Projeto Tatu Canastra ganha o ‘Oscar Verde’ pelo trabalho de conservação da espécie no Pantanal

Tatu-canastra (Priodontes maximus) – Foto: projeto Tatu-Canastra

Arnaud Desbiez, coordenador do Projeto Tatu-Canastra, uma iniciativa do Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ) e da Royal Zoological Society of Scotland, recebeu hoje (29) o Whitley Award. O prêmio, conhecido também como “Oscar Verde”, é  um dos mais prestigiados do mundo na área da conservação ambiental e foi criado para apoiar financeiramente os trabalhos que atuam na preservação de espécies ameaçadas de extinção.

O prêmio foi entregue em cerimônia na Royal Geographical Society, em Londres. Desbiez foi reconhecido pelo seu trabalho de conservação do tatu-canastra, também conhecido como tatu-gigante, no Pantanal do Mato Grosso do Sul, região de Nhecolândia.

O tatu-canastra é o maior membro de sua família (Dasypodidae). É um animal robusto, dotado de enormes garras que servem para cavar buracos em busca de formigas e cupins. Seu corpo é coberto por uma carapaça coriácea que o protege contra predadores. Pode pesar até 50 quilos e chega a medir 1,5 metro de comprimento (incluindo a cauda).

Apesar de seu tamanho e de sua grande área de distribuição é um animal raro de ser observado. A espécie é visada por caçadores e o desmatamento está destruindo o seu habitat. Além disso, passa a maior parte do tempo embaixo da terra. Há quem diga que é uma criatura mitológica, outros acreditam que não exista mais. Porém, essa história começou a mudar quando Arnaud criou o Projeto de Conservação do Tatu Canastra em 2010 e iniciou o primeiro estudo ecológico de longo prazo sobre a espécie. Novas informações surgiram e a importância da espécie como engenheira do ecossistema foi revelada (veja o post Tatu-canastra: o engenheiro ambiental indispensável para o ecossistema)

Arnaud Desbiez (esquerda) e Danilo Kluyber (direita) tiraram amostras de sangue de um tatu-canastra - Foto: Foto: Kevin Schafer/ Projeto Tatu Canastra - Foto: Foto: Projeto Tatu-Canastra

Arnaud Desbiez (esquerda) e Danilo Kluyber (direita) coletam dados e tiraram amostras de sangue de um tatu-canastra anestesiado. O animal foi solto após o procedimento – Foto: Foto: Kevin Schafer/ Projeto Tatu Canastra – Foto: Foto: Projeto Tatu-Canastra

Arnaud Desbiez (esquerda) e Danilo Kluyber (direita) soltam um tatu-canastra no Pantanal após pesar, medir e tirar amostras de sangue - Foto: Foto: Kevin Schafer/ Projeto Tatu Canastra

Arnaud Desbiez (esquerda) e Danilo Kluyber (direita) soltam um tatu-canastra no Pantanal após pesar, medir e tirar amostras de sangue – Foto: Foto: Kevin Schafer/ Projeto Tatu Canastra

Agora, Arnaud pretende expandir os esforços de conservação do Pantanal para o Cerrado, ambiente que funciona como uma ponte entre Amazônia, Pantanal, Mata Atlântica, Caatinga e Pampas, compartilha animais e plantas com todos esses biomas e é habitat de espécies endêmicas. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, o Cerrado ocupa cerca de 22% do território nacional, abriga as nascentes das três maiores bacias hidrográficas da América do Sul (Amazônica/Tocantins, São Francisco e Prata), e é reconhecido como a savana mais rica do mundo em termos de biodiversidade. Arnaud e sua equipe irão coletar dados para apoiar a criação de uma rede de áreas protegidas e enfrentar ameaças à sobrevivência das espécies.

Edward Whitley, fundador do Whitley Fund for Nature, disse: “O calibre dos vencedores do Whitley este ano é excelente. Embora cada um enfrente notáveis e  diferentes desafios em seus países de origem, esses indivíduos excepcionais são apaixonados por garantir um futuro melhor para as pessoas e animais selvagens. Os prêmios Whitley são uma celebração de seus esforços e realizações.”

Arnaud é um dos sete vencedores do Whitley Awards que dividem o prêmio no valor total de £ 245.000 (35 mil libras esterlinas, cerca de R$ 160 mil, para cada projeto).

Arnaud Desbiez recebe o Prêmio Whitley da princesa Anne da Inglaterra, em cerimônia de gala realizada na sede da Royal Geographical Society, em Londres - Foto: Divulgação

Arnaud Desbiez recebe o Prêmio Whitley da princesa Anne da Inglaterra, em cerimônia de gala realizada na sede da Royal Geographical Society, em Londres – Foto: Whitley Fund for Nature

Outros vencedores do Whitley Awards 2015 são:

  • Panut Hadisiswoyo, da Indonésia por seu projeto de conservação com orangotangos de Sumatra
  • Pramod Patil, da Índia, que luta pela preservação de uma ave do Deserto de Thar
  • Rosamira Guillen, da Colômbia, pela conservação do Saguinus oedipus no norte do país
  • Inaoyom Imong, da Nigéria: que vem defendendo os gorilas nas montanhas Mbe
  • Jayson Ibañez, das Filipinas: por prevenir o declínio da águia filipina na ilha de Mindanao
  • Ananda Kumar, da Índia: pelo trabalho para permitir a coexistência entre humanos e elefantes no sul da Índia
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2 thoughts on “Projeto Tatu Canastra ganha o ‘Oscar Verde’ pelo trabalho de conservação da espécie no Pantanal

  1. Que bom saber que tem pessoas que cuida da especie do tatu canastra que é um
    um animal raro já tive a oportunidade de ver esse tatu quando morei no
    Mato Grosso á uns 45 e cinco anos atrás

  2. Parabéns! Seu tio Geraldo tinha comentado à respeito do seu trabalho. Que Deus continue te protegendo nessa sua jornada . Abraços

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