Plantas invasoras são benéficas para as tartarugas-gigantes de Galápagos

O Parque Nacional Galápagos estuda a possibilidade do início de um projeto de reprodução e criação em cativeiro para recuperar a espécie de tartarugas-gigantes da ilha de Pinta. O programa já é realizado com outras espécies que estão sendo reintroduzidas em suas ilhas de origem - Foto Fábio Paschoal

Tartarugas-gigantes de Galápagos na ilha de Santa Cruz – Foto Fábio Paschoal

A maioria das pesquisas sobre espécies invasoras mostra o impacto negativo causado nas espécies nativas. Porém, um estudo publicado no periódico Biotropica, conduzido no arquipélago de Galápagos por Stephen Blake, da Universidade de Washington in St. Louis, e Fredy Cabrera, da Centro de Pesquisa Charles Darwin, mostra um resultado surpreendente.

[Veja o post A luta para evitar a extinção das tartarugas-gigantes de Galápagos]

As plantas introduzidas compõem cerca de metade da dieta das tartarugas-gigantes de Galápagos. E, o que é mais surpreendente, as invasoras parecem ser benéficas em termos nutricionais para as tartarugas e as ajudam a ficarem saudáveis.

O estudo foi conduzido na ilha de Santa Cruz, em um vulcão onde duas espécies de tartarugas-gigantes são encontradas. A ilha também é o lugar de maior concentração humana nas Galápagos. Cerca de 86% das montanhas e outras zonas úmidas foram degradadas pela agricultura ou espécies invasoras.

“A conservação da biodiversidade é um grande problema para os gestores das Ilhas Galápagos”, diz Stephen Blake no site da Universidade de Washington in St. Louis. “Erradicar as mais de 750 plantas invasoras é quase impossível, e mesmo o controle é complicado. Por sorte, a conservação das tartarugas-gigantes parece ser compatível com a presença de algumas espécies introduzidas.”

Foram as tartarugas-gigantes com casco em forma de sela que deram o nome à Galápagos – Foto: Fábio Paschoal

Entenda o estudo

As plantas invasoras começaram a aumentar em 1930, quando a agricultura começou a tomar o espaço da vegetação nativa. As tartarugas-gigantes seguiam o caminho oposto. Quatro das 14 espécies (subespécies dependendo do autor) foram extintas e as 10 que restaram são consideradas vulneráveis ou ameaçadas de extinção.

Em 2009, Blake colocou GPS em duas espécies de tartarugas-gigantes de Galápagos da ilha de Santa Cruz e descobriu que os animais migram da parte baixa da ilha, quando chega o período de seca, para a parte mais alta, que permanece verde por todo o ano.

Este fato intrigou o pesquisador. Tartarugas-gigantes de Galápagos podem sobreviver por um ano sem comer e beber. Por que um animal de 250 quilos iria se deslocar para cima e para baixo em busca de comida ao invés de esperar o final da temporada de seca? A resposta estava no balanço energético dos répteis.

Durante quatro anos os cientistas seguiram as tartarugas e, durante 10 minutos, anotavam as espécies que eram escolhidas como alimento pelos quelônios e qual a parte da planta era consumida. Os resultados mostraram que as tartarugas passavam mais tempo se alimentando em espécies introduzidas do que nativas. “Isso não foi umasurpresa,” disse Blake para o site da Universidade de Washington in St. Louis. “Considere do ponto de vista da tartaruga. A goiaba nativa, por exemplo, produz frutos pequenos com sementes grandes, pouca poupa e uma casca grossa. A goiaba introduzida é maior, contem polpa doce e abundante e um casca fina.”

A veterinária do zoológico de St. Louis, Sharon Deem, era parte da equipe de pesquisa e monitorou a saúde e a nutrição dos animais. Todos os indicadores nutricionais utilizados no estudo sugerem que as espécies introduzidas têm um efeito neutro ou positivo na condição física dos animais. As espécies invasoras podem até ajudar a melhorar as condições das tartarugas-gigantes durante o período de seca.

Como o retorno da vegetação nativa em Galápagos é muito improvável, é reconfortante saber que as invasoras podem ajudar um dos ícones do arquipélago.

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