Floresta Viva: o poder da fotografia voltado para a conservação da natureza

Foto de abertura da exposição Floresta viva - Um Legado para a Humanidade - Foto: Luciano Candisani

Onça-parda olha para uma das câmeras de um Estúdio da Mata.A imagem abre a exposição Floresta Viva – Um Legado para a Humanidade – Foto: Luciano Candisani

A exposição itinerante Floresta Viva – Um Legado Para a Humanidade  reúne fotos que retratam a biodiversidade do Legado das Águas – Reserva Votorantim, uma área de 31 mil hectares de Mata Atlântica que protege as nascentes da bacia do rio Juquiá e fica a 120 quilômetros da capital paulista.

As imagens foram registradas por Luciano Candisani. O fotógrafo de National Geographic foi nomeado membro da Liga Internacional de Fotógrafos pela Conservação (iLCP, na sigla em inglês) devido à relevância de seu trabalho para a conservação da natureza. “A minha motivação criativa é buscar imagens capazes de mostrar a ligação entre as espécies e o ambiente.”

O fotógrafo fará uma palestra durante o evento junto com a bióloga Frinéia Rezende. Eles irão mostrar a biodiversidade e as pesquisas em andamento no Legado das Águas – Reserva Votorantim. Candisani também vai falar sobre seu projeto fotográfico de longo prazo que desenvolve no local.

Desde 2012, Candisani realizou cerca de 40 expedições fotográficas ao Legado das Águas e registrou cerca de 60 espécies diferentes na reserva. A maior parte das fotografias foi feita da maneira convencional, quando o fotógrafo entra em silêncio na mata para registrar o comportamento dos animais.

Porém, as imagens mais marcantes da exposição foram clicadas pelos Estúdios da Mata: armadilhas fotográficas montadas por Candisani em pontos estratégicos da reserva, com equipamentos de última geração, que disparam o obturador da câmera quando o animal passa por um sensor de luz infravermelho. Flashes colocados em pontos estratégicos iluminam o ambiente e ajudam a compor o cenário.

Anta albina, registrada por um dos Estúdios da Mata - Foto: Luciano Candisani

Anta albina, registrada por um dos Estúdios da Mata – Foto: Luciano Candisani

As imagens registradas pelos Estúdios da Mata deixam uma mensagem clara: os animais não existem sem a floresta e a floresta não existem sem os animais. É impossível imaginar o Pantanal sem a onça-pintada, a Amazônia sem a harpia, a Caatinga sem a arara-azul-de-lear, o Cerrado sem o lobo-guará, os Pampas sem o gato-palheiro, a Mata-Atlântica sem o mico-leão-dourado.

Hoje, graças a Candisani, é impossível imaginar o Legado das Águas sem a anta albina. Um dos Estúdios da Mata fez o primeiro registro fotográfico do animal na natureza em terras brasileiras. A foto teve repercussão internacional, abriu uma linha promissora para pesquisas científicas e mostrou a importância de um dos últimos refúgios de Mata Atlântica para o mundo. Mas, o maior legado dessa imagem é a mudança que ela provocou nos moradores da região. “As pessoas começaram a sentir orgulho da anta branca e passaram a valorizar mais a reserva,” conta o fotógrafo.

Candisani buscava essa imagem desde sua primeira visita ao Legado das Águas, quando uma onça-parda cruzou a estrada diante de seus olhos e desapareceu. Mas em maio de 2015 o felino passou por um dos Estúdios da Mata e fez um autorretrato – Foto: Arquivo pessoal

Segundo Garth Lenz, membro da iLCP (veja o depoimento no vídeo abaixo), para a fotografia ajudar na conservação é necessário produzir imagens que provoquem mudanças e ter a certeza de que essas imagens cheguem aos olhos das pessoas que precisam vê-las. Certamente, Candisani está percorrendo esse caminho.

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One thought on “Floresta Viva: o poder da fotografia voltado para a conservação da natureza

  1. Minha congratulação pelo trabalho fotográfico realizado. O qual me apresentou a realidade dessas espécies ameaçadas, da fauna da Floresta da Mata Atlântica, no sudeste do Brasil. Explico: seu porte felino deveria pesar a cima de 100 kg, o que percebo talvez seu peso seja bem menor. O mesmo, para a Anta, um animal de grande porte. Tenho absoluta certeza que, este peso menor ameaçador de suas vidas, está relacionado com a extinção do seu alimento, devido a sua posição como uma espécie que pertence ao topo da cadeia alimentar. A caça indiscriminada, o desmatamento e a urbanização são talvez sejam os fatores mais responsáveis por tal extinção. A vida desses animais estão, portanto, ameaçadas de extinção. Obrigado por me mostrar a realidade cruel, deste meio físico de floresta. Abraços do Ttt13.

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