Projeto Mantas do Brasil: a luta para salvar a jamanta da extinção

Quem observa a raia-manta (Manta birostris) nadando pacificamente pelo mar, batendo as nadadeiras como se estivessem planando no ar, não imagina que esses animais são capazes de dar saltos espetaculares. O crescimento do turismo sustentável aumenta o valor econômico da espécie em relação à pesca predatória Status na IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês): espécie vulnerável – Foto: Leo Francini/Mantas do Brasil

A raia-manta (Manta birostris), também conhecida como jamanta, pode alcançar 8 metros de envergadura e chega a pesar 2 toneladas. Esse tamanho todo serve como defesa contra predadores, já que ela não possui ferrão ou espinhos. Nadam grandes distâncias em busca de plâncton e pequenos peixes, filtrados na coluna d’água. São animais dóceis e interagem pacificamente com mergulhadores enquanto nadam suavemente pelo oceano ou realizam saltos espetaculares em que parecem estar voando sobre a superfície da água.

Porém, a pesca predatória e a pesca incidental (bycatch), quando o animal acaba preso numa rede de pesca, colocam a espécie na categoria vulnerável da lista vermelha de espécies ameaçadas da IUCN (União Internacional pela Conservação da Natureza na sigla em inglês). Para tentar mudar essa história nasceu o Projeto Mantas do Brasil, que tem o objetivo de aumentar o conhecimento sobre a jamanta, compreender o processo migratório dos animais pela costa brasileira e salvar a raia-manta da extinção.

Sediado na Baixada Santista, onde fica o Parque Estadual Marinho da Laje de Santos (PEMLS), o Projeto Mantas do Brasil registra o comportamento das raias-mantas através de observações e filmagens, faz a identificação dos indivíduos avistados através de fotos, implanta transmissores portáteis (tags) que processam, codificam e enviam, dados importantes (como profundidade, luminosidade, salinidade, temperatura e pressão do ambiente) para o estudo do comportamento dos animais em seus deslocamentos em mar aberto.

As manchas e pintas no ventre da raia-manta são únicas, como impressões digitais. Elas servem para diferenciar um indivíduo do outro - Foto: Leo Francini/Mantas do Brasil

As manchas e pintas no ventre da raia-manta são únicas, como impressões digitais. Elas servem para diferenciar um indivíduo do outro – Foto: Leo Francini/Mantas do Brasil

“A Laje de Santos é o principal ponto de observação da raia-manta no país. Desde que iniciamos o monitoramento da espécie, reunindo registros de mais de 20 anos e coletando novos registros e observações, já comprovamos 100 animais visitando a região”, comenta a coordenadora geral do Projeto Mantas do Brasil, Ana Paula Balboni Coelho.

Os pesquisadores também coletam amostras para analise genética, medem o tamanho dos peixes e executam atividades de educação ambiental com turistas, pescadores, mergulhadores, professores e estudantes.

A foto para identificação de uma jamanta deve mostrar o ventre do animal - Foto: Maurício Andrade

A foto para identificação de uma jamanta deve mostrar o ventre do animal – Foto: Maurício Andrade

Segundo a assessoria de imprensa do projeto é preciso combater a pesca predatória no oriente. Desde 2013, a pesca de raias-mantas é proibida na costa brasileira e não há comprovação da atividade no Brasil, mas os pesquisadores ouvem relatos de núcleos de pescadores que consomem jamantas no Nordeste. O maior problema por aqui é a pesca incidental que pode ser combatida com os dados obtidos pelos transmissores. Após traçar as rotas utilizadas pelos peixes na costa brasileira, será possível orientar e, se necessário, alterar as rotas de pesca para evitar o bycatch.

Qualquer pessoa pode ajudar na preservação dos peixes. É só fazer o cadastro no site do Projeto Mantas do Brasil e participar do Curso de Capacitação para a Fotoidentificação de Raias-mantas. Após assistir a videoaulas e passar na prova, a pessoa recebe o certificado de Cidadão Cientista e pode começar a ajudar os pesquisadores com a obtenção de dados importantes para a conservação da espécie.

A melhor época para observação das raias-mantas no litoral de São Paulo é entre junho e julho - Foto: Leo Francini/Mantas do Brasil

A melhor época para observação das raias-mantas no litoral de São Paulo é entre junho e julho – Foto: Leo Francini/Mantas do Brasil

O Projeto Mantas do Brasil chega ao quinto ano de atividades, com patrocínio da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental e Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), administradora do Porto de Santos.

Para saber mais acesse o site do Projeto Mantas do Brasil.

Raia-manta e mergulhador na Laje de Santos - Foto: Leo Francini/Mantas do Brasil

Raia-manta e mergulhador na Laje de Santos – Foto: Leo Francini/Mantas do Brasil

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2 thoughts on “Projeto Mantas do Brasil: a luta para salvar a jamanta da extinção

  1. A raia-manta (Manta birostris) <—– A raia manta não é só *Manta birostris* mas o certo seria: A raia manta ou jamanta ou a raia Manta da família Mobulidae. =)

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