Panthera onca- À sombra das florestas: livro desvenda os mistérios da onça-pintada

A onça-pintada é um dos animais mais furtivos da floresta. Seu padrão amarelo com rosetas pretas é a camuflagem perfeita para andar na mata, onde os fachos de luz em meio à sombra das árvores tornam o animal praticamente invisível. Ela se aproxima da presa silenciosamente, utilizando áreas de vegetação densa para se esconder. Almofadas na sola das patas ajudam a abafar o som e permitem que o predador ande sem fazer barulho. Quando está perto de seu alvo parte para o ataque.

Onças-pintadas estão em lendas, histórias infantis e até na nota de 50 reais. Ela causa fascínio em alguns, medo em outros, mas poucas pessoas viram ou conhecem realmente o animal. Para desvendar os mistérios que envolvem o felino, Mario Haberfeld, coordenador do Projeto Onçafari; Adriano Gambarini, fotógrafo de natureza de National Geographic Brasil; Rogério Cunha de Paula, analista ambiental do ICMBio; e Laís Duarte, jornalista da TV Cultura, se uniram para escrever “Panthera Onca – À sombra das florestas”.

A obra mostra a influência das onças nas artes e em diferentes culturas, retrata a caça ilegal que colocou a espécie na lista dos animais ameaçados de extinção e fornece alternativas para preservar as populações de onças-pintadas que ainda resistem no planeta.

O livro foi publicado pela Editora Avis Brasilis, com apoio do Ministério da Cultura e patrocínio da Tetra Park e pode ser adquirido pelos sites:

http://www.avisbrasilis.com.br/panthera-onca-a-sombra-das-florestas.html

ou http://www.gambarini.art.br/produto/panthera-onca/

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Pantanal: temporada de cheia

Espelho d'água na temporada de cheia - Foto: Fábio Paschoal

Espelho d’água na temporada de cheia – Foto: Fábio Paschoal

Capítulo 11 da série Pantanal: Terra das Águas

As chuvas começam no final de outubro/começo de novembro anunciando a temporada de cheia. O rio Paraguai e seus afluentes recebem mais água do que conseguem suportar, transbordam e transformam o Pantanal na maior planície inundável do planeta. As terras baixas são ocupadas completamente pela água e os campos de vegetação herbácea se transformam em leitos de lagos rasos e cristalinos.

Vazante sendo inundada – Foto: Fábio Paschoal

Vazante na cheia – Foto: Fábio Paschoal

Corixo na cheia – Foto: Fábio Paschoal

A volta das chuvas trás uma explosão de vida, as árvores, castigadas na estação da seca, voltam a produzir folhas e tudo volta a ser verde. Muitas aves começam a estação de acasalamento para aproveitar a abundância de frutos que serão produzidos aumentando a chance de sobrevivência dos filhotes. Os mamíferos procuram abrigo em partes mais elevadas onde podem dormir e procurar alimento ou saem do Pantanal em busca de terras secas. Já os répteis e anfíbios se sentem mais a vontade para sair.

Cervo-do-pantanal (Blastocerus dichotomus) – Foto: Fábio Paschoal

Capivara (Hydrochoerus hydrochaeris) – Foto: Fábio Paschoal

Víbora-do-pantanal (Dracaena paraguariensis) – Foto: Fábio Paschoal

Jararacussu-do-brejo (Hydronastes Gigas) – Foto: Fábio Paschoal

Sucuri-amarela (Eunectes notaeus) – Foto: Fábio Paschoal

Os campos abertos, antes habitados por veados campeiros, emas, tamanduás-bandeiras e outros animais terrestres, dão lugar aos patos, jacarés e inúmeras espécies de peixes que procuram por alimento e lugar para desova junto às plantas aquáticas multicoloridas que começam a se desenvolver.

Jacaré-do-pantanal (Caiman yacare) – Foto: Fábio Paschoal

Marreca-cabocla com filhotes (Dendrocygna autumnalis) – Foto: Fábio Paschoal

O Pantanal muda tanto que parece que estamos em um lugar completamente diferente. É difícil de descrever, mas quando o sol está brilhando e a água está calma, a paisagem é tão bonita que é possível ver o Céu aqui na Terra.

Não perca o capítulo 12 de série Pantanal: Terra das Águas na próxima quinta-feira (22 de dezembro)

O Céu aqui na Terra – Foto: Fábio Paschoal

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Urutau, ave que se parece com galho quebrado tem um grito horripilante

Mãe-da-lua ou urutau (Nyctibius griseus). Quando a luz da lanterna passa diretamente pela pupila da ave vemos dois olhos grandes e vermelhos. Isso acontece porque a luz bate nos vasos sanguíneos da retina e reflete a cor do sangue. Esse efeito amedrontador ajudou a criar a história do espírito da noite – Foto: Fábio Paschoal

Capítulo 10 da série Pantanal: Terra das Águas

Era tarde da noite, andávamos pela mata somente com lanternas, tentando fazer silêncio. Mas era impossível. As folhas secas no meio da trilha denunciavam nossa localização. Parecia que tudo estava perdido. Estávamos no Pantanal, procurando por corujas para fotografar. Andamos pra lá, voltamos pra cá, fomos até onde nosso cansaço nos permitia e nada. Era hora de voltar pra casa.

[Veja a introdução e o sumário da série Pantanal: Terra das Águas]

[Veja o capítulo 9 da série Pantanal: Terra das Águas]

De repente ouvimos um grito horripilante! O som parecia sair de um filme de terror:

Gravação de Bradley Davis/ Creative Commons (Caso não consiga ouvir clique aqui)

Imediatamente os fachos de luz começaram a se movimentar rapidamente! Apontávamos em todas as direções, tentando descobrir qual era a fonte daquele barulho. Mas tudo que fazíamos era em vão.

Foi nesse momento que minha lanterna passou por Carlinhos, o guia local. Ele olhava para o chão e quando percebeu que havíamos parado de procurar disse: “É a Mãe da Lua. Um espírito que aparece no início da noite. Dizem que quando ela canta as crianças precisam entrar em casa e ir pra cama ou ela irá levá-las para o outro mundo. Vem aqui que eu vou te mostrar”.

Carlinhos começou a rastrear as copas das árvores balançando a lanterna de um lado para o outro. Parou em um ponto específico e pediu pra eu ficar logo atrás dele. No momento que me posicionei entendi o que ele queria dizer. Dois olhos gigantes, vermelhos como sangue, nos fitavam no meio da escuridão.

Carlinhos continuou com a explicação: “Na verdade a Mãe da Lua é uma ave, mas ela é tão parecida com um galho quebrado que ninguém conseguia descobrir o que fazia o barulho. Pensaram que era um espírito. Até hoje as mães contam a história do espírito da noite para seus filhos, e as crianças saem correndo pra cama quando o ouvem cantar”.

O mãe-da-lua-grande (Nyctibius grandis) é o responsável pelo canto que vocês ouviram no início do post. Além dele existem mais quatro espécies de urutau no Brasil – Foto: iStockphoto/Thinkstock

Fomos chegando mais perto e conseguimos ver o animal, que é muito semelhante a uma coruja.

Também conhecido como urutau, ele precisa se parecer com um galho quebrado porque passa mais de um mês parado no mesmo lugar. A mãe coloca um ovo e fica sentada sobre ele até o filhote nascer. Se ela sair o ovo fica exposto e pode cair. Sua camuflagem é perfeita: dependendo do ângulo é quase impossível dizer onde o galho termina e a ave começa.

Quando se sente ameaçado, aumenta ainda mais sua semelhança com o tronco elevando a cabeça para cima e encostando a cauda no galho em que está pousado. Mesmo com os olhos fechados consegue ver o que está acontecendo. Duas pequenas janelas nas pálpebras funcionam como um olho mágico (aquele que você coloca na porta da sua casa pra saber quem é que está do outro lado). Graças a elas a Mãe da Lua pode ter grandes olhos – necessários para enxergar à noite quando sai para caçar insetos – sem chamar a atenção durante o dia.

Se algum dia você ouvir a mãe-da-lua cantar, não se assuste, apenas lembre-se de que é hora de colocar as crianças para dormir.

Não perca o capítulo 11 de série Pantanal: Terra das Águas na próxima quinta-feira (15 de dezembro)

Detalhe do “olho mágico” do urutau (Nyctibius griseus). As duas pequenas aberturas nas pálpebras permitem que a ave veja o que está acontecendo sem abrir os olhos totalmente. Com isso ele mantém o disfarce de galho quebrado e sabe se o predador está chegando perto demais. Em último caso, ele voa e deixa seu ovo para trás – Foto: Fábio Paschoal

Diário de bordo – Workshop de Fotografia na Amazônia com João Marcos Rosa

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Fui convidado para participar do Workshop de Fotografia na Amazônia com João Marcos Rosa no Hotel de Selva Cristalino. O lugar fica no norte do Mato Grosso, próximo da cidade de Alta Floresta, está inserido em uma RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural) e faz parte de um grande corredor ecológico que, junto com o Parque Estadual Cristalino e a Reserva da Força Aérea, preserva mais de 2,3 milhões de hectares de floresta.

A oferta era irrecusável. O Cristalino foi minha casa durante um ano (entre 2010 e 2011). Meu trabalho era guiar grupos interessados em história natural e fazer passeios para a observação de animais da Amazônia. Era uma ótima oportunidade para rever os amigos que fiz por lá, aprender um pouco mais sobre fotografia e, de quebra, pegar umas dicas com um dos mais renomados fotógrafos de natureza do Brasil, com imagens publicadas em revistas como National Geographic, GEO, BBC Wildlife e Terra Mater.

Peguei minha câmera, pedi algumas lentes emprestadas, arrumei minha mala e parti para a viagem. O ponto de encontro com o João era o aeroporto de Alta Floresta. Saímos de lá com um grupo heterogêneo, unido graças à paixão pela fotografia e pelo meio ambiente, em direção ao Cristalino.

Chegamos na beira do rio Teles Pires, pegamos um barco, já com as câmeras na mão, e seguimos para o hotel. As árvores de mais de 50 metros fazem você se sentir pequeno e apresentam a grandeza do lugar. A Amazônia é uma terra de superlativos: é a maior floresta tropical do mundo, com mais de 40.000 espécies de plantas. Em nenhum outro lugar da Terra existem tantas aves, peixes de água doce ou borboletas diferentes. Essa é a casa de uma em cada dez espécies conhecidas pela ciência. Entre elas estão a onça-pintada e a harpia, o maior felino e a maior águia das Américas; a sucuri, a cobra mais pesada do planeta; a anta, o maior mamífero terrestre da América do Sul.

A lontra (Lontra longicaudis) é adaptada à vida aquática: possui corpo hidrodinâmico e membranas interdigitais que ajudam na natação, a pelagem tem duas camadas: a externa é impermeável e a interna funciona como isolante térmico. Os olhos as orelhas e o focinho se localizam no topo da cabeça e permitem submergir totalmente na água deixando pra fora só as partes essenciais para a vida. Se alimenta basicamente de peixes e répteis. Ocasionalmente pode comer aves e mamíferos - Foto: Fábio Paschoal

A lontra (Lontra longicaudis) é adaptada à vida aquática: possui corpo hidrodinâmico e membranas interdigitais que ajudam na natação, a pelagem tem duas camadas: a externa é impermeável e a interna funciona como isolante térmico. Os olhos as orelhas e o focinho se localizam no topo da cabeça e permitem submergir totalmente na água deixando pra fora só as partes essenciais para a vida. Se alimenta basicamente de peixes e répteis. Ocasionalmente pode comer aves e mamíferos – Foto: Fábio Paschoal

Logo que entramos no Rio Cristalino, uma lontra nos deu as boas vindas. Clique! Clique! Clique! Clique! Os fotógrafos não tiravam as lentes do animal. João, dizia as melhores configurações da câmera para fazer a foto naquele tipo de situação. Francisco, nosso guia, posicionava o barco para pegarmos a melhor luz enquanto a lontrinha, extremamente relaxada, tomava sol tranquilamente. Ela chegou até a fazer pose: ergueu o pescoço, abriu a mão apoiada no tronco e mostrou os dedos interligados por membranas que ajudam na natação. Ficamos ali até ela mergulhar no rio e sumir do nosso alcance. Não havia dúvida, o workshop seria fantástico.

Durante seis dias subimos em torres de 50 metros para ver o nascer do sol, observamos a névoa característica do amanhecer amazônico, tentamos congelar o movimento de aves em pleno voo, trabalhamos o desfoque do fundo para dar mais destaque ao assunto principal da foto, registramos o espelho d’água do rio Cristalino, vimos castanheiras gigantescas, corremos que nem louco para tentar fazer imagens de macacos (de dia e de noite), olhamos para insetos, fungos e flores em fotografias macro, subimos e descemos o  rio atrás de antas e lontras, vimos o pôr do sol no rio Teles Pires, pintamos objetos com a luz para fazer fotografias noturnas e caminhamos na floresta em busca de fotos que retratassem a Amazônia e a região do Cristalino. Tudo com a orientação do João, que estava sempre disposto a ajudar a encontrar a melhor forma de conseguir a imagem desejada por cada participante do workshop.

Na Amazônia, após uma noite de chuva, o dia amanhece com uma névoa misteriosa – Foto: Fábio Paschoal

Na Amazônia, após uma noite de chuva, o dia amanhece com uma névoa misteriosa – Foto: Fábio Paschoal

É claro que também pegamos chuva. Tivemos que descer da torre rapidamente para não pegar a tempestade lá do alto, nos protegemos na beira do rio para esperar a chuva mais forte passar, voltamos de barco rapidamente para tentar escapar de um pé d’água e, durante uma manhã e uma tarde ficamos ilhados no hotel. Mas esse tempo não foi perdido. Enquanto estávamos esperando a chuva passar aperfeiçoamos técnicas de fotografia macro com fungos e insetos nas áreas cobertas e discutimos tratamento de imagens.

Respiramos fotografia e vivenciamos a Amazônia até o ultimo segundo. Durante o nosso almoço em um hotel ao lado do aeroporto, antes de pegar nosso voo de volta pra casa, as araras-vermelhas e as canindés estavam em uma palmeira se alimentando e nos deixaram chegar bem perto. Não poderia ter sido melhor!

Um casal de araras-vermelhas apareceu para se despedir - Foto: Fábio Paschoal

Um casal de araras-vermelhas apareceu para se despedir – Foto: Fábio Paschoal

Para mim, esse workshop foi muito importante. Durante o meu tempo de guia no Cristalino, enfrentei o sol causticante nos dias de seca e as chuvas intermináveis na temporada da cheia, acompanhei a mudança no comportamento dos animais durante as diferentes estações, observei as aves migratórias chegando quando o alimento fica abundante e indo embora quando o mesmo fica escasso, presenciei o crescimento dos cogumelos que decompõem a matéria orgânica e são tão importantes para o desenvolvimento da floresta, vi a floração de diferentes plantas, experimentei os frutos, gostosos ou não, que se desenvolvem nas diferentes épocas do ano… Aprendi muito sobre o ecossistema e sobre as relações entre os seres vivos e o meio ambiente. É impressionante como tudo isso é perfeito e frágil ao mesmo tempo. A Amazônia me ensinou a ser uma pessoa melhor e eu aprendi a amar esse lugar.  Hoje, graças ao João, sinto que consigo passar esse sentimento de uma maneira muito mais intensa através das minhas fotos e sou muito grato por ter passado por essa experiência.

Valeu João!

Turma da primeira edição do Workshop de fotografia na Amazônia com João Marcos Rosa – Foto: João Marcos Rosa

Turma da primeira edição do Workshop de fotografia na Amazônia com João Marcos Rosa – Foto: João Marcos Rosa

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Pantanal: a primeira vez a gente nunca esquece

Cabeças-secas voam com o nascer do sol - Foto: Fábio Paschoal

Cabeças-secas voam com o nascer do sol – Foto: Fábio Paschoal

Capítulo 9 da série Pantanal: Terra das Águas

Após um mês tentando decorar os nomes dos principais animais do Pantanal, em inglês e português, observando seus comportamentos e aprendendo muito com os guias locais, era a hora de guiar o meu primeiro pacote. O Éder, um guia mais experiente, estaria comigo para me avaliar.

[Veja a introdução e o sumário da série Pantanal: Terra das Águas]

[Veja o capítulo 8 da série Pantanal: Terra das Águas]

Ainda estava escuro quando saímos, mas o canto dos pássaros-pretos anunciava que o dia estava para começar. Os anus-brancos se encolhiam um ao lado do outro procurando os primeiros raios de sol para se aquecer. Cegonhas, socós e garças começavam a chegar para procurar por peixes, caramujos, caranguejos e vermes nas partes rasas das baías. Um casal de corujas-buraqueiras cuidava de seu ninho na base de um cupinzeiro, os periquitinhos-da-serra procuravam por comida na entrada da mata enquanto os bugios iam para a parte mais alta das árvores para se esquentar. Por todos os lados era possível se observar jacarés que dividiam o espaço com capivaras e cervos-do-pantanal. O silêncio só era interrompido pelos chamados das araras-azuis que cruzavam o céu voando em círculos sobre nossas cabeças como se quisessem chamar a atenção.  A cada 5 metros nós parávamos para observar uma espécie nova e foi assim durante o dia inteiro.

Anus-brancos (Guira guira) - Foto: Fábio Paschoal

Anus-brancos (Guira guira) – Foto: Fábio Paschoal

 Tapicurus (Phimosus infuscatus) - Foto: Fábio Paschoal

Tapicurus (Phimosus infuscatus) – Foto: Fábio Paschoal

 Cabeças secas (Mycteria americana) - Foto: Fábio Paschoal

Cabeças secas (Mycteria americana) – Foto: Fábio Paschoal

Corujas Buraqueiras (Athene cunicularia) - Foto: Fábio Paschoal

Corujas Buraqueiras (Athene cunicularia) – Foto: Fábio Paschoal

Periquitinhos da Serra (Pyrrhura devillei) - Foto: Fábio Paschoal

Periquitinhos da Serra (Pyrrhura devillei) – Foto: Fábio Paschoal

Os bugios (Alouatta caraya) são conhecidos pelo chamado grave, que pode ser ouvido a quilômetros de distância. A espécie encontrada no Pantanal possui diferença entre os sexos: O macho é preto e a fêmea dourada. Quando um filhote do sexo masculino nasce, ele tem a coloração dourada e permanece agarrado à mãe, onde fica camuflado e fora de perigo. Quando começa a ficar independente, e consegue se defender sozinho, adquire a coloração preta - Foto: Fábio Paschoal

A fêmea do bugio (Alouatta caraya) – Foto: Fábio Paschoal

A arara-azul (Anodorhynchus hyacinthinus) é a maior arara do mundo - Foto: Fábio Paschoal

Araras-azuis (Anodorhynchus hyacinthinus) – Foto: Fábio Paschoal

Jacaré-do-pantanal (Caiman yacare): a mãe cuida de dezenas de filhotes

Jacaré-do-pantanal (Caiman yacare) cuidando dos filhotes – Foto: Fábio Paschoal

Capivara (Hydrochoerus hydrochaeris) - Foto: Fábio Paschoal

Capivara (Hydrochoerus hydrochaeris) – Foto: Fábio Paschoal

Maior espécie de cervídeo da América do Sul, o cervo-do-pantanal (Blastocerus dichotomus) vive em áreas alagadas com até meio metro de profundidade. Possui um casco característico com membranas interdigitais que é muito útil para distribuir o peso do animal sobre o solo lamacento e ainda ajuda na natação - Foto: Fábio Paschoal

Cervo-do-pantanal (Blastocerus dichotomus) – Foto: Fábio Paschoal

Então caiu a noite, e com ela veio uma garoa fina. Por mais que procurássemos, nenhum bicho queria aparecer. O tempo foi passando, a chuva apertando e a chance de vermos alguma coisa estava quase no fim. Ao chegarmos próximo à Ponte do Paizinho, onde sempre fica uma grande concentração de jacarés, o Éder sussurrou no meu ouvido: “Não mostra nada agora. A gente vai passar aqui de novo e se não vermos nenhum bicho você para aqui e fala dos jacarés.”
Nesse mesmo instante parei o caminhão! O Éder já estava quase tirando a lanterna da minha mão. Por alguns segundos fiquei paralisado, sem acreditar no que estava acontecendo. Estava frio, estava chovendo e nossas chances de ver alguma coisa eram realmente pequenas. Mas lá estava ela! Sentada na nossa frente! Foi então que recuperei o fôlego e as palavras saíram da minha boca: “Jaguatirica! Jaguatirica! Jaguatirica!” Todos ficaram em silêncio. A jaguatirica conosco por uns 4 minutos antes de entrar na mata.
 
Nascer da lua no Pantanal - Foto: Fábio Paschoal

Nascer da lua no Pantanal – Foto: Fábio Paschoal

A jaguatirica (Leopardus pardalis) é um felino generalista. Pode ser encontrada em planícies alagáveis, como o Pantanal, em densas florestas, como a Amazônia ou ambientes mais secos, como o Cerrado. Em sua dieta estão pequenos mamíferos, répteis, anfíbios e peixes. Apesar de não estar ameaçada de extinção, são caçadas por sua pele e compradas como animais de estimação. O desmatamento é outro fator que contribui para o declínio da população da espécie - Foto: Fábio Paschoal

A jaguatirica (Leopardus pardalis) é um felino generalista. Pode ser encontrada em planícies alagáveis, como o Pantanal, em densas florestas, como a Amazônia ou ambientes mais secos, como o Cerrado. Em sua dieta estão pequenos mamíferos, répteis, anfíbios e peixes. Apesar de não estar ameaçada de extinção, são caçadas por sua pele e compradas como animais de estimação. O desmatamento é outro fator que contribui para o declínio da população da espécie – Foto: Fábio Paschoal

No momento em que ela saiu do nosso campo de visão todos se levantaram e começamos a comemorar! Foi fantástico! Meu primeiro passeio como guia não poderia ter sido melhor. É como dizem por aí: “A primeira vez a gente nunca esquece.”

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Fotos de 20 animais da Amazônia

A Amazônia é a maior área contínua de floresta tropical da Terra e serve como um dos últimos refúgios da vida selvagem. As estimativas do número total de espécies variam entre 800 mil e 30 milhões. Nenhum outro lugar do mundo chega a esse patamar. Essa grande biodiversidade está sujeita a variações climáticas e deve se adaptar a dois períodos bem definidos para sobreviver.

Durante a seca (junho a novembro) algumas árvores perdem as folhas para economizar água mostrando os macacos-aranhas que lutam para buscar frutos. O nível dos rios baixa expondo os barrancos onde o saí-andorinha irá construir seu ninho. Borboletas aproveitam os bancos de areia para pegar nutrientes necessários para a reprodução. A anta, desesperada por água, procura pequenas poças dentro da mata. Se não consegue encontrar nada, se arrisca na beira do rio, onde a onça-pintada está a espreita.

Mas quando tudo parece que vai arder em chamas, chega a temporada das chuvas (dezembro a maio) trazendo a água tão essencial para a vida. É a época das frutas: figo, caju, jaca, manga, açaí, ingá, mescla, cacao, cupuaçu… As saíras, tucanos, araras e macacos se fartam de tanta comida. Dentro da mata, os sapos venenosos tentam achar parceiros para acasalar enquanto as cobras procuram por lugares mais elevados para fugir da água que começa a inundar a floresta. É então que as borboletas surgem novamente, anunciando o final das chuvas e o recomeço de um novo ciclo na Amazônia.

Para mostrar um pouco dessa fantástica biodiversidade, selecionei imagens de alguns animais que podem ser encontrados na região do Cristalino Lodge, na Amazônia brasileira.

 

João-de-barro prende a parceira se descobre que foi traído. Verdade ou mito?

João e Maria em seu ninho de barro – Foto: Fábio Paschoal

Capítulo 8 da série Pantanal: Terra das Águas

O que você faria se descobrisse uma traição? O joão-de-barro fecharia a parceira dentro do ninho, aprisionando-a ali para sempre. Essa história, que ouvi durante uma roda de tereré no Pantanal, me deixou intrigado e resolvi investigar a origem da crença.

[Veja a introdução e o sumário da série Pantanal: Terra das Águas]

[Veja o capítulo 7 da série Pantanal: Terra das Águas]

O joão-de-barro constrói seu ninho junto com a fêmea. Eles são excelentes arquitetos e utilizam lama para fazer uma estrutura complexa, semelhante a um forno de pizza. Para entrar na casa é preciso passar por um corredor em forma de “L”, que leva a uma câmara onde a fêmea irá colocar seus ovos. Lá eles estarão protegidos do bico do tucano, que não consegue fazer a curva.

Depois de muito tempo olhando para esses ninhos encontrei um exemplar fechado, o que dava sustentação à crença. Sentei na pedra mais próxima e comecei a observar. Reparei que havia insetos entrando e saindo por um pequeno orifício. Seriam moscas colocando seus ovos na carcaça da “maria-de-barro”? Resolvi chegar mais perto para averiguar.

Quando consegui identificar os animais tudo fez sentido. Eram abelhas.

Algumas espécies de abelhas utilizam ocos de árvore para construir a colmeia. Se a entrada for muito grande, as operárias irão diminuir a abertura com cera. Um ninho de joão-de-barro abandonado é uma ótima cavidade para os insetos, e eles irão aproveitá-la se não acharem um lugar melhor para se estabelecer.

Para mim, essa era uma explicação muito mais convincente do que a história da traição. Porém, já vi tanta coisa surpreendente na natureza que fico inseguro em afirmar que a crença não é verdadeira. Prefiro colocar de outra forma: até hoje não há registros confiáveis que sustentem essa teoria de crime passional do joão-de-barro.

(Veja o capítulo 9 da série Pantanal: Terra das Águas)

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Arara-azul: da beira da extinção aos céus do Pantanal

Arara-azul (Anodorhynchus hyacinthinus), a maior arara do mundo – Foto: Fábio Paschoal

Capítulo 7 da série Pantanal: Terra das águas

Pantanal, 1989. A bióloga Neiva Guedes acompanhava um curso de conservação da natureza quando se deparou com uma árvore repleta de aves. O bando era majestoso, composto por cerca de trinta indivíduos que coloriam a paisagem com um azul vibrante. Os olhos, negros, eram destacados por um anel amarelo de cor intensa e o bico era extremamente forte, capaz de quebrar a casca das mais duras sementes. Pela primeira vez na vida, Neiva se deparava com a maior arara do mundo, a arara-azul.

[Veja a introdução e o sumário da série Pantanal: Terra das Águas]

[Veja o capítulo 6 da série Pantanal: Terra das Águas]

Mas aquela era uma cena rara. O desmatamento derrubava acuris e bocaiuvas, as palmeiras responsáveis pela produção das sementes que servem de alimento para arara-azul. O manduvi, árvore de cerne macio que abriga mais de 90% dos ninhos da espécie, dava lugar a pastos e plantações. Traficantes de animais escalavam as árvores que permaneciam de pé para pegar os filhotes e vendê-los, principalmente no exterior. Os animais eram transportados em caixas pequenas e superlotadas, sem água e sem comida. O estresse era grande e, na briga por espaço, as ararinhas acabavam mutiladas ou mortas. Algumas aves eram forçadas a consumir bebidas alcoólicas para se acalmar, enquanto outras recebiam um soco, para quebrar osso esterno e impossibilitá-las de cantar. A arara-azul estava à beira da extinção.

Traficantes colocam os filhotes de arara-azul em caixas superlotadas. O estresse é muito grande e muitos acabam morrendo. Segundo o 1º Relatório Nacional Sobre o Tráfico da Fauna Silvestre elaborado pela RENCTAS (Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais) de cada 10 animais capturado pelo tráfico 9 acabam morrendo – Foto Neiva Guedes

Em 1990 Neiva iniciou o Projeto Arara Azul. Com o objetivo de manter populações viáveis da espécie em vida livre no seu habitat natural e promover a conservação da biodiversidade do Pantanal, a bióloga começou a mudar a história da espécie.

A arara-azul passou a ser minuciosamente estudada. Dados sobre a biologia e reprodução eram coletados diariamente, a saúde dos filhotes era monitorada, ninhos artificiais foram instalados para aumentar a quantidade de locais disponíveis para a postura de ovos, tábuas foram colocadas em ninhos naturais que apresentavam uma abertura muito grande, deixando os filhotes mais protegidos contra predadores e as intempéries do tempo. Em paralelo um trabalho de educação ambiental era desenvolvido nas escolas, informando às crianças das ameaças do desmatamento e do tráfico de animais. As pessoas passaram a ter orgulho das aves e informavam o projeto da localização de novos ninhos. O tráfico passou a ser quase inexistente.

Em 22 anos a população, que era de 1.500 indivíduos, chegou a mais de 5000, a arara-azul saiu da Lista de Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção e voltou a pintar os céus do Pantanal.

Neiva Guedes, bióloga fundadora do Projeto Arara Azul e pesquisadora da Uniderp, mostrando ovo e filhote de arara-azul com 10 dias – Foto: Eveline Guedes

Hoje, o monitoramento continua durante o ano inteiro. Na época de reprodução (julho a março) o trabalho é intensificado. O desenvolvimento dos filhotes é acompanhado por biólogos e veterinários que verificam os aspectos sanitários, anilham, colocam microchip e coletam amostras de material biológico e sangue para análise de DNA. O manejo dos ninhos, naturais e artificiais, é feito entre abril e junho. Todo o processo pode ser acompanhado pelos turistas que se hospedam no Refúgio Ecológico Caiman, onde está localizada a base do Projeto Arara Azul.

A bióloga Daphne Nardi checa as condições de saúde de um filhote de arara-azul – Foto: Fábio Paschoal

Kefany Ramalho, bióloga do Projeto Arara Azul, verifica as condições de um filhote que nasceu em um ninho artificial – Foto: Fábio Paschoal

Mas há muito trabalho pela frente. Neiva diz que é necessário que as populações da Amazônia (aproximadamente 500 indivíduos) e do Nordeste (aproximadamente 1000 indivíduos) sejam estudadas e que haja um monitoramento de longo prazo em todas as regiões do país onde a ave ocorre, para verificar se o crescimento da espécie é sustentável ou se está acontecendo somente pelas ações realizadas pelo projeto.

Segundo Neiva, a espécie ainda é classificada como ameaçada de extinção pela lista vermelha da IUCN (União Internacional pela Conservação da Natureza na sigla em inglês). Assim, os esforços do Projeto Arara Azul continuam para tentar mudar esse status.

A bióloga acha que é preciso uma fiscalização mais efetiva para controlar o tráfico no norte e nordeste do Brasil. Ela acredita que as regiões onde as araras-azuis se encontram podem ser beneficiadas pelo ecoturismo, que traz novas oportunidades de emprego para as pessoas da região, gera renda e ativa a economia local. “Creio que um dia a arara-azul sai da lista.”

(Veja o capítulo 8 da série Pantanal: Terra das Águas).

Os filhotes de arara-azul que estavam amontoados na caixa foram encaminhados para o Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS), onde receberam os devidos cuidados. Segundo Neiva Guedes essa foi a última apreensão de araras-azuis no Mato Grosso do Sul e ocorreu em 2004 – Foto: Neiva Guedes

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Anta: o maior mamífero terrestre da América do Sul

Anta-sul-americana (Tapirus terrestris) - Foto: Fábio Paschoal

Anta-sul-americana (Tapirus terrestris) – Foto: Fábio Paschoal

Capítulo 6 da série Pantanal: Terra das águas

Existem 5 espécies de antas conhecidas pela ciência: a anta-da-montanha (Andes), a anta-centro-americana (América Central) e a anta-malaia (Indonésia) – que estão ameaçadas de extinção segundo a IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês). Em território brasileiro encontramos a anta-sul-americana, que é considera vulnerável, e a anta-pretinha, descoberta recentemente.

[Veja a introdução e o sumário da série Pantanal: Terra das Águas]

[Veja o capítulo 5 da série Pantanal: Terra das Águas]

“A anta [Tapirus terrestris] é o maior mamífero terrestre da América do Sul. Além disso, é a jardineira de nossas florestas por ser uma excelente dispersora de sementes, contribuindo desta forma para a formação e manutenção da biodiversidade dos biomas brasileiros onde vive (Amazônia, Pantanal , Cerrado e Mata Atlântica). E tem mais: estudos recentes mostraram que a espécie tem uma quantidade imensa de neurônios, confirmando que ela é um animal extremamente inteligente. Portanto, a cultura brasileira de usar anta como xingamento, com conotação pejorativa, é completamente injusta e absolutamente infundada. Ser chamado de anta é um elogio!”. As palavras são de Patrícia Médici, Ph.D. em manejo de biodiversidade e coordenadora da Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira. O objetivo do projeto é estabelecer um programa de pesquisa e conservação da anta-sul-americana na região do Pantanal e depois expandir as ações para a Amazônia e o Cerrado.

Anta-centro-americana (Tapirus bairdii) – Foto: Santhosh Kumar/iStock/Thinkstock

Anta-centro-americana (Tapirus bairdii) – Foto: Santhosh Kumar/iStock/Thinkstock

Em agosto de 2013, a pesquisadora, em parceria com a jornalista ambiental Liana John, lançou a campanha Minha Amiga é uma Anta, desenvolvida para o público infanto-juvenil (veja o vídeo da campanha no final do post). A intenção era chamar a atenção sobre a importância da conservação da anta brasileira, despertar o orgulho pela ocorrência da espécie no Brasil e desmistificar o conceito de que “anta” é um ser desprovido de inteligência .

É possível baixar a cartilha educativa da anta brasileira, escrita por Liana John e Patrícia Medici e ilustrada pelo cartunista Luccas Longo, com informações sobre a espécie, materiais para estudo e trabalhos de escola, fotografias e ilustrações.

Tapirus kabomani é a primeira espécie de anta descoberta após Tapirus bairdii, descrita em 1865 - Foto: Divulgação

A anta-pretinha (Tapirus kabomani) é a primeira espécie de anta descoberta após Tapirus bairdii, descrita em 1865 – Foto: Divulgação

O trabalho de Patrícia é reconhecido internacionalmente. Ela foi escolhida em 2014 para o TED Fellows Program, que seleciona jovens inovadores, engajados e inspiradores e os treina para que façam palestras no TED Talks (Veja a palestra de Patrícia no final do post). O programa é uma iniciativa do movimento global TED (Technology, Entertainment and Design) – organização sem fins lucrativos dedicada ao conceito baseado em Ideas Worth Spreading (ideias que merecem ser espalhadas, na tradução literal do inglês).

Anta-da-montanha (Tapirus pinchaque) – Foto: Diego Lizcano/Creative Commons

Anta-da-montanha (Tapirus pinchaque) – Foto: Diego Lizcano/Creative Commons

Para chamar a atenção para a importância desses animais foi criado o Dia Mundial da Anta (27 de abril). Apesar de dar margem para inúmeros trocadilhos, a data tem um propósito sério: a conservação das cinco espécies de antas encontradas no planeta.

O desmatamento, a fragmentação do habitat, a competição com animais domésticos, a caça ilegal e os atropelamentos em rodovias fazem com que a população das antas continue diminuindo. Nada mais justo do que um dia para lembrar a importância de cuidar bem desses simpáticos animais (Veja o capítulo 7 da série Pantanal: Terra das Águas).

Anta-malaia (Tapirus indicus) – Foto: wathanyu/iStock/Thinkstock

Anta-malaia (Tapirus indicus) – Foto: wathanyu/iStock/Thinkstock

Veja abaixo o vídeo da campanha Minha Amiga é uma Anta

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TripAdvisor para de vender ingressos de atrações turísticas que envolvem crueldade com animais

Elefantes usados para levar turistas em Ayutthaya, Tailândia - Foto: Diego Delso, Wikimedia Commons, License CC-BY-SA 3.0

Elefantes usados para levar turistas em Ayutthaya, Tailândia – Foto: Diego Delso, Wikimedia Commons, License CC-BY-SA 3.0

O TripAdvisor, um dos maiores portais de turismo do mundo, anunciou nesta semana que irá parar de vender ingressos para atrações turísticas que envolvem contato com animais selvagens ou espécies ameaçadas de extinção.

Ingressos para excursões montadas em elefantes, selfies com tigres e natação com golfinhos – atividades em que, na maioria das vezes, os animais sofrem maus tratos quando não estão sendo observados pelos turistas – irão desaparecer do site completamente em 2017.

Filhote de tigre em cativeiro no Sri Racha Tiger Zoo, Tailândia - Foto: World Animal Protection

Filhote de tigre em cativeiro no Sri Racha Tiger Zoo, Tailândia – Foto: World Animal Protection

[Veja o post Expondo as selfies com tigres: relatório revela crueldade com os felinos usados na indústria do entretenimento]

“Parabenizamos a TripAdvisor por dar esse importante passo pelo fim da indústria de entretenimento cruel com animais silvestres”, afirmou  Steve McIvor, CEO da Proteção Animal Mundial em nota da Ong responsável pela campanha Silvestres. Não entretenimento, que tem como objetivo parar a venda e a promoção de locais de entretenimento que maltratam animais selvagens por agências de viagens (principalmente a TripAdvisor).

Vamos parar de vender atrações que envolvam contacto com animais selvagens em cativeiro ou com espécies ameaçadas de extinção. Mais informações: https://t.co/rE2CyYbUaq (Twiiter da TripAdvisor@TripAdvisor)

“O TripAdvisor também se compromete a desenvolver e lançar um portal de educação ligado a cada atração animal listado no TripAdvisor. O portal irá fornecer links e informações sobre práticas de bem-estar animal, ajudando os viajantes a escrever comentários mais embasados sobre a experiência, além de fornecer opiniões  [de especialistas em animais selvagens] sobre as implicações  e benefícios de conservação de algumas atrações turísticas. Por sua vez, o TripAdvisor acredita que melhores comentários permitirão que os turistas tomem decisões mais embasadas na hora de reservar uma atração e irão melhorar os padrões de cuidados com animais no setor do turismo em todo o mundo”, diz o comunicado da TripAdvisor.

A iniciativa da TripAdvisor não resolve o problema. Para que ocorra uma mudança significativa é necessário que as empresas parem de fornecer atrações que envolvam maus tratos com animais, que o governo fiscalize e multe as atrações turísticas que desrespeitam as normas e, sobretudo, depende de nós. Para viajar de forma responsável é preciso pesquisar e fazer sua reserva com operadoras que se importam com a conservação da natureza e o bem estar animal.