Roteiro: 20 dias na África do Sul de carro

Com um litoral repleto de lindas praias, parques nacionais muito bem estruturados, esportes radicais em meio à natureza e uma vida selvagem fantástica, é fácil entender porque a África do Sul é um país cada vez mais procurado por brasileiros. Além disso, as estradas são excelentes e, com o real valendo 3,5 Rands (moeda do país), o nosso dinheiro rende por lá.

Sou biólogo e guia de ecoturismo e montei esse roteiro junto com Vanessa, minha namorada que é veterinária. Nosso foco foi a observação de vida selvagem e lugares de beleza cênica. Se deseja visitar vinícolas e museus, comer nos melhores restaurantes e conhecer a vida noturna das cidades, esse roteiro não é pra você.

Rinoceronte, leopardo, elefante, búfalo e leão. Conhecidos como Big 5, são os animais mais desejados pelos turistas nos safáris na África. Vimos todos no Kruger – Fotos: Fábio Paschoal

Dividimos a viagem em três partes (clique nos links para ver os roteiros):

Faixa de areia que conecta a ilha à península em Robberg Nature Reserve, na Rota Jardim, África do Sul – Foto: Fábio Paschoal

O custo total da parte terrestre da viagem foi de 2.250,00 dólares por pessoa. Isso inclui 7 dias de hospedagem no Parque Nacional Kruger, 5 dias de hospedagem na Rota Jardim, aluguel dos carros e gasolina, todas as refeições e os passeios que fizemos, os itens de decoração que compramos para nossa casa e as lembrancinhas para quem não pôde vir com a  gente. Os 7 dias em Cape Town foram na casa de amigos, então economizamos na hospedagem por lá.

Segue o roteiro completo da viagem:

20 DIAS DE CARRO PELA ÁFRICA DO SUL

CAPE TOWN (CIDADE DO CABO)

  • 25 de dezembro – Saída do aeroporto de Guarulhos às 19h25 para pegar o voo Taag 746 com chegada em Angola às 6h25.
    Voo de Angola para Cape Town: Taag 579
    Saída: às 09h00 chegada: Dia 26/12 às 14:05 no Aeroporto de Cape Town
  • 26 de dezembro a 01 de janeiro – Cape Town: casa da Reneta e do Ralph. Carro deles.
    Obs: Pegar o carro no aeroporto de Cape Town no dia 31/12 às 10h00
  • 27 de dezembroCape Point: localizado na Reserva Natural Cabo da Boa Esperança, setor sul do Parque Nacional Table Montain, Cape Point tem trilhas a beira mar e um visual incrível. Cormorões e gaivotas nidificam nos penhascos, lobos-marinhos podem ser avistados no mar e nas praias. Babuínos e dassies também podem ser observados.
  • 28 de dezembroStony Point: Colônia de pinguins-africanos. Bank, white breasted e cape, crowned cormorants podem ser observados. Lobos-marinhos também são encontrados na região.
    Harold Porter National Botanical Garden: Trilhas que levam ao litoral, cachoeiras e montanhas. A paisagem é composta pelo Fynbos, o menor e mais diverso reino floral do mundo. Proteas, ericas e alfineteiras atraem muitos sunbirds.
  • 29 de dezembroBoulders: Colônia de pinguins-africanos dentro do complexo do Table Montain National Park. Muito parecido com Stony Point, porém em maior escala.
  • 30 de dezembroTable Montain: Considerada Patrimônio Mundial da Humanidade e eleita uma das 7 maravilhas do mundo, a Table Montain é obrigatória para quem visita Cape Town! Você pode subir de bondinho ou a pé para ter uma visão panorâmica da cidade. Também é possível ver Robben Island, local onde Mandela ficou preso.
    Obs: Checar a previsão do tempo antes de decidir o dia da visita. O vento forte, característico de Cape Town, pode impedir o funcionamento do bondinho. Obs 2: Comprar ingressos pela internet para evitar filas
    Camps Bay: com bares e restaurantes descolados e uma praia rodeada por montanhas, Camps Bay é a Copacabana de Cape Town. O único problema é que a temperatura da agua é congelante
  • 31 de dezembroKirstenbosh National Botanical Garden: é o primeiro Jardim Botânico do mundo preocupado em preservar as plantas nativas de um país. Um ótimo local para fazer piquenique, almoçar (restaurante Moyo) e observar aves.

ROTA JARDIM

  • 01 a 02 de janeiro – Sair de Cape Town com o carro alugado em direção à Oudtshoorn: Old Mill Lodge & Restaurant 
    Cango Caves: a atração turística mais antiga da África do Sul. Sistema de cavernas com túneis que levam a câmaras com formações muito bonitas
  • 02 a 03 de janeiro – Wilderness: Fairy Knowe Backpackers
    Obs: café da manhã e jantar são servidos no hotel, mas é preciso agendar com antecedência.
    Trilha pelos trilhos do trem, em direção a Vic’s Bay: após o túnel tem uma praia deserta. É possível conhecer a caverna de um ermitão que mora por ali.
    Knysna: parada pro almoço no East Head Cafe. Restaurante a beira mar com ótima comida. Depois de comer, passear nos arredores na beira do mar e do Knysna National Lake
  • 03 a 05 de janeiro – Plettemberg Bay: Wild Spirit Lodge
    Obs: o hostel oferece transfer para o bungee jump na Bloukrans Bungy Bridge, no Tsitsikamma National Park
    O hostel não oferece toalhas
    Se quisermos jantar no hostel precisamos agendar até as 16h
  • 04 de janeiroBloukrans Bridge Bungy: o maior bungee jump de ponte do mundo com 160 metros de queda.
    Robberg Nature Reserve: Witsand trail (5,5 km) a reserva é muito bem estruturada, com trilhas bem conservadas e sinalizadas e paisagens lindas! Tem também uma colônia de lobos-marinhos.
  • 05 de janeiro Tsitsikamma National Park: Storm River Mouth trail trilha das pontes suspensas mais mirante.
    Seguir para o aeroporto de Porto Elizabeth para pegar voo para Johannesburgo
    Obs: o carro deve ser devolvido no aeroporto de Porto Elizabete até 16h00
    Voo FA 233 da Fly safair com saída às 18h50
    Em Johannesburgo pegar o transfer para o Hotel no terminal de ônibus que fica atrás do InterContinental. Siga até os escritórios de locação de carros onde placas indicam a direção do terminal
  • 05 a 06 de janeiro – Johannesburgo: Protea Hotel by Marriott O.R. Tambo AirPort
    Obs: verificar horário do transfer para o aeroporto. O carro deve ser retirado às 7h00 na Hertz
  • 06 de janeiro – Seguir para o aeroporto de Johannesburgo para pegar o carro e seguir para o Malelane Gate do Kruger
    Pegar estrada N4 via Witbank seguir para Nelspruit é depois Malelane 428 km
    Parar em Nelspruit para comprar mantimentos

KRUGER NATIONAL PARK

  • 06 a 07 de janeiroBerg en Dal Rest Camp: está situado na margem do Matjulu Spruit com uma vista de colinas suaves e ondulantes a leste. Nos lados norte e sul, leitos de rios secos e uma barragem cercam o acampamento. Existem grandes árvores ao longo dos córregos e do rio seco. Houve um cuidado especial para preservar a vegetação natural no acampamento. Berg-en-Dal também é o único acampamento em um ambiente de montanha acidentado.
    Bom lugar para mabecos (cachorros selvagens), leopardos, klipspringer (antílope pequenininho), scarlet chested  sunbird (aves que lembram beija-flores, mas não param no ar e nem voam pra trás) e Heuglin’s Robin (um tipo de sabiá)
  • 07 a 09 de janeiroSkukusa Rest Camp: é o maior rest camp e é sede administrativa do Kruger. Está situado nas margens do sul do rio Sabie. O acampamento Tem bastante vegetação e há algumas árvores altas ao longo da borda do rio. Atividades e instalações são diversas, assim como os animais e plantas encontradas tanto no acampamento e nos arredores.
    Bom lugar para morcegos frugívoros, thick tailed bush baby (gálago, tipo de primata com olhos esbugalhados), javalis, hiena, turaco-de-crista-violeta, leopardo, guepardo, rinoceronte
  • 09 a 11 de janeiro – Lower Sabie Rest Camp: Localizado as margens do rio Sabie, um dos poucos rios perenes a atravessar o Kruger, e com uma bela visão das montanhas de Lebombo. Neste acampamento, inúmeras árvores, principalmente as figueiras, proporcionam frutos para muitas aves e insetos. Observar os animais que chegam para beber no rio Sabie é uma atração, principalmente nos meses de seca.
    Bom lugar para leopardo, hipopótamos, leões, giant kingfisher (Martim-pescador), goliath heron (tipo de socó), guepardo
  • 11 a 12 de janeiro – Berg en Del Rest Camp.Como fica próximo ao portão de saída é o melhor para ficar no dia de chegada e de saída.
    Obs: Em janeiro, os portões de entrada do Kruger e de todos os Rest Camps fecham às 18h30. É preciso estar no Rest camp antes dos fechamentos dos portões. O horário de abertura dos portões dos Rest Camps: 4h30 – pegar o carro e esperar a abertura dos portões com antecedência.
  • 12 de janeiro – Seguir para o aeroporto de Joanesburgo para entregar o carro até às 17h00.
    Pegar o voo MN 109 da Comair/ Kulula às 19h25 para Cape Town. Chegada em Cape Town às 21h35
  • 12 a 14  de janeiro– Cape Town: Casa da Renata e do Ralph
  • 13 de janeiroMergulho com lobos-marinhos com a Cape Town Bucket List em Duiker Island, Hout Bay. Com mais de 10.000 lobos.
  • 14 de janeiro – Waterfront: compras e almoço
    Ir para o aeroporto de Johannesburgo para pegar voo de volta para São Paulo às 17h20. Chegar com pelo menos 3 horas de antecedência.
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Tsitsikamma: o primeiro parque nacional marinho da África

Seção Tsitsikamma do Garden Route National Park, na Rota Jardim, África do Sul – Foto: Fábio Paschoal

Capítulo 7 da série Rota Jardim / Garden Route: 5 dias pelo litoral da África do Sul

Parte do Garden Route National Park, o Tsitsikamma foi criado em 1964 e se tornou o primeiro Parque Nacional Marinho da África. Protege 80 quilômetros da costa da África do Sul, é uma das maiores áreas de proteção marinha do mundo além de ser considerado um laboratório para pesquisas de espécies de peixes ameaçados de extinção.

[Veja a introdução da série Rota Jardim /Garden Route: 5 dias pelo litoral da África do Sul]

[Veja o capítulo 6 da série Rota Jardim /Garden Route: 5 dias pelo litoral da África do Sul]

Ponte suspensa e passeio de caiaque em Storm River Mouth, na seção Tsitsikamma do Garden Route National Park, na Rota Jardim, África do Sul – Foto: Fábio Paschoal

Vanessa na trilha das pontes suspensas – Foto: Fábio Paschoal

Apesar do tempo nublado, a paisagem e a infraestrutura fizeram valer a visita (veja os valores da taxa de conservação site do SanParks). Tem restaurante, área para camping, chalés de hospedagem e muitas atividades, incluindo bike, caiaque e caminhadas. Deu muita vontade de ficar uns dias hospedados por ali pra curtir todas as atrações do parque.

Mas, como era nosso último dia de Rota Jardim, decidimos fazer a trilha das pontes suspensas em Storm River Mouth. A caminhada é bem leve, tem mais ou menos 1 quilômetro e o visual é incrível!

As pontes ficam bem próximas uma da outra e levam a uma praia de pedras do outro lado do rio. Durante o caminho, vimos algumas pessoas posando para fotos em cima das pontes, enquanto os caiaques passavam por baixo de nós em direção a uma espécie de canyon.

Praia de pedras na trilha das pontes suspensas na seção Tsitsikamma do Garden Route National Park, na Rota Jardim, África do Sul – Foto: Fábio Paschoal

Vanessa rumo ao mirante, após a trilha das pontes suspensas em Storm River Mouth, na seção Tsitsikamma do Garden Route National Park, na Rota Jardim, África do Sul – Foto: Fábio Paschoal

A trilha termina por ali, mas se você tiver tempo e disposição, tem uma extensão que leva a dois mirantes. Para chegar ao primeiro é preciso subir a montanha por uma trilha íngreme. Lá no topo tem uma visão bem bacana do parque. Para o segundo mirante era preciso andar mais 500m, mas como precisávamos voltar, decidimos deixar para uma próxima vez.

Pegamos a estrada, deixamos o carro no aeroporto de Porto Elizabeth e subimos no avião para Johannesburgo. Chegamos no hotel, tomamos um banho, jantamos e fomos direto pra cama. No dia seguinte, acordamos bem cedo para pegar o carro alugado e seguimos para a parte da viagem que me deixava mais empolgado: sete dias de safári fotográfico no Parque Nacional Kruger.

Veja a série Kruger: guia prático para organizar seu safári na África do Sul

Veja o Roteiro: 20 dias na África do Sul de carro

Área de camping na seção Tsitsikamma do Garden Route National Park, na Rota Jardim, África do Sul – Foto: Fábio Paschoal

Mapa da seção Tsitsikamma do do Garden Route National Park, na Rota Jardim, África do Sul – Foto: Fábio Paschoal

Rumo a Johannesburgo - Foto: Fábio Paschoal

Rumo a Johannesburgo – Foto: Fábio Paschoal

Bloukrans Bridge: o maior bungee jump de ponte do mundo

 

Vanessa pulando do Bloukrans Bridge Bungy, o maior bungee jump de ponte do mundo, na Rota Jardim, África do Sul

Capítulo 6 da série Rota Jardim / Garden Route: 5 dias pelo litoral da África do Sul

Acordamos cedo e seguimos em direção ao Bloukrans Bridge Bungy, o maior bungee jump de ponte do mundo. Fica na área de Tsitsikamma, na Rota Jardim (Garden Route), África do Sul e tem 216 metros de altura e 160 metros de queda. Já no caminho, Vanessa estava nervosa. Com a calma de quem sabe que não vai arriscar a vida pulando de uma ponte, tentava acalmá-la dizendo que ia dar tudo certo.

[Veja a introdução da série Rota Jardim /Garden Route: 5 dias pelo litoral da África do Sul]

[Veja o capítulo 5 da série Rota Jardim /Garden Route: 5 dias pelo litoral da África do Sul]

Vista do vale do rio Bloukrans, Rota Jardim, África do Sul – Foto: Fábio Paschoal

Vanessa após colocar todos os equipamentos – Foto: Fábio Paschoal

A empresa que faz o serviço é a Face Adrenalin e eles recomendam comprar o ingresso com antecedência pela internet (veja os valores no site da empresa). Se você não for pular, mas quer dar aquela força pra pessoa que vai se jogar de uma altura de 160 metros com um elástico amarrado nos pés, precisa comprar o ingresso para andar pela ponte até o local de salto (veja os valores no site da empresa).

Chegamos mais cedo e colocaram a gente no grupo que estava saindo. O primeiro teste é passar por uma passarela estreita, feita com grades vazadas de onde é possível ver o o vale do rio Bloukrans bem embaixo de seus pés. Algumas pessoas já desistem nesse ponto.

Vanessa estava calma no começo, mas como fomos os últimos a chegar, ela era a última a saltar. Ficamos observando as pessoas pulando. A maioria ficava um pouco nervosa,  mas saltava e voltava com um sorriso no rosto dizendo que queria ir de novo.

Até que chegou a vez de uma menina magrinha que estava um pouco consternada. Ela colocou todo o equipamento com aquela cara de pânico de quem não quer fazer o negócio, mas já está muito tarde pra desistir.

Instrutores ajudando Vanessa a chegar até a beira da ponte – Foto: Fábio Paschoal

Não tem conversa, eles empurram mesmo – Foto: Fábio Paschoal

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Na hora de pular, a pessoa abre os braços e dois instrutores ajudam a chegar até a beirada da ponte. A menina travou. Os instrutores não tiveram dúvida, levantaram a menina e a colocaram no lugar do salto. Ela ainda tentou segurar na camisa de um dos caras, mas não teve jeito. Levou um empurrãozinho e foi olhar o fundo do vale mais de perto.

O mesmo aconteceu com um homem, mas como ele era pesado, os instrutores não conseguiam levantá-lo. Eles conversaram durante um tempo e foram cutucando os pés do cara até a beirada da ponte. E deram aquele empurrãozinho que faltava pro salto acontecer (de olhos e braços fechados).

Vanessa pulando do Bloukrans Bridge Bungy, o maior bungee jump de ponte do mundo, na Rota Jardim, África do Sul

Quanto mais tempo ficávamos naquela ponte, mais ansiosa Vanessa ficava. O nervosismo começava a crescer quando chamaram o nome dela. Sem hesitação, colocou os equipamentos, foi até a beirada da ponte e saltou. Voltou com um sorriso no rosto e com vontade de pular de novo. Eu também fiquei feliz por ter meu amor de volta.

Saímos de lá rumo ao Tsitsikamma National Park.

Veja o capítulo 7 da série Rota Jardim/ Garden Route: 5 dias pelo litoral da África do Sul

Veja o Roteiro: 20 dias na África do Sul de carro

Vanessa após o salto

Wild Spirit Backpackers Lodge: Hostel hippie na Rota Jardim

“Pensamento do dia: Honre a Mãe Natureza.” Wild Spirit Backpackers Lodge, na Rota Jardim, África do Sul – Foto: Fábio Paschoal

Capítulo 5 da série Rota Jardim / Garden Route: 5 dias pelo litoral da África do Sul

Localizado na Rota Jardim (Garden Route) entre Nature’s Valley Beach e o Bloukrans Bungy Jump, próximo ao Tsitsikama National Park, o Wild Spirit Backpackers Lodge é um hostel tão singular que merece um capítulo só pra ele.

[Veja a introdução da série Rota Jardim /Garden Route: 5 dias pelo litoral da África do Sul]

[Veja o capítulo 4 da série Rota Jardim /Garden Route: 5 dias pelo litoral da África do Sul]

Decoração feita com galhos que formam portais no Wild Spirit Backpackers Lodge, na Rota Jardim, África do Sul – Foto: Fábio Paschoal

Local da fogueira no Wild Spirit Backpackers Lodge, na Rota Jardim, África do Sul – Foto: Fábio Paschoal

O deck do restaurante / bar, em estilo casa da árvore, oferece uma linda visão do vale e das montanhas. Chegamos em uma noite de sorte, porque vimos o nascer da lua cheia por ali e foi fantástico! A comida é no estilo família. Geralmente servem um ensopado com carne e legumes e arroz como acompanhamento. Fique ligado porque é preciso se inscrever para as refeições (mande um email se for chegar depois das 16h e quiser jantar). Tudo é plantado localmente.

Restaurante/Bar do Wild Spirit Backpackers Lodge, na Rota Jardim, África do Sul - Foto: Fábio Paschoal

Restaurante/Bar do Wild Spirit Backpackers Lodge, na Rota Jardim, África do Sul – Foto: Fábio Paschoal

É possível acampar no Wild Spirit Backpackers Lodge, na Rota Jardim, África do Sul – Foto: Fábio Paschoal

Decoração do Wild Spirit Backpackers Lodge e o nascer da lua cheia, na Rota Jardim, África do Sul – Foto: Fábio Paschoal

A decoração é bem orgânica, feita principalmente com galhos de madeira que formam arcos e portais. A noite rola uma fogueira com roda de violão e apresentações de malabares. Também tem aula de Yoga e um palco para shows improvisado. Muitas pessoas moram por lá e cultivam o próprio alimento. Tudo lembra uma comunidade hippie dos anos 70.

Após o jantar, uma mulher nos indicou o caminho para o nosso quarto. Mas quando chegamos lá, percebi que a chave não estava na porta e voltei até a recepção para pegá-la. “Oi, a chave não estava na porta do quarto. Você pode ver se está aí?”

Esculturas no Wild Spirit Backpackers Lodge, na Rota Jardim, África do Sul – Foto: Fábio Paschoal

Local para shows no Wild Spirit Backpackers Lodge, na Rota Jardim, África do Sul - Foto: Fábio Paschoal

Local para shows no Wild Spirit Backpackers Lodge, na Rota Jardim, África do Sul – Foto: Fábio Paschoal

A recepcionista fez uma cara estranha, como se nunca tivesse ouvido aquela pergunta na vida. Meio desconfortável com a situação, ela começou a abrir gavetas, procurar nos armários. Então, a menina perguntou das chaves para um cara que estava passando por ali. Ele respondeu: “Nós não usamos chaves por aqui. Nós confiamos nas pessoas.”

Eles ofereceram o cofre da recepção para guardar os itens de valor, mas achei que era mais seguro deixar tudo comigo. Vai que eles perdem a chave do cofre.

Quarto do Wild Spirit Backpackers Lodge, na Rota Jardim, África do Sul – Foto: Fábio Paschoal

Wild Spirit Backpackers Lodge - Foto: Fábio Paschoal

“Seja gentil, seja amável com aqueles à sua volta, humano, animal, ou outro. Honre os elementos e o chão onde você anda. Fique em paz.” Wild Spirit Backpackers Lodge, na Rota Jardim, África do Sul – Foto: Fábio Paschoal

Nosso quarto não tinha chave, mas tinha uma boa cama e banheiro privativo. Pagamos 560 Rands por noite, para duas pessoas. Para quem deseja opções mais em conta, o lugar tem camping.

Existem trilhas que saem do hostel e levam a cachoeiras e outras atrações, mas nós tínhamos outros lugares para explorar. O dia seguinte era dia da Vanessa pular de bungee jump.

Veja o capítulo 6 da série Rota Jardim/ Garden Route: 5 dias pelo litoral da África do Sul

Veja o Roteiro: 20 dias na África do Sul de carro

Robberg: lobos-marinhos e a praia mais bonita da Rota Jardim

Robberg Nature Reserve, na Rota Jardim, África do Sul – Foto: Fábio Paschoal

Capítulo 4 da série Rota Jardim / Garden Route: 5 dias pelo litoral da África do Sul

Situado a 8 quilômetros de Plattenberg Bay, na Rota Jaridm, África do Sul, Robberg Nature Reserve é um Patrimônio Mundial da Humanidade da UNESCO. As pedras da região têm cerca de 120 milhões de anos e há evidências de habitantes da idade das pedras nas cavernas da península. Mas o grande atrativo da reserva é sua beleza cênica.

[Veja a introdução da série Rota Jardim /Garden Route: 5 dias pelo litoral da África do Sul]

[Veja o capítulo 3 da série Rota Jardim /Garden Route: 5 dias pelo litoral da África do Sul]

Mapa de Roberg Nature Reserve, na Rota Jardim, África do Sul - Foto: Fábio Paschoal

Mapa de Robberg Nature Reserve, na Rota Jardim, África do Sul – Foto: Fábio Paschoal

Trilha de 5,5 quilômetros em Robberg Nature Reserve, na Rota Jardim, África do Sul – Foto: Fábio Paschoal

Chegamos no final da tarde, pagamos a taxa de conservação (veja os valores no site de Robberg Nature Reserve) e, já do estacionamento, você tem uma linda visão da península de Robberg. É de tirar o fôlego. Um mapa na entrada da reserva indica três trilhas possíveis com quilometragens diferentes.

Escolhemos a de nível médio (5,5 quilômetros), por dois motivos: a trilha menor (2,1 Km) não passa pela colônia de lobos-marinhos e não tínhamos tempo suficiente para fazer a trilha maior (9,2 Km).

Colônia de lobos-marinhos-do-cabo (Arctocephalus pusillus) na península de Robberg, na Rota Jardim, África do Sul – Foto: Fábio Paschoal

Colônia de lobos-marinhos-do-cabo (Arctocephalus pusillus) na península de Robberg, na Rota Jardim, África do Sul – Foto: Fábio Paschoal

Tudo é bem sinalizado e as trilhas são muito bem marcadas. Chegamos na parte mais alta da península sem nenhuma dificuldade. De lá conseguimos ver a colônia de lobos-marinhos-do-cabo.

A maior parte se esquentava no sol e descansava nas pedras. Mas havia um grupo na água trabalhando em conjunto. Enquanto alguns tentavam encurralar um cardume contra as rochas, outros evitavam que os peixes fugissem por baixo. Foi um almoço fácil e muito divertido de observar.

Faixa de areia que conecta a ilha à península em Robberg Nature Reserve, na Rota Jardim, África do Sul – Foto: Fábio Paschoal

Vista da península a partir da ilha, em Robberg Nature Reserve, na Rota Jardim, África do Sul – Foto: Fábio Paschoal

Seguimos para a parte baixa de Robberg por uma duna, onde fica a paisagem mais bonita do caminho. Você vê a ilha conectada à península por uma pequena faixa de areia. O visual é lindo e, sem nenhuma dúvida, foi o lugar mais fantástico que visitamos na Rota Jardim.

Cruzamos a faixa de areia para explorar a ilha. É uma trilha circular, onde encontramos gaivotas com filhotes e vimos um ângulo diferente de Robberg. A vontade de fazer a trilha maior era grande, mas o sol já sumia no horizonte e nós precisávamos seguir para nosso hostel em Nature’s Valley.

Praia em Robberg Nature Reserve, na Rota Jardim, África do Sul – Foto: Fábio Paschoal

Gaivota-do-cabo (Larus dominicanus) com filhotão – Foto: Fábio Paschoal

Plettenberg Bay

Em 1497, quando os primeiros portugueses colocaram os olhos em Plettenberg Bay, a bela faixa litorânea da cidade fez os lusitanos batizarem o local de Baía Formosa.

Em Plett, você encontra algumas das praias mais belas da África do Sul e, mesmo durante a alta temporada (dezembro), é possível achar uma faixa de areia deserta em alguns pontos mais distantes do centro.

Vanessa na península Robberg, na Rota Jardim, África do Sul – Foto: Fábio Paschoal

Eu e Vanessa em Robberg, na Rota Jardim, África do Sul – Foto: Fábio Paschoal

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A cidade também é um dos melhores lugares do mundo para observação de baleias. A temporada vai de junho a novembro, mas os melhores meses são agosto e setembro. Passeios de barco saem de Central Beach para encontros mais próximos. Até seis espécies de baleias podem ser observadas.

A cidade é uma ótima base para quem quer visitar Robberg Nature Reserve ou fazer o famoso Bungee Jump da Bloukrans Bridge.

Veja o capítulo 5 da série Rota Jardim/ Garden Route: 5 dias pelo litoral da África do Sul

Veja o Roteiro: 20 dias na África do Sul de carro

Knysna Heads: East Head Cafe, parada obrigatória para o almoço na Rota Jardim

Knysna Heads, na Rota Jardim, África do Sul – Foto: Fábio Paschoal

Capítulo 3 da série Rota Jardim / Garden Route: 5 dias pelo litoral da África do Sul

Localizada no coração da Rota Jardim, na África do Sul, Knysna é uma cidade de praias bonitas, lagos tranquilos e florestas bem preservadas. A área faz parte do Garden Route National Park. A principal atração é o estuário, uma área de grande valor para a conservação. É considerado o 3º em termos de importância botânica, 8º em conservação de peixes, 19º em conservação de aves aquáticas e 1º no ranking geral de estuários sul-africanos.

[Veja a introdução da série Rota Jardim /Garden Route: 5 dias pelo litoral da África do Sul]

[Veja o capítulo 2 da série Rota Jardim /Garden Route: 5 dias pelo litoral da África do Sul]

East Head Café (restaurante cinza à direita) – Foto: Fábio Paschoal

Beef & reef, sanduíche que pedi no East Head Cafe, em Knysna, África do Sul – Foto: Fábio Paschoal

Nossa passagem por Knysna foi muito rápida. Se resumiu a uma refeição e uma caminhada, mas deu pra ver que a cidade tem muita coisa pra oferecer.

Paramos no East Head Cafe. Pedimos o tradicional fish & chips e um sanduíche de carne de porco desfiada com molho barbecue, picles de cebola roxa, salada de maçã e tempurá de camarão que estava uma delícia. Além disso, o restaurante tem visão para uma das principais atrações da cidade: Knysna Heads, penhascos de arenito que marcam o encontro do lago Knysna com o oceano Índico (recomendamos).

Knysna National Lake, parte do Garden Route National Park, na África do Sul – Foto: Fábio Paschoal

Nelson Mandela é celebrado em várias partes da África do Sul. Aqui ele aparece na parede de uma casa em Knysna – Foto: Fábio Paschoal

Com os estômagos forrados, andamos na beira do Knysna National Lake, de onde saem passeios de canoa e caiaque. Também é possível pegar uma balsa em direção à Featherbed Nature Reserve, uma reserva privada que oferece passeios com guias locais por trilhas pela floresta e paradas em mirantes para contemplar os penhascos, o lago e a cidade.

Deu vontade de ficar mais tempo, mas era hora de seguir viagem rumo à Robberg Nature Reserve, em Pleteenberg Bay.

Veja o capítulo 4 da série Rota Jardim / Garden Route: 5 dias pelo litoral da África do Sul

Veja o Roteiro: 20 dias na África do Sul de carro

Eu e Vanessa em Knysna Heads, na Rota Jardim, África do Sul

Wilderness: Knysna Turaco e praia deserta na Rota Jardim

Praia deserta após o túnel do trem que segue para Victoria Bay, em Wilderness, na Rota Jardim, África do Sul – Foto: Fábio Paschoal

Capítulo 2 da série Rota Jardim / Garden Route: 5 dias pelo litoral da África do Sul

Wilderness é uma pequena cidade litorânea localizada entre George e Knysna (que também são locais para serem explorados na Rota Jardim) e faz parte de um sistema de vias fluviais, lagos e lagoas que correm ao longo da costa sul-africana, separado do mar por dunas com vegetação rasteira. Tudo é parte da seção Wilderness do Garden Route National Park. É um excelente lugar para ver martins-pescadores (5 espécies habitam a região) e observar o endêmico Knysna Turaco, ave que só é encontrada no Sul da África do Sul.

[Veja a introdução da série Rota Jardim /Garden Route: 5 dias pelo litoral da África do Sul]

[Veja o capítulo 1 da série Rota Jardim /Garden Route: 5 dias pelo litoral da África do Sul]

Knysna Turaco (Tauraco corythaix), também conhecido como knysna lorie é uma ave muito tímida. Nenhuma das duas aves que encontrei ficou no aberto para ser fotografada – Foto: Fábio Paschoal

Paraquedas coloriam o céu quando chegamos à Wilderness, um dos melhores lugares na África do Sul para a prática de paragliding. Nos dirigimos para o centro da cidade, onde ficam os principais restaurantes e as lojas de artesanato. Jantamos no The Girl’s, um restaurante com comida muito boa, especialmente os frutos do mar (Recomendamos). Com a fome saciada, demos uma volta pelo centrinho, seguimos para o hostel e dormimos.

Acordei cedo para fazer a trilha chamada half collared kingfisher. Assim que comecei, vi uma ave verde pousada num galho. Estava quase colocando os binóculos quando ela começou a voar. Assim que abriu as asas e mostrou as penas vermelhas, não tive dúvidas. Era o knysna turaco! Que ave sensacional. Segui o bicho mas ele entrou na vegetação densa e não saiu mais de lá. Segui a trilha e tive um segundo encontro com a ave, mas a timidez falou mais forte e ela não quis se mostrar no aberto. De qualquer maneira, foi uma experiência incrível!

Mapa de Wilderness, ficamos no Fairy Knowe Backpackers Lodge & Adventure Center, marcado em laranja – Foto: Fábio Paschoal

Voltei para o hostel, encontrei com Vanessa e seguimos para a praia. Decidimos fazer a trilha que segue os trilhos do trem e leva até Victoria Bay. Assim que pegamos a ferrovia vimos placas que diziam que aquela era uma área de alto índice de roubos. Fiquei preocupado, mas falei com o policial que disse que não era perigoso.

A trilha segue o litoral e, após passar por um túnel, chega em uma praia deserta bem bonita. Para descer até ela é preciso cruzar a ponte de metal enferrujado. Há uma placa que diz que pedestres são proibidos de passar, mas vimos gente se arriscando para chegar do outro lado.

Trilha que leva para Victoria Bay, em Wilderness, na Rota Jardim, na África do Sul – Foto: Fábio Paschoal

Túnel que leva para praia deserta e segue para Victoria Bay, em Wilderness, na Rota Jardim, na África do Sul – Foto: Fábio Paschoal

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Eu e Vanessa na praia deserta em Wilderness, na Rota Jardim, África do Sul – Foto: Fábio Paschoal

Uma das atrações é um homem que transformou a caverna ao lado do túnel em sua casa. Na hora, pensei que era meio roubada, mas depois conversamos com nossos amigos que moram em Cape Town e fizeram o passeio. Eles tiveram uma experiência legal e recomendam.

Na volta, nos perdemos. Pedimos informação em um restaurante e um homem que passava na rua disse que podia levar a gente até o centro da cidade. No meio do caminho chegou um outro homem. Disse que se chamava Bullet e tinha um colar com uma bala de rifle para intimidação.

A praia de Wilderness é bem extensa e a água não é tão gelada quanto a das praias de Cape Town – Foto: Fábio Paschoal

O dia estava claro e tinha muita gente na estrada. Então seguimos conversando normalmente. Quando chegamos no centro demos 10 Rands para Bullet, mas ele disse que era pouco. Dobramos a quantia e demos mais 10 Rands para o outro, que havia ficado para trás para perturbar uma menina que estava na praia e quase perdeu a caixinha. Nos despedimos e, logo depois, vimos Bullet saindo de uma loja de bebidas com uma garrafa embrulhada em um saco de papel.

Não é a primeira vez que isso acontece comigo na África do Sul. Ou seja, sempre desconfie da boa vontade das pessoas por aqui. Se você se perder e pedir informação, é bem provável que irá gastar dinheiro para reencontrar o seu caminho.

Fairy Knowe Backpackers Lodge & Adventure Center

Suite do Fairy Knowe Backpackers Lodge & Adventure Center, em Wilderness, Na Rota Jardim, África do Sul – Foto: Fábio Paschoal

Café da manha ao ar livre no Fairy Knowe Backpackers Lodge & Adventure Center – Foto: Fábio Paschoal

Ficamos hospedados no Fairy Knowe Backpackers Lodge & Adventure Center, o lugar tem uma vibe meio hippie, com a galera tocando violão em volta da fogueira. O café da manhã é caprichado. Pedi um omelete recheado de cogumelos que estava fantástico! Mas fique esperto porque você precisa se inscrever na recepção no dia anterior se quiser comer.

Nosso quarto tinha uma boa cama e banheiro privativo. Era pequeno, mas era o que nós precisávamos. Pagamos 650 Rands por uma noite, para duas pessoas. Para quem deseja opções mais em conta, o lugar tem dormitórios coletivos e camping.

O hostel também oferece passeios de caiaque, canoa, cavalo, paragliding, arvorismo, caminhadas, observação de aves e aulas de surfe. Tinha muita coisa pra fazer por ali, mas nosso tempo era curto e Knysna era nosso próximo destino.

Veja o capítulo 3 da série Rota Jardim/ Garden Route: 5 dias pelo litoral da África do Sul

Veja o Roteiro: 20 dias na África do Sul de carro

Oudtshoorn: Cango Caves, a atração turística mais antiga da África do Sul

Oudtshoorn, na região de Klein Karoo, África do Sul – Foto: Fábio Paschoal

Capítulo 1 da série Rota Jardim / Garden Route: 5 dias pelo litoral da África do Sul

O caminho mais usado para quem sai da Cidade do Cabo para fazer a Rota Jardim (Garden Route) é pegar a estrada N2, que é bastante movimentada. Decidimos fazer diferente e fomos pela rota R62 em direção à Little Karoo, também conhecida como Klein Karoo. Além da viagem ser mais curta, as paisagens são mais bonitas.

[Veja a introdução da série Rota Jardim /Garden Route: 5 dias pelo litoral da África do Sul]

[Veja a série Kruger: guia prático para organizar seu safári na África do Sul]

Southern red bishop/ Cardeal-tecelão-vermelho (Euplectes orix). O macho trança fibras de folhas para fazer o ninho. A fêmea irá analisar e, geralmente, desfaz o trabalho de seu pretendente. Após várias tentativas ela permite o acasalamento – Foto: Fábio Paschoal

As montanhas formam uma barreira que para o ar úmido e transforma o Klein Karoo em uma área de paisagens desérticas, rodeada por penhascos e cortada por riachos de água cristalina.É uma das regiões mais diversificadas de Western Cape.

Nosso destino era Oudtshoorn, cidade conhecida como a capital mundial do avestruz e com um nome impossível de ser pronunciado (pelo menos para Vanessa e eu). Várias fazendas oferecem passeios para conhecer o processo de criação. Você pode alimentar e até montar uma das aves. Como somos contra o turismo que maltrata os animais, decidimos não fazer.

Outra atração que parecia bem legal era a observação de suricatos selvagens. Ficamos interessados, mas como tentamos de última hora não conseguimos vaga.

Cango Caves

Uma das principais câmaras do sistema de Caverna Cango Caves – Foto: Fábio Paschoal

Sistema de Cavernas Cango Caves, em Oudtshoorn, África do Sul – Foto: Fábio Paschoal

Estalactites e colunas em uma das galerias das Cango Caves, em Oudtshoorn, África do Sul – Fábio Paschoal

O grande motivo de termos escolhido Oudtshoorn eram as Cango Caves, uma rede de cavernas de calcário considerada a atração turística mais antiga da África do Sul por ser a primeira protegida pela legislação ambiental e a primeira a contratar um guia de turismo no país.

O sistema de túneis e cavernas tem mais de 4 quilômetros, mas apenas 1/4 é aberta à visitação. Existem duas opções de passeio, o standard leva cerca de uma hora e meia e passa pelas câmeras principais. O Adventure Tour leva 3 horas, passa pelo mesmo caminho do standard e depois começa a explorar passagens estreitas onde é preciso rastejar.

Como nossas mochilas estavam cheias, optamos pelo standard e gostamos bastante. Mesmo com 300 pessoas no passeio, as galerias eram bem grandes e nossa guia era muito boa.

Eu e Vanessa nas Cango Caves – Foto: Fábio Paschoal

No entanto, o destaque de Oudtshoorn foi a hospedagem.

Old Mill Lodge & Restaurant

Tendas do Old Mill Lodge & Restaurant, em Oudtshoorn, África do Sul – Foto: Fábio Paschoal

Old Mill Lodge & Restaurant é uma antiga fazenda de avestruz que foi transformada em hotel. Existem acomodações diferentes, mas as tendas certamente são as mais legais e recomendamos fortemente! Além de confortáveis, têm banheiro com água quente, cobertor elétrico para suportar as noites frias e uma varanda com uma vista incrível de um pequeno riacho cheio de passarinhos. Pagamos 915 Rands por uma noite, para duas pessoas e gostamos bastante.

O restaurante é a la carte e tem um clima de velho oeste dos Estados Unidos. A recomendação da casa são pratos com avestruz e carne de veado. Os legumes são orgânicos e tudo é plantado e colhido no hotel/fazenda.

Dentro da nossa tenta do Old Mill Lodge & Restaurant, em Oudtshoorn, África do Sul – Foto: Fábio Paschoal

Malachite kingfisher (Corythornis cristatus), uma das aves mais incríveis da viagem – Foto: Fábio Paschoal

Na primeira manhã saí mais cedo para passarinhar. Nem tinha chegado na varanda e vi uma ave com azul brilhante e bico vermelho. Não tive dúvida! Comecei a chamar a Vanessa. “Linda! Linda! Linda!” Era um malachite kingfisher! Que ave sensacional!

Logo depois vimos um african hoopoe. Southern red bishop, com seu laranja incrível, e southern masked weaver estavam fazendo ninhos nas taboas, planta do gênero Typha que se parece com uma salsicha enfiada no espeto e que são utilizadas como snorkel em desenhos animados quando algum personagem se joga no rio para se esconder das abelhas.

Deu vontade de ficar mais no Old Mill Lodge & Restaurant, mas era hora continuar a viagem e seguir para Wilderness.

Veja o capítulo 2 da série Rota Jardim/ Garden Route: 5 dias pelo litoral da África do Sul

Veja o Roteiro: 20 dias na África do Sul de carro

Rota Jardim / Garden Route: 5 dias pelo litoral da África do Sul

Roberg Nature Reserve, na Rota Jardim, África do Sul – Foto: Fábio Paschoal

A Rota Jardim (Gardem Route), na África do Sul, é um dos trechos litorâneos mais bonitos do planeta. Com praias decoradas por rochedos enormes, cidades pequenas e aconchegantes, hostels descolados, esportes radicais e reservas naturais com excelente infraestrutura, o rolê está em quase todas as listas de melhores road trips (viagens de carro) do mundo.

[Veja a série Kruger: guia prático para organizar seu safári na África do Sul]

[Veja a série Cidade do Cabo: passeios para contemplar a natureza]

[Veja o Roteiro: 20 dias na África do Sul de carro]

[Veja a série África Selvagem: Em Busca da Grande Migração]

A rota, que começa na Cidade do Cabo e vai até Porto Elizabete (ou vice versa), foi batizada de Jardim porque passa pela região do Reino Floral do Cabo, o menor e mais diverso dos seis reinos florais do mundo, endêmico do Sul da África do Sul e o único confinado a um continente. Em 2004 a área foi reconhecida como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO.

Vanessa, minha namorada, e eu, fomos para Cidade do Cabo para visitar uns amigos e decidimos esticar a viagem para conhecer a Rota Jardim e finalizar com um safári de sete dias no Kuger National Park.

Durante o caminho fizemos trilhas que levavam a praias muito bonitas e desertas, ficamos hospedados em uma comunidade hippie, passamos pelo mais alto bungee jump de ponte do mundo (Vanessa pulou), observamos animais selvagens, visitamos a atração turística mais antiga da África do Sul e vamos compartilhar todas essas experiências por aqui. Embarque conosco nessa viagem.

Vanessa e eu na Rota Jardim, África do Sul – Foto: Fábio Paschoal

Capítulo 1 – Oudtshoorn: Cango Caves, a atração turística mais antiga da África do Sul

Capítulo 2 – Wilderness: Knysna Turaco e praia deserta na Rota Jardim

Capítulo 3 – Knysna Heads: East Head Cafe, parada obrigatória para o almoço na Rota Jardim

Capítulo 4 – Robberg: lobos-marinhos e a praia mais bonita da Rota Jardim

Capítulo 5 – Wild Spirit Backpackers Lodge: Hostel hippie na Rota Jardim

Capítulo 6 – Bloukrans Bridge: o maior bungee jump de ponte do mundo

Capítulo 7 – Tsitsikamma: o primeiro parque nacional marinho da África

Mergulho com lobos-marinhos: atividade obrigatória em Cape Town

Lobos-marinhos-do-cabo (Arctocephalus pusillus), os maiores lobos-marinhos do mundo em Duiker Island, África do Sul – Foto: Flashpacker Travelguide

Capítulo 9 da série Cidade do Cabo: passeios para contemplar a natureza

Era o dia do passeio que eu mais queria fazer na Cidade do Cabo (Cape Town): mergulho com lobos-marinhos. Fechamos tudo com antecedência com a Cape Town Bucket List e nos dirigimos para Hout Bay.

[Veja a introdução da série Cidade do Cabo: passeios para contemplar a natureza]

[Veja o capítulo 8 da série Cidade do Cabo: passeios para contemplar a natureza]

O lobo-marinho-do-cabo (Arctocephalus pusillus) é o maior lobo-marinho do mundo. O macho pode chegar a mais de 300 quilos e cerca de 2,30 metros de comprimento. A fêmea é bem menor. Em média, pesa cerca de 85 quilos e não passa de 1,65 metros – Foto: Tim Sheerman-Chase/ Creative Commons

Hout Bay. Vista de um dos mirantes da Chapman’s Peak Drive, África do Sul – Foto: Fábio Paschoal

Encontramos com o pessoal da empresa, recebemos as instruções, vestimos as roupas de neoprene, pegamos máscaras, snorkels e pés de pato e embarcamos rumo à Duiker Island. O bote seguiu em alta velocidade até chegar à ilha. Todo mundo estava com as expectativas lá no alto, mas ninguém estava preparado para o que iríamos encontrar: cerca de 10 000 lobos-marinhos-do-cabo rodeavam a embarcação!

Enquanto alguns nadavam, outros descansavam nas pedras. Caímos no mar imediatamente. A água, extremamente gelada, entrou pela roupa de mergulho, escorreu pelas minhas costas e o calafrio se espalhou por todo o meu corpo. Naquele momento tinha a certeza de que não iria aguentar até o final do passeio (o mergulho tem duração de uma hora).

Quando consegui me controlar, comecei a curtir o passeio. Havia milhares de lobos-marinhos-do-cabo nadando conosco. Os filhotes eram os que mais interagiam com a gente (sem contato físico para respeitar os animais). Eles chegam bem próximos, olham no nosso olho e, as vezes, copiam nossos movimentos. Um dos pequenos chegou a morder minha nadadeira porque queria brincar. É uma sensação incrível!

A interação é tão intensa que você esquece do frio e não vê o tempo passar. Quando me dei conta a hora já tinha acabado e os guias já chamavam para voltar para o bote. O frio intenso foi curado com um chocolate quente servido no barco, mas o sorriso não saia do rosto de ninguém. Que experiência fantástica!

Foi uma ótima maneira de encerrar nossos dias na Cidade do Cabo. Era hora de conhecer outros lugares da África do Sul. A Garden Route e o Kruger National Park esperavam por nós.

Veja a série Rota Jardim / Garden Route: 5 dias pelo litoral da África do Sul

Veja a série Kruger: guia prático para organizar seu safári na África do Sul

Veja o Roteiro: 20 dias na África do Sul de carro

DICAS

  • Faça o mergulho com leões-marinhos-do-cabo. Vanessa, minha namorada, não sabe nadar muito bem, mas  as roupas de mergulho ajudam na flutuação e uma das guias ficou com ela durante todo o mergulho.
  • Gostamos bastante da Cape Town Bucket List. Para fazer o passeio com eles é bom reservar com antecedência no site da empresa.
  • Leve ou alugue uma Go Pro. Fomos sem câmera e nos arrependemos muito.