Biguá-de-galápagos: a ave que tem asas mas não voa

Biguá-de-galápagos (Phalacrocorax harrisi) espécie vulnerável segundo a IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês) - Foto: Fábio Paschoal

Biguá-de-galápagos (Phalacrocorax harrisi), também conhecido como cormorão-de-galápagos, espécie vulnerável segundo a IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês) – Foto: Fábio Paschoal

Capítulo 14 da série Galápagos: Ilhas encantadas

Galápagos está localizado a mais de 900 quilômetros da costa da América do Sul, na linha do Equador. Formadas por vulcões há mais de 5 milhões de anos, as ilhas foram colonizadas por diferentes espécies de aves vindas do continente, provavelmente desviadas de seu caminho por tempestades. Entre essas espécies estavam os biguás-de-galápagos, aves que perderam o voo após milhões de anos de evolução. Mas como isso aconteceu?

[Veja a introdução e o sumário da série Galápagos: Ilhas Encantadas]

[Veja o capítulo 13 da série Galápagos: Ilhas Encantadas]

Os biguás, também conhecidos como cormorões, possuem pés com membranas interdigitais. Elas aumentam a superfície de contato e fornecem uma força extra para a locomoção embaixo d’água. Para tornar o corpo mais aerodinâmico, as aves fecham as asas e não as utilizam enquanto estão perseguindo uma presa.

Os biguás encontrados no continente ainda mantêm a habilidade de voar para fugir de predadores. Porém, o voo demanda muita energia e as aves não irão viajar pelos céus se for seguro ficar pelo chão, especialmente em ilhas onde os ventos podem levar um indivíduo para o oceano aberto. Como nenhum predador que poderia ameaçar os biguás conseguiu chegar até Galápagos, o melhor para as aves era manter os pés no chão.

Enquanto uma geração sucedia a outra, sem voar sequer uma vez, suas asas foram diminuindo até que surgiu uma nova espécie, o biguá-de-galápagos. Hoje, as asas que eles abrem para secar após uma pescaria são tão pequenas que certamente não os sustentariam no ar.

Após a pescaria, os biguás abrem as asas e ficam ficam no sol para secar. Assim eles ficam mais leves para levantar voo. O biguá-de-galápagos manteve esse comportamento - Foto: Fábio Paschoal

Após a pescaria, os biguás abrem as asas e ficam ficam no sol para secar. Assim eles ficam mais leves para levantar voo. O biguá-de-galápagos (foto) manteve esse comportamento – Foto: Fábio Paschoal

Darwin, em seu livro A Origem das Espécies, discutiu as consequências do uso e desuso em populações de insetos localizados em ilhas. Eles tendem a perder o voo.

O naturalista atribuiu essa perda à Seleção Natural e concluiu: “Eu acredito que a perda quase total da capacidade de voar de inúmeras espécies de aves, que agora residem ou colonizaram recentemente ilhas oceânicas, sem ameaça de nenhum predador, foi causada pelo desuso.” Ele ficaria maravilhado em ver o biguá-de-galápagos!

Hoje, após as ilhas serem colonizadas pelos seres humanos, a pesca predatória, a introdução de animais domésticos, que podem caçar as aves ou transmitir doenças, e eventos relacionados ao El Niño, que aumentam a temperatura dos oceanos e diminuem a quantidade de alimento disponível, colocam o biguás-de-galápagos na Lista Vermelha da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês) como espécie vulnerável.

A viagem pelo arquipélago continua. A próxima parada é na ilha de Santiago. (Veja o capítulo 15 da série Galápagos: Ilhas Encantadas)

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