Santiago: em busca dos lobos-marinhos de Galápagos

Encontrado exclusivamente no arquipélago, o lobo-marinho-de-galápagos (Arctocephalus galapagoensis) pode ser reconhecido pelos seus grandes olhos, uma adaptação para caçar peixes e lulas à noite. Assim evita predadores e não compete com o leão-marinho por alimento - Foto: Fábio Paschoal

Encontrado exclusivamente no arquipélago, o lobo-marinho-de-galápagos (Arctocephalus galapagoensis) é um animal noturno – Foto: Fábio Paschoal

Capítulo 15 da série Galápagos: Ilhas Encantadas

Desembarcamos na ilha de Santiago e fomos recebidos por atobás-de-pés-azuis e dois piru-pirus que patrulhavam a costa em busca de alimento e por uma lagarta-de-lava solitária que procurava abrigo embaixo das rochas, para se proteger do sol forte.

[Veja a introdução e o sumário da série Galápagos: Ilhas Encantadas]

[Veja o capítulo 14 da série Galápagos: Ilhas Encantadas]

Os pirupirus (Haematopus palliatus) são achados em costões rochosos, próximos da área de arrebentação. Em Galápagos não é diferente. As aves utilizam seus longos bicos vermelhos para extrair moluscos de suas conchas. Elas também caçam camarões, caranguejos e outros invertebrados - Foto: Fábio Paschoal

Os pirupirus (Haematopus palliatus) são achados em costões rochosos, próximos da área de arrebentação. Em Galápagos não é diferente. As aves utilizam seus longos bicos vermelhos para extrair moluscos de suas conchas. Elas também caçam camarões, caranguejos e outros invertebrados – Foto: Fábio Paschoal

Atobás-de-pés-azuis descansam nas pedras em frente à ilha de Santiago - Foto: Fábio Paschoal

Atobás-de-pés-azuis descansam nas pedras em frente à ilha de Santiago – Foto: Fábio Paschoal

Lagarto de lava fêmea (Microlophus albemarlensis) - Foto: Fábio Paschoal

Lagarto de lava fêmea (Microlophus albemarlensis) – Foto: Fábio Paschoal

Passamos a praia e seguimos para o costão rochoso. Muitas aves migratórias, não tão amistosas quanto os habitantes locais, estavam por ali, acompanhadas de tentilhões, caranguejos e iguanas marinhas.

Com pernas e garras escarlates, barriga azul e costas alaranjadas, o aratu-vermelho (Grapsus grapsus) é uma espécie que definitivamente chama a atenção de quem visita Galápagos - Foto: Fábio Paschoal

Com pernas e garras escarlates, barriga azul e costas alaranjadas, o aratu-vermelho (Grapsus grapsus) é uma espécie que definitivamente chama a atenção de quem visita Galápagos – Foto: Fábio Paschoal

Aves migratórias também visitam Galápagos - Foto: Fábio Paschoal

Aves migratórias também visitam Galápagos – Foto: Fábio Paschoal

Começamos a andar até chegarmos aos grottos, pequenas cavernas conectadas ao oceano formadas pelo colapso de tubos de lava. As águas calmas e as passagens estreitas são perfeitas para os lobos-marinhos que descansam por ali sem se preocupar com predadores.

Os grottos são pequenas cavernas conectadas ao oceano formadas pelo colapso de tubos de lava - Foto: Fábio Paschoal

Os grottos são pequenas cavernas conectadas ao oceano formadas pelo colapso de tubos de lava – Foto: Fábio Paschoal

Ao chegarmos ao primeiro grotto observei duas coisas boiando. Eram dois lobos-marinhos que, para a nossa surpresa, estavam dormindo dentro d’água. Balançavam de um lado para o outro enquanto as ondas chegavam calmamente pela entrada estreita. Vez ou outra batiam na parede, acordavam assustados, olhavam ao redor, davam um grande bocejo e voltavam a dormir. Estavam exaustos. E não era para menos, afinal eles são animais noturnos. Possuem grandes olhos necessários para a pesca durante a noite, quando ataques de tubarões, seus principais predadores, são menos prováveis.

Lobos-marinhos descansam nos grottos. Chegam até a dormir enquanto boiam - Foto: Fábio Paschoal

Lobos-marinhos descansam nos grottos. Chegam até a dormir enquanto boiam – Foto: Fábio Paschoal

Em volta havia outros lobos que conseguiram reunir forças para subir até as rochas. Mas já tinham sucumbido, exaustos, e se encontravam esparramados pela costa. Alguns abriam um dos olhos para nos observar. O máximo de esforço que faziam era abrir a boca para um bocejo longo e preguiçoso. Animais muito simpáticos.

O lobo-marinho pode ser reconhecido pelos seus grandes olhos, uma adaptação para caçar peixes e lulas à noite. Assim evita predadores e não compete com o leão-marinho por alimento – Foto: Fábio Paschoal

A característica mais marcante de Santiago é o vulcão Pan de Azucar (Pão de açúcar ), escalado por Darwin em 1835 – Foto: Fábio Paschoal

Deixamos nossos amigos sonolentos e voltamos para a praia. Era hora do mergulho! Decidi ir para a área de arrebentação, onde várias tartarugas-verdes-do-pacífico se alimentavam. São lentas até debaixo d’água, porém muito graciosas. Mesmo em meio às águas turbulentas batiam as nadadeiras lentamente, como se estivessem voando em câmera lenta. Comecei a explorar águas mais profundas, onde alguns cardumes pequenos de peixes coloridos passeavam calmamente.

De repente, ouço um barulho e uma boca gigante se abre na minha frente! Era um Pelicano em busca de peixes! As aves mergulhavam como foguetes bem ao meu lado e engoliam os pequenos peixes que não tinham a menor chance. Foi incrível observar aquele ataque aéreo debaixo d’água.

Pelicanos-pardos planam acima do mar. Quando avistam um cardume mergulham como foguetes abrem a boca e pegam uma grande quantidade de comida – Foto: Fábio Paschoal

Ao contrário dos lobos-marinhos, os leões marinhos são ativos durante o dia – Foto: Fábio Paschoal

Estava pronto para ir embora quando me deparo com dois olhos a minha frente! Um leão-marinho estava me observando. Estava tão perto que poderia tocá-lo. Ele começou a nadar junto comigo e logo mais três se juntaram conosco. Senti como se fizesse parte do grupo. Foi fantástico!

Era hora de voltar para o barco e seguir para a ilha de Rábida. (Veja o capítulo 16 da série Galápagos: Ilhas Encantadas)

DICAS

Santiago possui formações chamadas de grottos (piscinas naturais), onde os lobos-marinhos-de-galápagos nadam com tranquilidade. É um ótimo lugar para a flutuação com snorkel: tartarugas-marinhas e leões-marinhos podem ser observados, enquanto pelicanos mergulham tentando abocanhar cardumes de peixes coloridos.

PRINCIPAIS ATRAÇÕES

  • Lobos-marinhos-de-galápagos
  • Grottos (piscinas naturais formadas pelo colapso de tubos de lava)
  • Mergulho de snorkel com leões-marinhos e tartarugas marinhas e, com sorte, grupos de pelicanos e atobás mergulhando nas proximidades.
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One thought on “Santiago: em busca dos lobos-marinhos de Galápagos

  1. Fantástico Fábio parabéns lindas fotos!!!! Da vontade de viajar para GALÁPAGOS! Amei os Atobás-de-pés-azuis que coisa linda! Bem azuis! Espetacular! bjos

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