Galápagos: mar de ilhas

Vulcão Cotopaxi em Quito, Equador - Foto: Fábio Paschoal

Vulcão Cotopaxi em Quito, Equador – Foto: Fábio Paschoal

Capítulo 2 da série Galápagos: Ilhas Encantadas

Cruzamos a Cordilheira dos Andes, deixando Quito e seus vulcões para trás, e mergulhamos na imensidão do Pacífico. Aqui não importa para onde você olha, o azul do mar está em todas as direções. Após 965 quilômetros, a cor começa a mudar gradativamente para verde e ondas começam a se formar. Então, o avião começa a descer. Havíamos chegado em um mar de ilhas. Estávamos em Galápagos!

[Veja a introdução e o sumário da série Galápagos: Ilhas Encantadas]

[Veja o capítulo 1 da série Galápagos: Ilhas Encantadas]

Galápagos. Vista da janela do avião - Foto: Fábio Paschoal

Galápagos. Vista da janela do avião – Foto: Fábio Paschoal

Fomos recepcionados por um dos animais mais conhecidos do arquipélago: um dos tentilhões de Darwin. Apesar de existirem diferentes espécies com bicos variados para realizar tarefas distintas, são muito parecidos uns com os outros e ninguém dá muita importância para eles.

Com Darwin não foi diferente. Embora ele tivesse coletado diferentes espécies de tentilhões em ilhas diferentes, ele não havia anotado a ilha a que cada pássaro pertencia. Mesmo sabendo que eles eram importantes, Darwin não tinha informação para utilizá-los na construção da teoria da evolução e eles não são citados em seu livro A Origem das Espécies.

Tentilhões de Darwin em Galápagos, Equador - Foto: Fábio Paschoal

Tentilhões de Darwin em Galápagos, Equador – Foto: Fábio Paschoal

Após passar pela imigração do aeroporto da ilha de Baltra, nos dirigimos para o ônibus que nos levou ao porto. Logo que descemos recebemos os coletes para embarcarmos nas pangas, o nome local dos botes, e rumar para o nossa nova casa, o navio Galápagos Legend.

Galápagos Legend, nossa nova casa - Foto: Fábio Paschoal

Galápagos Legend, nossa nova casa – Foto: Fábio Paschoal

Pelicano-pardo (Pelecanus occidentalis) - Foto: Fábio Paschoal

Pelicano-pardo (Pelecanus occidentalis) – Foto: Fábio Paschoal

Assim que chegamos, corri para o deck superior de onde era possível ver pelicanos mergulhando em busca de peixes. Após o almoço fomos para a palestra de abertura do Cruzeiro para conhecer as regras do Parque Nacional. Fomos apresentados a nossa guia, Indy. Sempre sorridente nos passou todas as orientações necessárias para o nosso primeiro passeio: North Seymour, a casa das fragatas (Veja o capítulo 3 da série Galápagos:Ilhas Encantadas).

Conservação

Placa no Parque Nacional Galápagos - Foto: Fábio Paschoal

Placa no Parque Nacional Galápagos – Foto: Fábio Paschoal

Para proteger o frágil ecossistema e a vulnerabilidade dos animais é preciso seguir uma série de regras estabelecidas pelo Parque Nacional Galápagos, o que pode irritar algumas pessoas. Nenhum item pode ser removido, nem mesmo uma folha, uma pena ou uma pequena pedra. Nada pode ser transportado entre as ilhas e é necessário checar sapatos, roupas e mochilas antes de desembarcar em terra ou voltar para o barco. Os animais não podem ser tocados, perseguidos ou ameaçados e, em nenhuma circunstância, devem ser alimentados. Os visitantes devem permanecer nas trilhas, sempre acompanhados do guia naturalista, que é responsável por manter o grupo, composto por até 20 pessoas, unido.

Graças a essas medidas Galápagos foi retirada da lista de patrimônios mundiais ameaçados da Unesco em 2010, mas a pressão pelo aumento do número de turistas cresce a cada ano e é preciso que isso seja controlado. Só assim poderemos continuar chamando essas ilhas de encantadas.

DICAS

Como chegar

Não há voos diretos entre o aeroporto internacional de Quito e o Brasil. As opções aéreas são conexões via Panama com a Copa, Lima com a Taca ou Bogotá com a Avianca.também é possível chegar em Galápagos saindo do aeroporto de Guayaquil. O principal aeroporto do arquipélago fica na ilha de Baltra e o traslado normalmente é oferecido pelas operadoras.

Onde ficar

Cruzeiros fazem diferentes rotas e passam por ilhas diferentes. Pesquise antes de fechar um pacote - Foto: Fábio Paschoal

Cruzeiros fazem diferentes rotas e passam por ilhas diferentes. Pesquise antes de fechar um pacote – Foto: Fábio Paschoal

Você pode optar por se hospedar em hotéis em 4 ilhas: Santa Cruz, San Cristobal, Isabela e Floreana. É aconselhável para quem tem enjoo e não consegue ficar o tempo inteiro no barco. O problema é que é necessário pegar uma embarcação para fazer os passeios em outras ilhas, o que pode demorar 4 horas para ir e 4 para voltar em alguns casos.

Se você não tem problemas em dormir com o balanço das ondas, vale a pena fazer um cruzeiro. A vantagem de ficar em alto mar é o tempo economizado. Enquanto você está sonhando com o que verá no dia seguinte, o navio está rumando para a próxima ilha. Com isso você consegue visitar mais lugares e ver mais espécies do que se ficar hospedado em terra. Mas não pense em nada luxuoso, com vários restaurantes, jantar com o comandante e festas de gala. Em Galápagos a vida selvagem e o relevo esculpido pela atividade vulcânica são as principais atrações.

Atividades noturnas não são muito agitadas, pode ser um workshop de astronomia ou uma palestra sobre as atividades do dia seguinte. Mas você provavelmente vai querer descansar à noite, já que é necessário acordar cedo para fazer os passeios e pegar uma boa luz para fotografar os animais em sua hora de maior atividade.

Quando ir

Galápagos é um destino que pode ser visitado durante qualquer período do ano. A melhor época para viajar ao arquipélago irá depender das condições climáticas que você prefere e da paisagem que você deseja encontrar. A alta temporada é entre meio de junho e começo de setembro e de meio de dezembro até meio de janeiro. Isso não tem nada a ver com a atividade dos animais ou com o clima, mas com as férias na Europa e nos Estados Unidos (de onde vem a maioria dos turistas que visitam a região). Durante esses períodos é muito difícil conseguir uma reserva de última hora, então é melhor se preparar com alguns meses de antecedência. No entanto, o Parque Nacional Galápagos limita o número de turistas que podem visitar cada ilha, então você nunca vai se sentir como se estivesse em um parque de diversões.

Outro fator que deve ser considerado antes de ir é o clima. Durante a temporada de chuvas (dezembro a maio), apesar de chover um pouco quase todo dia, a temperatura é mais elevada, tornando as atividades aquáticas mais confortáveis. No entanto, você encontrará menos peixes devido a menor quantidade de alimento disponível nessa parte do oceano. A paisagem nas ilhas muda completamente e as árvores e arbustos voltam a produzir folhas verdes.

Quando as chuvas começam a se dissipar (em março e abril) várias plantas começam a florir e as ilhas são tomadas por cores diferentes. Durante a temporada de seca (junho a novembro) a Corrente de Humboldt chega às ilhas com força total, trazendo nutrientes, plâncton e as águas frias do fundo do oceano para a superfície. A fartura de peixes, que chegam à região para esse evento, é aproveitada pelas aves marítimas, que sincronizam seu período de reprodução com esse período para alimentar seus filhotes que esperam famintos nas ilhas. É a melhor época para observar a vida marinha, mas você deverá enfrentar o mar gelado para alcançar o seu objetivo.

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One thought on “Galápagos: mar de ilhas

  1. Ótima matéria que foi uma das referências pra minha visita ao arquipélago, uma experiência incrível que espero repetir ainda. Recomendo!!!

    Algumas fotos dessa aventura pelas 3 ilhas principais (Isabela, Santa Cruz e San Cristobal):

    01

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