Masai: os pastores nômades de Ngorongoro

Massai com suas vestimentas típicas em frente a uma boma - Foto: Fábio Paschoal

Masais com suas vestimentas típicas em frente a um boma – Foto: Fábio Paschoal

Capítulo 6 da série África Selvagem: Em Busca da Grande Migração

Os Masai, também chamados de Massai, são pastores nômades que vieram da região do vale do Nilo, no norte da África, e se estabeleceram no leste do continente na metade do século 17. Com suas grandes lanças e vestimentas de cor vermelha, eram reconhecidos como grandes guerreiros e temidos pelas outras tribos. Espalharam-se rapidamente pelo vele do Rift (região dividida por Tanzânia e Quênia), uma área com pastagens férteis, ideais para a criação de gado.

[Veja a introdução e o sumário da série África Selvagem: Em Busca da Grande Migração]

[Veja o capítulo 5 da série África Selvagem: Em Busca da Grande Migração]

É comum encontrar os Masai procurando por pastos próximo à Cratera de Ngorongoro - Foto: Fábio Paschoal

É comum encontrar os Masais tocando o gado e procurando por pastos próximo à Cratera de Ngorongoro – Foto: Fábio Paschoal

Porém, em 1830, guerras entre vários clãs – motivadas pela posse do gado e por melhores pastagens – desintegraram a unidade dos Masai e levaram a perda de território para as tribos rivais. No início do século 20 eles estavam confinados a reservas distantes na Tanzânia e no Quênia.

Os Masai seguem uma estrutura patriarcal, com os homens mais velhos na tomada das decisões mais importantes de cada clã. A riqueza é medida pela quantidade de cabeças de gado de cada família. Apesar disso, eles acreditam que os animais são sagrados e que os bois são presentes de Deus e podem ser utilizados pelo homem.

Mulher Masai - Foto: Fábio Paschoal

Mulher Masai – Foto: Fábio Paschoal

Para se tornarem homens, os meninos Masai enfrentam alguns ritos de passagem. Eles precisam passar por uma circuncisão sem anestesia. Mesmo sendo um processo doloroso os jovens não podem demonstrar qualquer desconforto. Também é necessário matar um leão para se tornarem guerreiros (embora essa prática seja cada vez mais incomum).

Assim como gnus, zebras e gazelas, os pastores Masai são forçados a seguir as chuvas para achar pasto e alimentar o gado. Por isso eles não têm residência fixa e mudam constantemente de lugar. Suas casas são rápidas de construir e fáceis de manter. Feitas em formato circular, são estruturadas com materiais achados nas redondezas (lama, grama, galhos de árvores e esterco de vaca) e protegidas por uma cerca feita de galhos e espinhos que fornecem proteção contra animais selvagens. Todo esse conjunto, erguido pelas mulheres, forma a vila Masai conhecida como boma.

Boma, vila Masai - Foto: Fábio Paschoal

Boma, vila Masai – Foto: Fábio Paschoal

Em 1959, os pastores foram forçados a sair do Parque Nacional do Serengeti e acabaram deslocados para a Área de Conservação Ngorongoro que acabara de ser criada. Na época, segundo a UNESCO, a população Masai na reserva era de 10 mil. Hoje eles chegam a 60 mil e são presença constante pelas estradas e nas proximidades da área da reserva.

Mulheres Masai em busca de lenha - Foto: Fábio Paschoal

Os homens cuidam do gado o dia inteiro. As mulheres são responsáveis por criar os filhos, cozinhar, ordenhar as vacas, construir  e manter os bomas. Elas também coletam água e cortam lenha para fazer fogo – Foto: Fábio Paschoal

Mas era hora de deixar Ngorongoro para trás e seguir para o Serengeti, a planície infinita (Veja o capítulo 7 da série África Selvagem: Em Busca da Grande Migração)

DICAS

É possível organizar uma visita a uma vila Masai. Eles colocam suas vestes tradicionais, fazem uma dança típica e mostram o interior das bomas. Os pastores nômades são encontrados pelo caminho constantemente e você pode pedir para seu guia parar para tentar negociar com eles. Se quiser tirar foto é bom conversar, normalmente eles cobram por isso.

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2 thoughts on “Masai: os pastores nômades de Ngorongoro

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