menores, dificilmente ultrapassam os 5 metros de envergadura, possuem dorso negro com duas manchas brancas que formam uma máscara em forma de Y. Normalmente o ventre é branco com pintas espalhadas. “Lembra a coloração de um dálmata”, diz Coelho. A massa calcificada na base da cauda desapareceu completamente no processo evolutivo.

Segundo Osmar Luiz Junior, biólogo e diretor científico do Projeto Mantas do Brasil, é possível identificar características diferentes nos animais observados pelos mergulhadores: colorações do dorso e do ventre, envergadura e peso. A massa calcificada na base da cauda, apesar de existente, é menor do que o da jamanta. A área de incidência também indica que as mantas observadas podem ser de uma outra espécie. Elas foram encontradas entre o litoral de São Paulo e os arquipélagos de Fernando de Noronha e de São Pedro e São Paulo, no Nordeste.

As raias registradas no Brasil (foto) e as raias do Golfo do México possuem características muito similares e os cientistas suspeitam de que são animais da mesma espécie, ou subespécie - Foto: Maurício Algaba Moya/Projeto Mantas do Brasil

As raias registradas no Brasil (foto) e as raias do Golfo do México possuem características muito similares e os cientistas suspeitam de que são animais da mesma espécie, ou subespécie – Foto: Maurício Algaba Moya/Projeto Mantas do Brasil

A descoberta desse grupo de raias ocorre em paralelo à descoberta de uma terceira espécie de raia manta no Golfo do México, que está sendo descrita pela pesquisadora Andrea Marshall, da Marine Megafauna Foundation, parceira do Projeto Mantas do Brasil. Ela comprovou que a jamanta e a raia do Golfo do México são geneticamente diferentes. A próxima fase é analisar o material genético da população recentemente observada no Brasil e determinar a qual espécie pertence.

As raias recentemente observadas possuem características comuns às duas espécies já descritas - Foto: Maurício Algaba Moya/Projeto Mantas do Brasil

As raias recentemente observadas possuem características comuns às duas espécies já descritas – Foto: Maurício Algaba Moya/Projeto Mantas do Brasil

Manta birostris e Manta alfredi estão na categoria vulnerável da Lista Vermelha das espécies ameaçadas da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês). A nova espécie deve correr um risco maior de extinção devido à distribuição mais restrita.

Todos os anos o turismo de mergulho atrai, de forma crescente, milhares de mergulhadores que buscam as belezas da vida marinha. A descoberta de uma nova espécie de manta pode ser benéfica para a atividade e reforça a importância da luta pela conservação das raias gigantes e dos ecossistemas marinhos.

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