Camaleão: o mestre das cores

Camaleão ao lado da estrada - Foto: Fábio Paschoal

Camaleão ao lado da estrada – Foto: Fábio Paschoal

Capítulo 7 da série África Selvagem: Em Busca da Grande Migração

Partimos cedo para enfrentar a viagem até o Serengeti. O caminho era longo e não havia tempo a perder. George, nosso guia, seguia rapidamente. Mas, de repente, o carro parou!  George engatou a ré e começou a manobrar. Comecei a procurar por bichos, mas não conseguia ver absolutamente nada. “O que está acontecendo?” “Por que você está parando?” “Você está vendo alguma coisa?” Nosso guia abriu a porta do carro, apontou para o chão e disse “Camaleão!”.

[Veja a introdução e o sumário da série África Selvagem: Em Busca da Grande Migração]

[Veja o capítulo 6 da série África Selvagem: Em Busca da Grande Migração]

Pra mim aquele momento era fantástico! Camaleões¹ não são encontrados nas Américas e era a primeira vez que eu via um lagarto daquele tipo. Uma das características mais marcantes desses animais é a capacidade de mudar de cor.

Acreditava-se que eles possuíam células especializadas, chamadas de cromatóforos, que mudam a disposição dos pigmentos na pele. Quando expandem, os pigmentos se dispersam e a pele adota uma coloração mais escura. Quando contraem, a pele fica mais clara. Existem diferentes tipos de cromatóforos com diferentes tipos de pigmentos e a combinação de todas essas células contraindo e expandindo formam cores e padrões extremamente diferentes. No entanto, o biofísico e geneticista evolutivo Michel Milinkovitch, dizia que essa hipótese não podia ser sustentada, uma vez que muitos camaleões verdes não se possuem pigmentos verdes nas células da pele.

Em 2015, Michel Milinkovitch e sua equipe descobriram que a camada superficial da pele dos camaleões contém pigmentos que ficam acima de células com pequenos cristais de guanina. Ao reajustar ativamente a distância entre estes cristais, o comprimento de onda da luz refletida é alterado e o camaleão muda de cor. Com o aumento progressivo da distância entre os cristais, as cores refletidas passam do azul ao verde e ao amarelo e depois ao laranja e ao vermelho. O mais impressionante é que tudo acontece em poucos segundos.

Camaleões trocam de cor principalmente para controlar a temperatura (ficando mais escuros quando precisam se aquecer) ou para se comunicar com outros membros da espécie. O padrão também pode ser alterado para camuflagem.

George com o camaleão - Foto: Fábio Paschoal

George com o camaleão – Foto: Fábio Paschoal

São caçadores especializados. Localizam a presa com seus olhos, que se movimentam independentemente em todas as direções. A língua é extremamente longa, pode atingir até duas vezes o comprimento do animal. Ela é lançada rapidamente em um alvo e, com uma substância pegajosa na ponta, pode capturar presas com até 15% do peso do camaleão (as espécies maiores pegam aves e lagartos).

Muitas espécies são endêmicas de áreas geográficas restritas. Algumas só são encontradas em habitats específicos de uma única montanha. A maioria desses ambientes isolados sofrem com o desmatamento para a agricultura e a produção de madeira. As mudanças climáticas e o tráfico de animais são outras  ameaças. Segundo relatório divulgado pelo Chameleon Specialist Group (CSG – Grupo Especialista em Camaleões, na sigla em inglês) da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês), 36% das espécies de camaleões existentes no planeta estão ameaçados de extinção.

Eles são extremamente adaptados à vida nas árvores. Seus corpos estreitos e perfis semelhantes a folhas os ajudam a manterem-se imperceptíveis entre a folhagem. Possuem uma cauda preênsil que funciona como um quinto membro e patas com dedos opositores para agarrar os galhos. Por isso, tiramos o bichinho do lado da estrada e o colocamos na segurança das árvores.

Camaleão após ser colocado nos arbustos - Foto: Fábio Paschoal

Camaleão após ser colocado nos arbustos – Foto: Fábio Paschoal

Era hora de seguir viagem. Nosso destino: Parque Nacional Serengeti, o lugar onde ocorre a Grande Migração. Mas George nos disse que havia um problema. Os antílopes e zebras estavam mais ao norte e nossa entrada seria pelo sul. “Não sei se será possível alcançar a Grande Migração. Só saberemos quando chegarmos ao Serengeti”. (Veja o capítulo 8 da série África Selvagem: Em Busca da Grande Migração)

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¹ Os camaleões verdadeiros pertencem à família Chamaeleonidae. Mas em alguns lugares do Brasil, as iguanas (família Iguanidae) e outros lagartos, principalmente do gênero Polychrus (família Polychrotidae), também são chamados de camaleões

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5 thoughts on “Camaleão: o mestre das cores

  1. MUITO LEGAL, EU JÁ TIN HA VISTO UM EM CANANEIA NO MEU PÉ DE LIMÃO, NÃO tinha essa cor esverdeada e sim a cor do galho do pé limão, realmente CAMALEÃO :MESTRE DAS CORES E SUA LINGUA ENTÃO….

  2. Estive na África do Sul em outubro fazendo trabalho voluntário e meu guia achou um camaleão camuflado no tronco de um arbusto que estávamos cortando. Esses guias têm o olho muito bem treinado para achar animais.

  3. La naturaleza no se cansa de mostrar sus maravillas solo nos queda preservarlos porque la presencia de ellos en nuestro planeta significa VIDA.

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